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“Não…”, engoli em seco, de repente, a imagem do trinta há segundos de distância do corpo parado de Rindou voltou a minha mente. “Não! Para! Para! Emi, por favor!”
“Fala.”
“Para! Eu não quero ver!”, estendi minha mão até o rosto dela, sinto algo quente escorrer pela minha testa, provavelmente é meu sangue. “Eu digo! Mas para isso! Não quero vê-lo assim! Por favor! Por favor!”
Ela estendeu a mão, agarrando a minha, então sorriu, com a outra mão, estalou os dedos e não vejo mais nenhum trem andando, nenhum Rindou desmaiado no chão, sem gritos ou qualquer coisa. Apenas eu e Emi outra vez, naquele vazio branco e ensurdecedor.
“Estou ouvindo.”
“Eu… Eu amo o Rindou. Amo o Rindou”, falei, baixinho. “Satisfeita? Por favor, me deixe em paz agora. Me deixa voltar para ele.”
“Só isso?”, ela indaga, os olhos dela encarando os meus, um de cada vez. Ela continua sorrindo. “Diga a verdade.”
“... Eu já…”
“Diga a verdade”, ela sibilou.
A encarei. Eu não sei o que ela quer que eu faça. Chore, esperneie mais ainda? Grite até ficar sem minha voz? Grite que quero meu Rindou de volta? Que quero passar o resto da minha vida com ele? Acordar todo dia com o sorriso lindo dele acompanhados com aqueles olhos violeta, sempre tão cansados e indiferentes que tanto sou apaixonado? Que tenho vontade de beijá-lo toda santa vez que ele começa a me irritar com trocadilhos estúpidos e sem graça?
É isso? Ela quer que eu fique aqui, falando o quanto o amo, o quanto sinto falta dele? O quanto me odeio por amá-lo? Que não sou bom para amá-lo, que sou um cretino idiota que apenas se apaixonou pela bondade dele?
Que jamais vou poder segurar as mãos dele, colocá-las no meu rosto e sentir ele fazendo carinho em mim? Agarrar aquela maldita cintura dele? Sentar no colo dele e enchê-lo de beijos só porque estou entediado?
Que inferno.
Sinto mais lágrimas escorrerem pelos meus olhos, que ardem, o meu sangue também está pingando mais e mais da minha cabeça, testa, sei lá. Meus braços estão na minha frente, minhas mãos trêmulas e inquietas, minha cabeça está latejando tanto. Isso é tão… Normal para mim.
Eu não sei.
Em algum momento, isso se tornou comum comigo. Sangue, seja meu ou não, minhas mãos inquietas, minha cabeça dolorida. Quando foi que estar louco, banhado em sangue, se tornou tão habitual e normal para mim? Se tornou minha face?
Me sinto estranho. Eu não… Não estou mais gostando de estar atrelado a morte agora. Talvez… Por que matei Rindou naquela linha do tempo? Eu não…
“Continuo esperando…”, Emi resmunga.
“O quê…”, tento levantar, mas meus joelhos parecem presos ao chão.
“Fale com verdade”, ela diz, se levantando, me olhando de cima, se achando superior com aqueles dois melões que ela chama de seios. “E se erga, está tão deprimente que me dá pena.”
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Control
ФанфикшнSanzu tem pesadelos constantes e reais demais com os eventos de sua vida. De todas elas, de todas as linhas do tempo. Sua mente é seu próprio inferno particular por se lembrar de tudo. Pobre Haruchiyo Sanzu. Amaldiçoado Haruchiyo Akashi.
