05.

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━━━━━━ • Lucy Gray Baird • ━━━━━━


O elevador deslizava suavemente para baixo, nível após nível, mergulhando em um abismo vertical. A contagem regressiva parecia interminável, alcançando dez, vinte, ultrapassando os trinta níveis.

Ao lado de um pacificador, Lucy Gray aguardava em pé, enfrentando o silêncio opressivo que preenchia o ambiente. Seu coração pulsava com uma ansiedade profunda, e um suspiro escapou de seus lábios enquanto ela olhava para as próprias mãos.

O anel dos Snow enfeitava seu dedo, um símbolo pesado da vida que ela estava obrigada a levar. Se sua mãe estivesse viva, testemunhando a situação em que ela se encontrava, certamente derramaria lágrimas pela desgraça que se abateu sobre sua vida.

A porta se abriu, revelando um amplo corredor branco com portas vermelhas alinhadas meticulosamente. Assim que saíram do elevador, Lucy Gray viu-o se fechar atrás deles, enquanto uma grade deslizava para bloquear as portas. Ao se virar, um guarda surgiu, vindo de uma das salas no extremo do corredor. Uma porta se fechou silenciosamente atrás dele, criando uma atmosfera de isolamento.

O pacificador avançou em direção ao guarda, cumprimentando-o com um gesto respeitoso. O homem que agora estava diante deles exibia a expressão severa de alguém familiarizado com o papel de carcereiro, a face de autoridade em um mundo onde a liberdade era um conceito distante.

— Olá, mocinha. — O carcereiro resmungou enquanto passava por Lucy Gray, abrindo uma das portas vermelhas com uma destreza adquirida pela rotina. — Me siga em silêncio.

Ela acenou afirmativamente e seguiu em silêncio pelo corredor impessoal, seus passos ecoando de forma quase imperceptível. A atmosfera era pesada, e a ansiedade que a acompanhava desde o elevador se intensificava a cada passo.

Finalmente, pararam diante da porta numerada 3194. O carcereiro manuseou a tranca, abrindo-a com a autoridade de quem controlava a liberdade alheia. Lucy Gray entrou na cela, revelando um espaço austero com paredes de tonalidade cinza e um colchão solitário no chão. No canto oposto, lá estava ela, Barb Azure, encostada na parede, um livro entre as mãos. Além da porta de ferro, fechando a cela, havia uma grade divisória, impedindo a aproximação de quem estivesse preso com o visitante da cela. 

— Barb? — Lucy Gray chamou, incerta, sua voz ecoando na cela.

— Você é uma ilusão? — Barb Azure murmurou, sua voz fraca.

— Não, Barb, sou eu, Lucy Gray! Não sou nenhuma ilusão. — As palavras de Lucy Gray reverberaram na cela, enquanto ela observava a prima sentada com as pernas encolhidas contra o colchão do outro lado da grade. Barb Azure começou a erguer a cabeça, esforçando-se para focar os olhos na imagem da prime. A emoção apertou a garganta de Lucy Gray, testemunhando o estado debilitado de sua prima e os hematomas em sua pele.

Ela aproximou-se da grade, estendendo a mão para tocá-la, como se o metal frio pudesse transmitir alguma forma de conforto. As pontas de seus dedos encontraram a textura áspera da grade, e ela sentiu uma corrente sutil de eletricidade percorrer sua pele. O contato físico com a barreira entre elas intensificou a realidade da situação.

— Barb... — Sua voz tremulou, traída pela emoção. — Me desculpe.

A prima desencostou-se da parede, arrastando-se lentamente até a grade. Lucy Gray, ajoelhada, finalmente olhou Barb de perto. Os cabelos dela estavam desalinhados, a boca inchada, e seus olhos revelavam o cansaço de quem enfrentou dias difíceis. Lucy Gray sentiu seu coração apertar ainda mais ao testemunhar o estado debilitado de sua prima.

O ENCANTO DA SERPENTE [Concluída]Onde histórias criam vida. Descubra agora