Capítulo 3 - Você Sente Mesmo Isso?

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30 de maio de 2018; 15h01 da tarde

"Remédio para dor?", Rindou pensou um pouco. "Tem, eu acho, mas tenho que perguntar do médico se você pode tomar", ele me olhou, pareceu se lembrar de algo. Então, ele apertou algum botão a cima da minha cabeça, fazendo um click. "Tenho que chamá-lo aqui, aliás. Já-já ele chega. Ele tava aqui nesse instante."

Médico? Estou em um hospital? Tento olhar em volta, mas não condigo mexer a cabeça sem sentir uma dor absurda nela.

"Não, ei", sinto a mão de Rindou tocar meu peito. "Calma, é um hospital clandestino e... Porra, você vai ter uma parada cardíaca?"

"Acho que não...", tento respirar fundo, porém, minha garganta doí e minha cabeça está latejando. "O que aconteceu?"

"Você conseguiu bater a porra da cabeça na quina da pia da boate... Ah, é! Me diz, Sanzu, sabe que dia é hoje?"

Penso um pouco. Não faço ideia, mas deve ser...

"Deve ser domingo, não? Dia 27?", o aniversário do Ran foi de sábado, dia 26, para domingo, e já estava de madrugada quando nós começamos a brigar. Não devo ter ficado mais do que um dia desacordado...

Mas, Rindou negou com a cabeça, depois, olhou para mim e para a frente dele, não sei para onde ele olhou, porque não consigo virar a cabeça. Talvez tenha um relógio ali na parede.

"Hoje é quarta, dia 30. Você apagou por quatro dias", ele tiro a mão do meu peito e colocou o rosto bem a cima do meu, ele estava com olheiras mais aparentes agora. "Seu merda, achei que tinha morrido de vez, babaca do caralho!"

"Fico feliz com a sua alegria em me ver vivo."

"Não fode."

"Nem se eu quisesse", retruco, ele torceu a boca. O cabelo dele está caindo em cima do meu rosto, fazendo cocegas. "Dá pra prender o cabelo? Tá pinicando"

"Não", revirei os olhos, mas minha cabeça latejou e eu fiz careta graças a dor, já ele, sorriu, travesso. "Não tenho prendedor, então, vou ficar com o cabelo solto mesmo."

"Ele está falando normal, como de costume?", uma voz surge do nada e indaga. Não, chega de vozes que eu não reconheço aparecendo do nada. "Isso é bom, significa que o cérebro não sofreu danos com a convulsão", tá, é um médico, eu imagino.

De repente, a cama começa a se inclinar lentamente para frente e Rindou sai de cima de mim. Depois de uns segundos, ela para e me vejo sentado, olhando um rapaz mais ou menos da minha idade e da de Rindou, conversando com o mesmo. Ele tem um cabelo loiro dourado, amarrado num coque alto e um sorriso simpático no rosto. Não o conheço, mas ele e Rindou parecem se conhecer, já que estão falando calmamente e Rindou está sorrindo de forma gentil para ele.

Até que, eles me olham por um momento. Fechei a cara, então, eles voltaram a conversar entre eles. Porra, me sinto cansado demais e agora parece que voltei para a escola quando me olhavam e começavam a falar de mim e das minhas cicatrizes na boca de proposito e bem na minha cara, como se eu não estivesse ouvindo aqueles imbecis.

Finjo tossir e faço isso bem alto, para que me olhem de novo. Funcionou, o loiro com cara de besta e o cabeça de uva idiota do Rindou se viram para mim. Eles veem até mim, Rindou ficando ao meu lado e o cara que não conheço, na minha frente. Bom, na frente da minha cama, me olhando e sorrindo.

"Oi, me chamo Takuya, sou seu médico", ele começou a andar e veio para o meu lado, se inclinou um pouco, se aproximando, pondo a mão no meu rosto e puxou minha sobrancelha esquerda para cima, então ligou uma lanterninha no meu olho. Ele fez o mesmo do outro lado. "Isso é bom, seus olhos estão reagindo à luz!"

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