Dandara 🎱
Eu nunca tive uma fama muito boa, desde a adolescência.
Mas tudo que eu mais queria na minha vida era ser mãe de menina, mas fui impedida pelo filho da puta do pai da Gabriela. Eu já tinha um menino de oito anos, mas queria muito uma menininha...
Quando eu descobri que estava grávida ele tentou me matar, mas eu pedi uma medida protetiva contra ele, então a minha gestação inteira eu passei sozinha. Não tinha ninguém, minha família era o Leandro. Único que me apoiou foi o pai do Vidal, mas éramos de morros diferentes, foi aí que teve a aliança entre o Vidigal e o PPG.
Ele foi meu melhor amigo, quase um irmão pra mim!
Cheguei na casa do Vidal e bati na porta. Fui recebida pela carranca dele, como de costume.
Quando eu entrei na sala, a Gabriela estava sentada no sofá com o olhar distante e a irmã dela estava ao seu lado.
Eu pigarreei e encarei minha filha.
Dandara: Gabriela...
Gabi: Por que você sumiu? — perguntou gritando e vindo pra cima de mim. Eu só fiquei quieta. — Eu fiquei vinte e dois anos achando que você tava morta! Tinha horas que eu só queria ter o colo da minha mãe e nem isso eu tinha! Por quê? — ela ficou repetindo enquanto dava tapas no meu ombro, até que ela desistiu e deitou a cabeça no meu colo.
Eu apertei ela nos meus braços. Foi como se tivessem tirado um peso das minhas costas, sentir a minha filha era tudo que eu mais queria todo esse tempo.
Dandara: Teu pai me proibiu de ficar contigo, filha... Eu não tive opção, eu tive que esperar tu crescer, mas eu sempre tava perto, quando tu sonhava comigo era porque eu tava te vendo dormir. Eu entrava escondido só pra te ver...
Ela chorava muito e eu acompanhava o choro dela. Passei a mão no cabelo dela, senti o cheiro dela...
Dandara: Eu tinha fama de rodada na favela, filha. Eu era, na verdade. Quando o teste de DNA saiu, teu pai assumiu mas te pegou de mim assim que tu nasceu, foi aí que minha vida mudou. Eu trabalhei pra caralho pra poder te dar pelo menos uma pensão boa... Filha, me perdoa!
Gabriela se afastou e olhou nos meus olhos, passando as mãos pelo meu rosto.
Gabi: Eu sou a sua cara, mãe. — ela disse e nós rimos. Enchi o rosto dela de beijo, como eu sempre quis fazer.
Dandara: Eu te amo muito, meu amor. Tenho tantos planos pra gente!
Gabi: Eu preciso de tempo, tá? Mas eu perdoo você, eu só preciso raciocinar...
Gabriela 🌺
Nós conversamos bastante. Eu, minha mãe, Isabeli e o Vidal. No meio da gritaria, o Bernardo acabou acordando. De repente, João chegou, convidando a gente pra almoçar na tia Elaine.
Nessa conversa, descobri que tinha um irmão mais velho. Mas teria bastante tempo pra conhecer tudo...
Minha mãe disse que não ia no restaurante porque tinha coisas pra resolver em casa, então eu desci o morro a pé com uma cambada de gente.
Quando chegamos lá, encontramos a Laíza e o Portuga tomando uma cerveja juntos.
Isa: Bom dia, pombinhos! — ela cumprimentou os dois com beijo na bochecha. Cumprimentei também e logo sentamos todos juntos.
Pedi uma porção de camarão pra todo mundo e batata frita como acompanhamento pro Bê. Todos fizeram seus pedidos separados e ficamos conversando enquanto bebíamos cerveja.
Pelo visto, Laíza e Daniel tinham se dado bem, estavam bem juntinhos. Eu amo ver meus amigos se juntando e virando casal!
Mesmo com tudo que eu e Dani vivemos, era muito bom ver ele se envolvendo com alguém especial. Eu sabia do caráter dele, então estava apostando tudo numa possível relação.
Nós comemos enquanto os casais se paparicavam e o Vidal não tirava os olhos de mim, de novo. Não tava entendendo qual era a dele...
[...]
Isa: Gabi, vou dormir no João hoje, tá? — falou caindo de sono enquanto deitava a cabeça no ombro do Jotapê quando estávamos saindo.
Vidal: Não lembro de ter deixado.
Laíza: Deixa, Vidal! É fim de semana...
Ele bufou e fez um joinha, Isa deu um sorrisinho e olhou pra mim.
Gabi: Tá bom! Mas amanhã é antes do meio dia em casa. Vamos almoçar lá na casa da Dandara.
Isa: Tá bom!
Depois disso, o casal foi embora e levaram o Bernardo, Portuga foi deixar a Lai no apartamento dela na pista e eu ia pegar o caminho da roça, mas o Vidal me parou.
Vidal: Eu te acompanho até lá. — falou sério.
Gabi: Eu sei me cuidar sozinha, tá? — respondi sorrindo.
Ele foi andando com a cara fechada pro caminho da minha casa e eu respirei fundo, indo logo atrás.
Nós chegamos e eu abri a porta, dando passagem pro Guilherme entrar.
Era a primeira vez em tanto tempo que ficaríamos sozinhos. Ficamos em um silêncio constrangedor e eu pigarreei.
Gabi: Então... Desculpa por ontem, e obrigada também.
Vidal: Tá suave, Tiffany. Aquele lá é enteado da tua mãe, mas é um filho da puta, puxou o pai não. GL é tranquilo.
Gabi: Você tinha razão. — falei passando a mão no meu braço e desviando o olhar.
Vidal: Ô Gabriela. — olhei pra ele. — Tu não sente falta?
O olhei confusa.
Gabi: Não entendi...
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Libertinagem (Morro)
Romance"Ela é da favela e eu moro lá no morro Ela usa prata e eu uso ouro Que coincidência, né? Pois é..."
