The Fall está chegando ao final.
𝐄 por isso,
nunca mais
escutaram.
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Eu repetia para mim mesmo;
algumas vezes sou o lixo,
outras vezes o bueiro.
Em momentos sou o lixeiro,
no resto não passa de devaneio.
E é disso que sou feito.
Questionamentos,
não tinha ideia do que fazia...
nem mesmo sabia quem sou.
Eu me desconhecia.
E ainda não descobri.
Sei tudo o que desenvolvi,
mas não lembro o que aprendi.
Isso é ruim?
Se nunca puder entender...
E se nunca lembrar?
Enlouquecer.
Eu me faço "muita questão",
então as dos outros
me causam exaustão.
Muitas perguntas me confundem,
não tenho boas respostas.
Não sou nada além de um ser.
Eternamente preso a uma cela,
mas é tão confortável,
talvez porque só conheça ela.
Não sei a realidade que me cerca,
mal convivo com os bípedes de calça.
Prefiro quadrúpedes, não me olham
como um estranho.
Fiz as minhas correntes,
abraço-as, sorrindo com os dentes.
Porque elas são colegas
da minha prisão perpétua.
Não carrego nada,
além de uma consciência pesada.
•
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Estar isolado, não vejo como opção.
É o meu auto tratamento para a socialização.
Não é estar sozinho, nunca foi abandono.
Porque de fato, se ambos não tentam,
o motivo certo seria que nunca existiu algo.
Afinal, jamais me esforcei, pois só
quero ficar preso.
O conforto da prisão nunca será superado pela
árdua tarefa de estar em liberdade.
O céu me cega, o quarto cumpre necessidade.
As pessoas são muitas... as multidões
me assustam.
Estranhos me preocupam, amizades demandam
demasiado tempo.
Nunca liguei para o abandono, nunca liguei para
o ser humano.
A introversão é uma benção,
a frieza é uma não planejada consequência
e o centro uma maldição.
Centro das atenções,
de dedos para te apontar...
Por isso, fico na prisão.
Mas cheio de perguntas.
Com várias dúvidas;
o que sou? Quem sou? O que estou fazendo?
Por que me causo desprezo?
A minha existência me envergonha?
Por que eu ainda lembro?
E se meu paraíso for o inferno?
A minha cor desbota.
Não pode ver no escuro.
Mas só o sangue está em vermelho vibrante.
Não é possível escutar meu lamento.
E a culpa é minha, porque nunca fui atento.
Nunca deveria ter agido, nunca deveria ter existido.
Pode ser exagerado, mas não fora da lógica,
o que faço, além de suprir necessidades básicas?
O que faço, além de continuar sangrando?
Entro em desespero, bato a cabeça, repenso.
E ele chega, iluminando o quarto.
Dizendo palavras suaves, sabe que acalma.
A culpa não era minha por ser eu,
a culpa era minha por deixar de ser.
Cogitar mudar... nunca poderia.
Ele diz, se ainda estou aqui, é porque gosto.
Será o meu lar, e devo agradar.
Pegou-me no pior momento, fez de mim um
prisioneiro do conforto.
Foram anos, anos para finalmente resumir:
Eu não me desprezei, só não me entendi.
Ainda há o que fazer,
tentar ser normal...
Sem tirar as correntes.
Continuar abraçado à prisão, pois ela me acolheu
e ele me tirou dos venenos da sociedade.
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The Fall
PoesiaThe Fall é um álbum de poesias baseado na psiquê humana. Espera-se que o leitor sinta, não importa o que, mas tenha algum sentimento com relação a uma delas.
