E é hora da força do tempo!-parte 2

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-Assim que pousamos de volta na Terra, um frio percorreu minha espinha. Algo estava errado. O céu tinha uma coloração estranha, como se estivesse constantemente ao entardecer, e o ar parecia mais pesado, carregado de eletricidade.

Eu olhei ao redor, tentando entender o que estava diferente. Foi então que vi os edifícios. Alguns pareciam restaurados demais, como se nunca tivessem sido danificados antes. Outros tinham placas que eu nunca tinha visto, e havia veículos nas ruas que não existiam no nosso tempo.

Ben deu um passo à frente, os olhos arregalados.

— O que foi que fizemos?

Emma, sempre a primeira a reagir, olhou ao redor e fechou os punhos.

— Mudamos a linha do tempo — disse, com a voz mais controlada do que qualquer um de nós conseguiria naquele momento.

— Como assim? — Violet perguntou.

— Os primeiros Rangers do futuro enfrentaram monstros assim e impediram que eles invadissem a Terra. Mas, de alguma forma, alteramos o que levou a essa vitória. Agora... eles estão aqui.

Antes que pudéssemos reagir, um estrondo ecoou pela cidade.

Um prédio foi atingido por uma explosão e, de dentro da fumaça, surgiram criaturas metálicas, com olhos vermelhos e corpos cobertos por uma armadura brilhante e líquida.

— Eles estão em toda parte! — Devi gritou, puxando meu braço para trás enquanto uma criatura disparava contra nós.

Não houve tempo para pensar. Nós corremos direto para a batalha.

Os Rangers do presente já estavam lá. Izzy, Fern, Aiyon, Zayto, Javi... e Amélia e Ollie.

Meus pais.

Eles não me olharam.

Eu não olhei para eles.

A batalha foi intensa. Eu me movia mecanicamente, desviando dos ataques e acertando golpes com força. Devi permaneceu perto de mim o tempo todo, protegendo minhas costas.

Emma e Izzy eram uma força imparável, atacando com golpes rápidos e sincronizados. Violet e Ben lutavam juntos, defendendo um ao outro conforme derrubavam inimigos um por um.

Mas minha mente estava em outro lugar.

Eu tentava ignorar, mas meus olhos sempre voltavam para eles. Amélia e Ollie. Eles lutavam ao lado de Aiyon e Zayto, agindo como verdadeiros heróis, como se nada tivesse acontecido, como se eu não estivesse ali.

Como se eu não fosse nada.

Minha raiva cresceu.

Eu precisava me concentrar.

Emma, Izzy e Fern desferiram o golpe final, destruindo a última criatura com uma explosão de energia.

O silêncio caiu sobre nós.

Izzy e Fern trocaram olhares antes de olharem para Amélia e Ollie.

— Quem são esses Rangers? — Fern perguntou, ainda ofegante.

Ollie olhou para nós, depois para Amélia. Ele abriu a boca, mas nada saiu.

— Não sabemos — Amélia finalmente respondeu.

Foi como um soco no estômago.

Eles mentiram.

De novo.

A noite caiu, e eu voltei para o orfanato.

Eu não conseguia dormir. A mentira de Amélia e Ollie ecoava na minha cabeça.

Então, ouvi os cochichos.

Uma nova menina tinha chegado.

Me aproximei e, assim que a vi, senti meu coração parar.

Alysson.

Como isso era possível?

O desespero tomou conta de mim.

Corri até a nave, as mãos tremendo enquanto tentava estabelecer comunicação.

— Lux... — minha voz saiu fraca. — Eu preciso de você.

O silêncio foi esmagador.

— Eu fiz tudo o que você queria... — minha voz quebrou. — Então por que está tudo desmoronando?

Nenhuma resposta.

Eu voltei para o orfanato, mas não dormi.

Naquela noite, os pesadelos voltaram.

Sonhei com Amélia e Ollie.

Eles me deixavam de novo.

Me esqueciam.

Acordei com um grito preso na garganta.

Mas o verdadeiro pesadelo estava apenas começando.

Explosões ecoaram pela cidade.

Os monstros estavam de volta.

O orfanato tremeu quando um dos ataques atingiu o lado de fora.

Tentei me levantar, mas minha visão girou, e minhas pernas falharam.

Então tudo ficou preto.

Acordei no meio da batalha.

Os monstros estavam em toda parte.

Eu me levantei com dificuldade e vi Ben.

Ele estava cercado.

Não pensei. Apenas corri.

Saltei na frente dele no último segundo.

O golpe atingiu meu peito em cheio.

A dor foi insuportável.

Caí no chão, minha visão piscando.

Vozes me chamavam, mas eu não conseguia responder.

Emma. Miles. Devi. Violet. Javi. Zayto. Aiyon. Izzy. Fern.

E Amélia e Ollie.

Eles estavam lá. Todos eles.

Chorando.

Eu queria dizer que estava tudo bem.

Mas não conseguia mais falar.

Antes de tudo escurecer, ouvi Amélia dizer, entre lágrimas:

— Eu vou encontrá-la.

Então o silêncio me envolveu.

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