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— O quê?!?!

Ela abriu a porta do escritório e adentrou, esperou por Lucas. O garoto entrou e fechou a porta por ela.

Amara arrastou os pés até a sua poltrona, sentou-se e encarou o teto.

— Que merda ele fez? E disto tudo, porquê ele fez isso? — Indagou. Não saberia dizer se era para ela a pergunta ou para o menino Lucas.

— Ele disse-me que estava pensando, hoje de manhã ele já queria-te colocar. Então algo aconteceu, uma morte de um dos estudantes. — Escutou barulhos de papéis. Ela encarou Lucas, que estava mostrando fotos de um rapaz morto. — Encontraram ele assim. Sorte que foram os nossos policiais que acharam primeiro. Isso está feio. Claro que já existiram casos piores.

Pegou os papéis da mão dele e analisou.

Uma mão faltava, a barriga estava aberta, sem coração, faltava um dos pulmões e as tripas estavam cortadas. O rosto deformado não ajudava na identificação.

— Acharam mais alguma coisa do lado do corpo? Pelos? Dentes?

— Não, encontraram esses óculos. — Tirou da sua bolsa um, óculos redondo.

Os olhos da Amara se arregalaram. Ela pegou-o e ficou olhando. O, óculos era do mesmo garoto que viu hoje de manhã, com os três garotos.

— Tudo bem, Amara? — Perguntou Lucas.

— Não...

Ela depositou o óculos na mesa ao lado da poltrona e observou mais um pouco a foto do crime. Perturbador como isso aconteceu tão rápido.

— O pior é que o corpo ainda estava fresco, não foi de noite que aconteceu isso, foi algumas horas atrás, disse o médico legista.

— E tem mais outro detalhe?

— Sim. As mordidas no pescoço e nos braços. Como também arranhões e furos. Não são os mesmos. Não foram feitos por um lobisomem, foram feitos por três.

O coração da Amara martelou. Como seria possível? Ela viu os quatros, poderia ter impedido a tragédia. Os sinais do seu coração nunca erraram, no entanto, desta vez não deu ouvidos a ele.

Passando as folhas, parou nas informações pessoais do jovem. Vinte anos, chamado António. Os cursos e onde ele morava estavam fixos na folha. Aquilo a deixava com nó na garganta.

— Você tá bem? — Tocou a mão de Amara.

— Não muito. Eu vi António algumas horas atrás, quando estava naquele maldito encontro. Mas não andava sozinho, tinha mais três homens do lado dele.

— Isso ajuda muito na investigação, vai ser bem fácil encontrar os três assassinos. Você é maravilhosa Amara.

Novamente os seus olhos estavam nas informações do rapaz, leu e leu várias vezes e procurou o local onde acharam o corpo. Mas não tinha.

— Onde encontraram ele? Não está escrito aqui.

— Encontraram ele perto da faculdade. Apenas duas ruas a frente, num beco. A rua se chama Wor De Sinles 234. O pior é que os residentes das casas perto do crime, não escutaram nada e nem viram. — Lucas andou até a mesa da Amara e colocou um papelzinho.

— O que é isso? — Perguntou ela.

— O código das armas que vai usar e as proteções. — Ele ergueu as sobrancelhas e coçou o coro cabeludo. — E também vai mais quatro para lá. Safira, Robert, Ralf e Wesley. São três lobisomens a solta. Se estão andando no corredor do instituto  com pessoas inocentes, é melhor prevenir. Na rua serão vinte caçadores. Circulando todo o local.

Três Luas CheiasOnde histórias criam vida. Descubra agora