Ferida aberta

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— Ele vai ficar arrasado. Então era isso que ela queria me contar- murmurei ainda incrédula com o que li.

Chris deu tapas leves nas minhas costas. Foi quando a maçaneta começou a se mexer.

— Com licença, Chris... Alyssa,  achei que...

Saltei da cadeira e o abracei.

— Eu sinto muito Mark- tentei segurar as lágrimas. 

— Eu é que sinto, eu não consegui protegê-la.

Mark tinha olheiras profundas e os olhos inchados, seus dedos da mão direita estão enfaixados, seus cabelos bagunçados. Aquele Mark que era apaixonado por Eloise Miller, parecia ter morrido com ela.

Me recusei a olhar nos olhos dele, para não dar sinais de que uma notícia mais triste estava por vir.

— Mark, sente-se por favor- Chris apontou para a outra cadeira que estava do meu lado.— Amigo, você tem que ser forte.

— O que vocês descobriram?- os seus olhos começaram a tremer.

— O relatório da autópsia do corpo de Eloise, constou que ela estava grávida de sete semanas.

Aqueles olhos que tremiam se converteram em puro terror e ódio, como se uma flecha tivesse acertado seu peito naquele exato momento.

— Chris, é melhor você encontrar esse assassino, do contrário o assassino serei eu.

— Não fale isso nem de brincadeira Mark- Vociferou Chris.

— Mark, vou ajudar nas buscas não se preocupe, vamos levar esse maldito a justiça- fiz um esforço para fitá-lo.

— Quero enterrar minha esposa, vocês podem liberar o corpo para o enterro?- perguntou friamente

— Ainda não. Estamos terminando de pegar algumas análises. Mas você pode ver o corpo- Chris tentava de alguma maneira medir suas próprias palavras. 

Mark assentiu em um silêncio mortal, ele parecia prometer para si mesmo encontrar o responsável por isso.

— Quero ver também- falei sentindo minha voz falhar.

Chris não disse nada, mas sabia que aquilo não faria bem pra mim, mas não teria como me impedir. Precisava ver com os meus próprios olhos.

Ele nos acompanhou até a sala de autópsia, era hora de encarar a realidade. Muitas lembranças começaram a emergir de vários momentos felizes. Dizem que as lembranças felizes são as que mais doem, e é verdade, cada momento com Eloise, cada sorriso. Aquilo doía e ninguém nunca entenderia, porque teria que ser uma dor semelhante.

E lá estava ela, deitada em uma sala de autópsia analisada da cabeça aos pés.

- Ah minha amiga.

Dessa vez as lágrimas não foram contidas.

- Não sinto seu calor meu amor.- Lamentou Mark.

Dei leves tapinhas nas suas costas.

— Ela... Ela me disse uma vez que te amava tanto que só de te ter por perto ela se sentia segura, que... Não importava o que acontecesse se você estivesse ao lado dela, continuaria se sentido segura, Mark...- segurei o soluço.— Eloise disse que se um dia  partisse primeiro que nós... Ela queria que seguíssemos em frente sem olhar pra trás, porque ela já teria cumprido a missão dela aqui.

Verdades Obscuras: O Mistério do Assassinato de EloiseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora