𝙶𝙰𝚁𝙾𝚃𝙰 𝙸𝙼𝙿𝙴𝚁𝚃𝙸𝙽𝙴𝙽𝚃𝙴 |3

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  Ofegava avassaladoramente enquanto corria, sentindo meu pé direito doer e segurando as alças da minha mochila

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  Ofegava avassaladoramente enquanto corria, sentindo meu pé direito doer e segurando as alças da minha mochila. Respirei fundo antes de abrir a porta da sala de aula, atraindo todos os olhares para mim.

  O motivo do meu atraso tinha sido meu gato, que estava escondido dentro do meu coturno e me fez perder tempo o procurando desesperadamente. Tenho essa mania irritante de não me importar com mais nada quando tenho um foco, e sempre me arrependo disso no final.

— Berger, por favor, sente-se. — A professora de português disse de forma gentil.

— Me desculpe pelo atraso. — Falei com a voz falha, fechando a porta atrás de mim.

  Agradeço mentalmente por não ter sido o professor de geografia, pois teria levado uma reprimenda daquelas na frente de toda a turma. No entanto, isso não diminui a vergonha que sinto ao passar por todas aquelas pessoas que me seguiam com seus olhares julgadores. Bendita hora em que decidem ficar calados.

  Mas isso não foi o suficiente para me deixar perplexa; o que realmente me surpreendeu foi ver Ivan Bell sentado na classe logo atrás de mim. Eu parei, olhando para ele.

  Ontem nem ele nem Alan estavam aqui, foi apenas eu e Ammy outra vez. Até cheguei a pensar que ele realmente era muito mais velho para estudar conosco. Vinte e três anos? Esse salafrário cara de pau.

— Precisa da minha permissão para se sentar? — Perguntou com um sorriso sádico entre os lábios.

  Suspirei, apenas o ignorando e me sentando. Sentia minha cabeça pesada e meu pescoço quente; espero não ter pego uma gripe com apenas aquela chuvinha de ontem.

  Olhei para o lado, tendo a decepcionante visão de Alan e Ammy trocando bilhetes discretamente. Isso fez algo se remoer dentro de mim. Eles nunca tinham se falado antes na minha presença; ela nunca tinha nem tocado no nome dele. Será que Ammy está afim dele? Isso é péssimo, se ela estiver, com toda certeza vai conseguir, e eu vou ter que passar o restante do ano vendo eles juntos.

  Sacudi a cabeça para afastar os pensamentos que estavam começando a se exaltar dentro de mim. Mal sei o que está acontecendo e já estou criando paranóias; preciso parar com isso.

  Mas não consigo deixar de olhá-los...

— Ninguém te ensinou que bisbilhotar a vida dos outros é feio, Berger? — Senti o hálito fresco do garoto atrás de mim tocar o meu pescoço.

  Desviei o olhar imediatamente, olhando para frente e mordendo a bochecha, frustrada por ter sido flagrada.

— Você não passa muito longe, por que não cuida da sua vida? — Murmurei para que só ele escutasse.

INDELÉVEL-"Querido Diário" de Lana Berger Onde histórias criam vida. Descubra agora