O Aviso

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Assim que chegamos à cabana Gabriele passou por mim indo direto para a cozinha. Ela estava estranhamente apreensiva. Desde que havíamos saído da cabana de Daniel ela não havia dito uma palavra. Antes de ir atrás dela, espiei pela janela observando Daniel passar indo em direção ao terreiro, onde Heitor e os outros se preparavam para o treino. Hoje era é o primeiro dia de lua cheia, dia do torneio onde Leonel e Malcon assistem a luta e escolhem alguns dos membros para leva-los e usá-los como soldados de Zoraky. Os mais fracos são usados como escravos ou cobaias de experimentos que Leonel pratica no subterrâneo do castelo. O sussurro que corre na aldeia é que muito dos que vão nunca voltam. Tentando dispersar meus pensamentos, respirei fundo indo em direção á cozinha. Passando pelo corredor abri a porta do quarto e olhei para as adagas da esquerda para direita, sete pequenas espadas douradas estavam penduradas à parede. A menor tinha uma esmeralda cravada na empunhadura, enquanto a maior, que deveria ter uns trinta centímetros, tinha meu sobrenome gravado na lâmina- Sams -As adagas eram as únicas coisas que me traziam boas lembranças. Minha prima Adele, havia me dado quando consegui provar minhas habilidades com as lâminas. Esse era o nosso passa tempo em Serenity. Aprendi muita coisa com ela no pouco tempo que passou com agente antes de viajar em um torneio e nunca mais voltar. Ela me dizia que elas eram tradicionais de um clã de Guerreiros. Talvez fosse a única coisa pela qual eu me orgulhava. Puxei a porta trancando-a, sem saber exatamente porque fiz isso.

Ao chegar à cozinha, notei Gabriele olhando fixamente para a janela que dava para os fundos da floresta. Abri a geladeira pegando um copo de água, esperando que ela falasse alguma coisa. Mas ela permaneceu ali parada com o olhar fixo, era como se ela não estivesse ali. Queria entender o porquê ela estava assim, podia sentir seu sofrimento, mas não conseguia compreende-lo.

- Gabriele, se você quiser depois podemos conversar, mas agora, precisamos ir para o treino. Daniel já se juntou aos outros. Pronunciei.

Ela levou a mão sobre seu rosto secando uma lágrima que escorria pela sua face. E saiu em direção a porta assim como havia entrado. Em silêncio.

Assim que saímos indo em direção aos outros, Heitor passou por nós indo em direção a cabana de Daniel.

- Estão esperando um convite para o treino? Sua expressão era de total insatisfação.

- Estamos sim, e quando recebermos te damos um. Falei enfatizando meu sarcasmo. Ele respondeu com uma careta e seguiu.

Assim que nos juntamos aos outros procurei com os olhos Daniel, o vi sentado folheando seu caderno velho. Gabriele estava distante se aquecendo, seu semblante estava distante e frio. Precisava saber o porquê ela havia ficado assim após termos saído da cabana de Daniel.

Passando entre os outros parei ao seu lado acompanhando seus movimentos.

- O que aconteceu com você? Porque não fala para o Daniel que você não esta bem e vai para a cabana descansar um pouco, hoje não foi um dia nada fácil. - Sussurrei. Observando o olhar fixo de Daniel em mim. Colocando seu livro em cima do tronco de árvore onde estava sentado, ele levanta se aproximando da arena.

-Vamos começar o treino. Olhando em direção das cabanas vejo Heitor voltando com algumas armas na mão.

- Hoje o treino vai ser pra valer. Quero que lutem como se estivéssemos sendo atacados.

-Todos se entre olharam receosos. Desde que cheguei à aldeia nunca concordei com essa atitude e esse torneio de fazer um lutar contra o outro até a morte. Querendo ou não, vivíamos pacificamente, tínhamos algumas afinidades com uns, e uma certa amizade com outros. Éramos pra ser uma família e não inimigos rivais. Era brutal esse torneio, e o responsável por essa baixa em nosso grupo era o impiedoso Zoraky. Mas isso precisava ter um fim.

Coloquem-se em posição.

- Quero Zafir e Luna abrindo as lutas. Ele olhou para Zafir fazendo um gesto com a cabeça dando inicio a luta. Montamos um círculo em volta como de costume, e observamos a luta. Os dois eram fortes, cada um com suas habilidades. Zafir além de forte dominava bem a magia, enquanto Luna era ágil e ardilosa. Seria uma grande luta. Os dois haviam chegado juntos há 3 meses atrás, trazidos por Leonel. Ele era um bruxo assim como Gabriele e Luna era uma vampira como eu. A diferença entre nós é que ela havia sido transformada e eu, infelizmente havia nascido assim. Após quinze minutos de luta e magia, golpes e acrobacias, Zafir como esperado vence a luta. Daniel olha para Zafir fazendo um novo movimento com a cabeça e ele o responde confirmando. Enquanto Luna saia da arena Zafir se aproxima dela ameaçando cravar a espada em suas costas. Ela sentindo o perigo, rapidamente segura suas mãos junto a espada, e com um rápido movimento da um mortal caindo sobre suas costas cravando a espada na altura de seu coração. Ela direciona sua ira para Daniel que a encara surpreso. Num movimento rápido, ela retira a espada fazendo com que o corpo de Zafir despenque ao chão sem vida.

Todos se entre olham assustados, Daniel nunca havia permitido que um membro matasse o outro. Sempre dizia que se fosse para morrer, que morrêssemos lutando como guerreiros, mas o que Zafir fez foi covardia, ele a atacou pelas costas, deixando-a sem escolha. E pelo jeito nem ele nem Daniel contavam com o resultado. Todos se rebelaram.

Vendo o alvoroço Daniel da um grito.

- Vocês estão aqui para lutar em uma guerra! Esbraveja encarando um a um nos olhos. Nunca contem com a sorte, contem com o imprevisto. Porque será a esperteza e sabedoria que os salvará. Se ainda não perceberam isso, que a Morte de Zafir sirva de lição. Aproximando-se de mim e parando a poucos passos a minha frente, ele prossegue.

- Você Lara, ainda tem muito que aprender. Seus olhos haviam se transformado em duas órbitas negras. Dando mais um passo em minha direção, ele prosseguiu.

- Em breve terá que escolher em que lado irá lutar. E o caminho que irá seguir só dependerá de você.

- Você é um covarde! Exclamei encarando-o. Não sentia medo de suas palavras. Mas tenho que admitir que temi ao perceber que Daniel era muito mais do que um velho e poderoso feiticeiro.

- Quem realmente você é Daniel? Perguntei sem ter certeza de querer ouvir a resposta.

- Em breve você saberá.

Não pude deixar de sentir o tom de desafio em sua voz.

Segredos Mortais - Os GuardiõesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora