Sete

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Já fazia algum tempo que Jiwoo tentava me telefonar, mas eu não conseguia entender o que ela tinha na cabeça; ela sabia muito bem que horas eu saía da escola (e nenhum aparelho eletrônico é permitido na escola). Eu até cheguei a pegar meu celular escondido e enviar uma mensagem a ela, mas não obtive resposta alguma. A resposta foi a mesma das 27 tentativas anteriores: outra ligação.

Eu já me preocupava muito, e além de tudo não conseguia pensar que tipo de coisa teria acontecido com minha irmã para que ela pedisse ajuda para mim ao invés de nossos pais.

Durante o caminho de volta, me senti péssimo por ignorar meus amigos enquanto tentava falar com minha irmã, sendo que a ligação só se completou quando eu já estava na rua de casa.

— Noona! O que está acontecendo? Está tudo bem? Você está bem?

Jiwoo atendeu com um suspiro confuso:

— Ugh. Eu estou bem, sim, Hobi. O que eu preciso é saber sobre você. Ou o seu gato. Bem, os dois.

Quer dizer que era algo sobre Seoltangie?

— Como é? Você falou de novo com a mamãe e o papai? O que eles disseram?

— Não, não é sobre eles. Foi Seokjin-oppa que entrou em contato comigo.

Fazer a chave entrar na fechadura da porta da frente já parecia um desafio. Depois de sentir o tom em que Jiwoo falava, então...

— Sim...? E o que... O que ele...

Eu inconscientemente passei a fazer pouquíssimo barulho ao entrar, como se alguém pudesse nos ouvir conversando, ou então para que eu não entendesse nada errado pelo telefone. Meu estômago já dava um milhão de nós naquele momento.

— Eu... não entendi muito bem o que aconteceu, Hobi. Como foi a sua ida ao consultório?

Toda aquela quantidade de perguntas não me agradava nem um pouco, mas pelo menos fui capaz de deduzir que se eu cooperasse, descobriria logo o que Jiwoo estava aprontando.

— Foi tudo... bem. Seokjin-ssi disse que Seoltangie se saiu muito bem, ele nem ficou tão assustado, e...

— Hobi, você viu o momento em que ele colheu o sangue? - Jiwoo soava cada vez mais sóbria.

— S-sim, noona! Eu, vi sim! Foi bem na minha frente! Eu estava segurando ele quando...

— Você se machucou quando precisou segurá-lo? Isso não faz sentido, mas...

Parei nas escadas, em meu caminho para o quarto trancado onde eu escondia Seoltangie.

— De jeito nenhum! Seokjin-ssi foi muito cuidadoso com ele. E também foi muito atencioso comigo. Eu confesso que estava um pouco receoso, mas gostei demais de como ele...

— O sangue que foi enviado ao laboratório era sangue humano, Hobi.

— Como é que é?

Era difícil para mim entender exatamente o que aquilo queria dizer, pois ao mesmo tempo em que recebi aquela informação, notei que a porta de meu quarto estava entreaberta.

— Noona, eu... eu te ligo depois.

Oh não... eu não conseguia não pensar em como tudo estava tão esquisito desde que eu havia tido aquele pesadelo. Desde que aquele... aquilo... havia me visitado de madrugada.

Eu esperava encontrar qualquer coisa ali. Ou talvez nada. Talvez haveria algum demônio em meu quarto em plena luz do dia, esperando por mim para me assombrar ainda mais. Ou então eu encontraria meu quarto totalmente vazio, por algum ladrão que tenha conseguido entrar em casa enquanto ninguém estava lá.

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⏰ Última atualização: Jun 27, 2023 ⏰

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