━━━━━━ • Coriolanus Snow • ━━━━━━
Um coro de negações ecoou pelo salão do banquete, mas nenhuma das pessoas sequer se contraiu em seus assentos. Algumas delas estavam até rindo, e Coriolanus, imperturbável diante da reação, permaneceu no centro das atenções. Seu olhar vagou pelos convidados, mas sua atenção logo foi monopolizada por um ponto específico: os olhos castanhos, vívidos e desafiadores, que o encaravam à sua frente.
Ficou ali, imerso naquele castanho chamativo, como se pudesse decifrar os segredos mais profundos daqueles olhos.
Por muito tempo, ele contemplou a incerteza que pairava sobre o paradeiro dela. Questionou-se se Lucy Gray estava viva, morta ou se havia se transformado em um fantasma que assombrava os recantos da floresta. O salão do banquete desaparecia de sua percepção, quando ele mergulhava cada vez mais em lembranças que o assombravam.
A melodia da canção, com suas palavras sobre fugir para a liberdade, ressoava em sua mente ao longo dos anos. Cada acorde era como um eco persistente, uma lembrança constante da presença de Lucy Gray em sua vida mesmo que ele não a visse. A música tornou-se uma trilha sonora para suas reflexões sobre o passado, um lembrete constante de um capítulo não resolvido de sua história.
Você vem, você vem
Para a árvore
Onde eu mandei você fugir
para nós dois ficarmos livres.
Lucy Gray poderia vagar pelos recantos do Distrito 12 com seus tordos. No entanto, a ideia de que ela pudesse fazer mal a ele estava completamente descartada. Era como se, de alguma forma, a neve que cobria os bosques e o passar do tempo tivessem encerrado qualquer ameaça que ela pudesse representar. Uma sensação de conclusão, até o maldito momento em que Ravinstill a capturou.
O pensamento de casar, especialmente com ela, reverberava em sua mente. A simples consideração dessa possibilidade era um desafio aos alicerces de suas convicções.
Ele se via como alguém que não apreciava o amor, pois o considerava uma fraqueza que o tornaria vulnerável e tolo. Sempre que pensava na possibilidade de se casar, ele sabia que escolheria alguém incapaz de mexer com seu coração, alguém que ele até pudesse odiar para evitar ser manipulado ou enfraquecido.
Coriolanus sentiu um aperto no peito diante da súbita ideia de se casar com Lucy Gray, especialmente porque essa proposta não tinha originado de seus próprios desejos, mas sim dos planos do presidente, que ele ainda não tinha certeza de quais eram. Uma sensação de desconforto o envolveu, uma vez que recuperar o controle da situação era imperativo. Não podia se permitir cometer atos impulsivos que comprometessem o equilíbrio tênue que Ravinstill tentava manter. A questão crucial que se apresentava era: até que ponto ele estava disposto a colaborar com os planos do presidente, considerando que seu objetivo final era ocupar o lugar daquele que agora orquestrava seu destino?
Inclinando-se para frente, ele pegou o guardanapo como se buscasse apoio tangível para suas decisões iminentes.
— Veja só, um casamento surpresa até para o noivo — Coriolanus comentou com um toque de ironia, seu olhar cortante dirigindo-se a Ravinstill. — É uma piada, não é? — A indecisão infiltrou-se em sua voz, uma nota de desconforto enquanto se via em meio a uma trama que escapava ao seu controle.
A sala do banquete, embora repleta de pessoas, parecia congelar por um instante diante da tensão crescente. Coriolanus sabia que cada palavra, cada movimento, eram peças cruciais no tabuleiro complexo onde se encontrava. Ele buscava uma maneira de preservar sua autonomia, mesmo sob as sombras do poder do presidente.
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O ENCANTO DA SERPENTE [Concluída]
FanfictionLucy Gray é capturada e levada à Capital quatro anos após a 10ª edição dos Jogos Vorazes. Entre os impenetráveis muros erguidos pela exploração incansável dos distritos, surge um casamento arranjado que serve como um delicado equilíbrio entre dois l...
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