Eu o conheci
quando ele
era moço.
Ele ainda tinha
cor, não caiu
no poço.
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Eu vi as crianças chorando,
pois você estava se rachando.
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Era uma vez, um palhaço.
Monocromático, ganhou
o apelido de Trágico.
Ele queria ter cores,
disseram que ganharia
após nascer sem dores.
E todos dançaram
de um modo engraçado.
Deveria de se apresentar,
se um dia quisesse brilhar
e um arco-íris alegre virar.
O circo chamou, a Dona
o adorou. Trágico,
junto da família, amou.
Mas ao palhaço, o
amor que lhe foi atribuído
era esquisito.
Amou pela primeira vez,
alguém com diversos
poréns.
E todos dançaram
como se tivessem amado.
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Trágico conversou,
se apresentou e per-
-guntou.
A Dona gostou,
Trágico é seu favorito,
principal e bem-quisto.
E todos dançaram,
desta maneira celebraram.
Monocromático; aflito
estaria. Não era isso
o que pretendia.
Chamou-a outra vez,
mesmo sabendo que
seria lucidez.
E todos dançaram,
com borboletas nos estômagos.
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Ele explicou-se,
esperneou-se, calou-se.
Ela já havia dito,
seu palhaço "Outros...
são seus donos."
Cômico Trágico,
que agora era só um
entretenimento.
E todos deixaram
a dança de lado.
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"Eu te amo", dizia,
mas você não a pertencia.
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Aflito? É só isso?
E para ti, foi aplicado castigo.
Lealdade seguida a risco.
"Sente-se no trono de espinhos,
não saia até que eu volte e
poupe-me suspiros."
E assim foi feito, Trágico
está a sua espera, como um
cão sarnento.
E todos dançaram
na frente do palhaço.
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"Trágico! Trágico!"
Escute os gritos de tuas
inspirações e amigos.
"Ajude-nos, Trágico!
Faça algo engraçado!"
E assim foi feito,
o palhaço brincou com
seus próprios medos.
Embora ficasse no
maldito trono de espinhos.
E todos se preocuparam,
pois Trágico sangrava
aos montes.
O medo era de ter morrido
antes, pois Dona ainda não
voltou com suas cores.
E o vermelho, dava um tom vibrante
à situação inquietante.
E todos tentaram,
mais de uma vez, alertar o palhaço.
O Apresentador que tanto
apoia, disse que teria uma melhora.
E ganharia a cor nessa hora.
Trágico o respeitava, mas isso
não o melhorava.
A Acrobata excêntrica não
entendia o porquê de sua cruel
decadência.
Trágico comentava, mas ela
parecia ainda mais torta quando
explicava.
O Cão ingênuo pensou que
Trágico era forte para passar
por dias de tempestade.
Trágico não contrariou,
tampouco comentou.
Todos tinham uma maneira de
preocupar-se, mas era difícil
Trágico ajudar-se.
E todos pararam
para observar o palhaço.
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Todos observaram
você cair, pois sofreram junto.
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A Dona não voltou.
O circo fechou.
A cor? Não ganhou.
O palhaço pensa
no que poderia ter
errado.
Mas a culpa não era
de Trágico...
Afinal, ainda estava
sentado.
Então levanta,
com dores e sem esperança.
E todos analisaram
a situação macabra do Palhaço.
Andou, caminhou, passou...
Até que finalmente chegou.
Uma queda, era o que via.
Trágico pulou,
pois de tanto ver o Homem
Bomba de um canhão se lançar,
o Palhaço acreditou que ele
poderia voar.
Porque talvez voar,
faria com que Dona pensasse
que ele era a razão para ela voltar.
E todos choraram
ao observar a queda do Palhaço.
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The Fall
PoetryThe Fall é um álbum de poesias baseado na psiquê humana. Espera-se que o leitor sinta, não importa o que, mas tenha algum sentimento com relação a uma delas.
