☆ capítulo 4 ☆

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Arthur ~ 8:50 AM

Acordei, fiz a minha oração matinal, e sem contar que paguei alguns boletos no centro. Enfim, acho que não fiz muita coisa.
Ainda preciso passar no mercado, mas antes vou ir em casa pra beber uma água  e dá bom dia a minha mãe.

Eu estava a 1 esquina de casa, então rapidinho eu cheguei. Abri o portão e logo meu cachorro Ruffus, pulou em cima de mim.

- ei garoto, como você tá? - digo rindo e fazendo carinho no pelo dele.

- au au. - ele responde e lambe o meu braço.

- meu filho. - minha mãe vem me abraçar assim que me vê.

- bom dia pra mulher mais linda desse mundo. - dou gargalhada enquanto a abraço e a pego no colo e fico girando ela.

- meu Deus, quando foi que o meu menino ficou tão forte? - ela ri com a risada mais gostosa.

- a academia estava me fazendo bem. - sorrio passando a mão nos cabelos grisados dela e finalizo dando um beijo na testa dela.

- ah meu amor, você se acostuma. - ela me corta porque sabe que eu tô reclamando.

- mãe, não quero fazê la mudar de ideia. Mas sabe que foi meio estranho voltar pra cá. - sento na cadeira.

- Eu sei que é difícil ficar longe dos seus familiares, mas tenta se adaptar meu bem. Eu não quero mais tocar nesse assunto. - ela passa a mão no meu cabelo e sai.

- acho bom você ceder, sua mãe não vai aceitar a ideia de você morar sozinho nos Estados Unidos. - meu pai dá um tapinha nas minhas costas.

- nossa pai, você ajudou tanto.

Pego as chaves do carro e dirijo até o supermercado mais próximo. Que não era tão próximo assim.

Compro algumas coisas que precisam dentro de casa e resolvo passar no açougue pra comprar algumas carnes.

De longe avisto a Agatha, a menina que me dá azar sempre que a vejo. Não posso negar que tô com vontade de ir lá falar com ela. Será que ela tá sozinha?

Vou até lá.

- opa, muita boa tarde. - chego tentando ser legal.

- além de ser atrapalhado também segue as pessoas. Caraca, você é bom. - ela dá de ombos.

- Eu?seguido você? Acho que você que é minha fã número 1. Aonde eu tô, você sempre estar ou sempre me encontra. - sorrio .

- ah não, você só pode estar brincando. Como você não percebeu que eu sou sua maior fã? Ah meu Deus, você é muito lerdinho mesmo. - ela ri debochando.

- ou você está de bom humor hoje ou você só está me tirando de tempo.

- os dois. - ela dá um sorriso de canto.

- é engraçado porque... - ela me interrompe.

- Não, isso não é engraçado. Eu só tô sendo educada pra que você não comece a falar mal de mim como se eu fosse a pior pessoa do universo. - ela me dá um gelo do nada, se transforma em outra pessoa.

- nossa, eu só tava brincando. - questiono.

- mas eu não. - ela revira os olhos.

- qual é Agatha, eu tô tentando ser um cara legal com você é tô te tratando super de boa. - indago.

- então para de ser assim. Eu não pedi, e não quero que seja assim. Porque você não se toca? - ela se altera, no nível em que todos do mercado olham.

- me desculpa. - digo baixo.

- esse rapaz está te incomodando moça?- um dos açougueiros pergunta.

- já disse que suas desculpas não vão mudar nada. Então só para. E me deixa em paz. - ela diz olhando no fundo dos meus olhos com muito ódio.

- Eu só não entendo porque... - ela me interrompe novamente.

- e desde quando você tem que entender alguma coisa? Só aceita que não quero ser sua amiga e muito menos falar com você. - ela sai.

- ex maluca insuperável? Eu entendo amigo. - diz o moço do açougue.

- Não. Uma velha amiga. - respiro fundo.

Agatha Silva

Cara, eu não acredito que esse idiota ache que eu sou amiga dele. Não, ele só pode tá zuando comigo. Se bem que eu só relevei a conversa no início porque eu queria ser educada e porque eu estava no mercado. Mas porque ele fica puxando assunto aleatório comigo. Será que ele não percebeu que eu não gosto dele?

Desde a primeira vez que o vi. Eu o odeio. Muito mesmo.
Eu odeio a pessoa que ele me lembra. Eu o odeio muito.

As lágrimas começam a escorrer no meu rosto porque eu tenho lembranças de infância que são totalmente dolorosas e que me machucam muito. Eu achei que eu já tinha superado, mas não. Essas lembranças me fazem desabar denovo, e denovo.

Eu já estava em casa no meu quarto, resolvi tomar um banho pra tentar resolver o meu trabalho de espanhol. Mas eu tô tão cansada.

Não sei se vou no ensaio hoje. A Júlia até me mandou mensagem, mas nem respondi.

Ligo o chuveiro e fico por horas debaixo dele enquanto as lágrimas escorrem junto com a água do chuveiro.

- Eu não merecia isso Jesus. - tenho flashbacks do passado.

~ flashback ~ 2005

- Carlos onde você estava? - diz a mãe de Agatha.

- e desde quando isso é da sua conta? - diz o pai de Agatha, Alisson.

- Você é meu marido! Não acredito que estava me traindo denovo na cara dura. - a mãe de Agatha caí nos prantos chorando.

- e quem mandou você ser uma mulherzinha tão inútil? Tenho que ter outras pra me satisfazer. - Alisson ri debochando.

- Eu te odeio! Não tá vendo que temos uma filha? - a mãe de Agatha tenta bater no rosto de Alisson.

- Você tá louca? Quer apanhar na frente da sua filha? - Alisson dá um tapa no rosto da mãe de Agatha que a desmaia.

~ vida real ~ 2020

- Eu odeio meu genitor. - digo desabando em lágrimas.

- Agatha? - diz minha tia chamando do lado de fora. - abre a porta por favor.

☆☆☆

Espero que vocês estejam gostando dos capítulos.

Beijinhos💋

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