E é hora da força do tempo!-parte 1

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Acordei com a cabeça pesada, a vista meio embaçada. Tudo ao meu redor parecia grande demais, estranho demais. As luzes brancas do hospital machucavam meus olhos, e o som do bip das máquinas era irritante. Virei a cabeça devagar e vi Emma sentada ao lado da minha cama, as mãos apertadas sobre o colo, os olhos arregalados e preocupados.

— Kate... você está bem? — ela perguntou, hesitante.

Pisquei algumas vezes, tentando entender por que estava ali. E então lembrei. Lembrei do que descobri. Do que estava bem na minha frente esse tempo todo e eu fui burra o suficiente para não perceber. Amélia é minha mãe. Ollie é meu pai. Eles sempre estiveram lá, mas nunca disseram nada. Me deixaram vagar pelo mundo sem saber de nada, me sentindo sozinha. Me sentindo abandonada.

Eu deveria estar feliz, certo? Sempre quis uma família. Sempre quis saber de onde vim. Mas agora que sei... agora que entendi tudo... meu coração dói de um jeito que eu não consigo explicar.

Emma se inclinou para frente, segurando minha mão.

— Fala alguma coisa, por favor...

Antes que eu pudesse responder, outra voz surgiu no quarto.

— Que bom que você acordou... — Violet estava encostada na parede, pálida, com os olhos baixos. — Como você está depois de... tudo?

Eu ri. Um riso amargo, sufocado.

— Como eu estou? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — Eu estou ótima! Descobri que minha vida inteira foi uma mentira, que meus pais estavam bem na minha frente e nunca se deram ao trabalho de me contar. Mas tudo bem, né?

Emma abaixou a cabeça. Violet não disse nada.

Apertei os punhos, sentindo a raiva crescer dentro de mim.

— Vocês sabiam, não sabiam? — meu olhar foi de uma para a outra. Emma engoliu em seco. Violet desviou o olhar. — Claro que sabiam. Me fizeram de idiota esse tempo todo.

— Não era nossa intenção... — Emma começou, mas eu a interrompi.

— Ah, não era? Então o que era? Me deixar acreditar que eu nunca fui importante o suficiente para alguém? Que eu era só uma órfã qualquer?

O silêncio delas foi a resposta que eu não queria ouvir. Meu peito apertou. Minha visão ficou turva pelas lágrimas, mas eu não deixei que elas caíssem.

— Saiam. — minha voz saiu baixa, mas cheia de raiva.

— Kate... — Violet tentou dizer algo, mas eu balancei a cabeça.

— Saiam!

Elas hesitaram por um segundo, mas acabaram obedecendo. O quarto ficou em silêncio, e eu finalmente deixei as lágrimas escorrerem.

Eu achava que, quando descobrisse a verdade, tudo ficaria bem. Que eu me sentiria completa. Mas, na verdade, tudo ficou pior.

Não pude pensar nisso por muito tempo.

Uma voz ecoou no hospital, uma voz que todos conhecíamos bem.

— Crianças, preparem-se. Temos uma missão.

Zordom.

Limpei o rosto rapidamente. Não podia me dar ao luxo de ficar chorando agora. Tinha que seguir em frente.

A nave espacial era enorme, metálica, com detalhes brilhantes que pareciam pulsar com energia própria. Assim que entramos, os controles holográficos se acenderam e Zordom assumiu a condução. O interior era futurista, com painéis luminosos espalhados pelas paredes e janelas enormes que mostravam o espaço ao redor.

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