Capítulo 4 - Um Anjo e Dois Demônios

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30 de maio de 2018; 15h22 da tarde

"Sanzu...", ela sorriu como o diabo atraente que é, atracando mais as unhas longas e ridiculamente chamativas no pescoço de Rindou. Porra, ele não... O Rindou não. "Achou mesmo que ficaria tanto tempo longe de mim, amor?"

"Vá embora", ordeno, fechando os olhos com força, me encolhendo na cama. Sinto a mão de Rindou apertar a minha.

"Sanzu?", Rindou se aproxima de mim. Decido, de forma idiota e até inocente, dar uma olhada nele, mas me arrependo na mesma hora, Emi está com a boca no pescoço de Rindou, ele está sangrando. E muito. Puxo minha mão da de Rindou, me levanto com tudo e tento acertá-la, mas acerto o ar. Não consigo tocar nela, essa maldita! "Sanzu, que porra!"

"Saí dele!", grito para Emi, que desgruda a boca do pescoço dele, está faltando um pedaço, está jorrando sangue, os olhos de Rindou estão ficando opacos e da boca, sai sangue. Ela sorri para mim, com o pedaço faltando de Rindou na boca, pingando aquele líquido vermelho, em um instante, ela engole a pele, Emi então inclina um pouco a cabeça para mim, rindo e voltando a afundar outra vez aqueles dentes enormes no pescoço de Rindou. Ouço sua risada diabólica enquanto faz isso, ela está se divertindo tanto me torturando dessa forma. "PARA! NÃO FAZ ISSO, PORRA!", berro. Como posso ser tão fraco nos piores momentos?

"Sanzu!", Rindou agarrou meus ombros e me sacudiu. A agulha enfiada no meu braço direito entrou mais para dentro da minha veia, mas essa dor não me importa. Aquela puta continua sugando o pescoço dele, ele está ficando pálido mais e mais pálido, o sangue que escorre da boca dele vem parar no meu rosto. om, ao menos eu sinto isso. Que agonia! Tento avançar em Emi de novo, mas Rindou me impede. Se ele a visse também, estaria tão desesperado quanto eu! Merda, eu sei que isso provavelmente não é real, mas parece tanto. Me sinto ridículo e com medo. Eu quero chorar, meus olhos estão ficando embaçados, continuo me sacudindo. "Ei, me escuta!"

"Rindou! Ela tá aí!", informo aos gritos, mas parece que minha voz falha, está chorosa. Porra! "Por favor, me deixa tirar ela de você! Por favor, Rindou!", me debato mais ainda, tentando ignorar a vontade de chorar, mas Rindou começa a cair por cima de mim, me colocando contra a cama. Em poucos segundos, estou preso. "Ela vai te matar, Rindou!", meus olhos estão ardendo mais, sinto minhas mãos tremendo - meu corpo inteiro está tremendo. "Rindou, por favor, me escuta!"

"Quem?!", ele indaga, ficando em cima de mim e me prendendo mais na cama. Quero que ele me abrace. Quero sentir que ele está bem. "Quem tá tentando me matar, Sanzu?!"

"Emi!", respondo. Comecei a chorar. Fechei meus olhos com força, ainda sinto Rindou em cima de mim, me prendendo e me segurando. Não quero que ele saia, não agora. Quero ter certeza de que estou acordado. Eu não vou aguentar estar num sonho onde Rindou está sendo morto, morto na minha frente e eu não consigo fazer nada assim como... Como não consegui ajudar minha irmã no sonho de agora há pouco. Eu não quero isso de novo. Não. "Por favor, o Rindou não..."

Respirei fundo, meu peito doeu, mais lagrimas escaparam dos meus olhos. Porra, me sinto sufocado, mas não sei se é a minha cabeça ou porque Rindou está praticamente em cima de mim, me imobilizando - apertando e enfiando a agulha que está no meu braço mais para dentro, sinto algo quente escorrendo pelo meu braço, mas ignoro, talvez seja o meu sangue. De qualquer forma, me sinto patético por chorar. Chorar na frente do Rindou. Por me mostrar fraco. Caralho, eu também não vou parar de chorar tão cedo agora, porque comecei a soluçar.

Meus pulmões estão doendo, minha cabeça latejando e graças ao meu choro, parece que estão batendo nela com um martelo. Eu quero sumir, não quero essa dor, não quero essas alucinações, não quero Rindou machucado nem partilhando desse meu inferno.

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