Amélia estava chorando inconsolável sentada no único sofá que restara no cômodo, antes tão fino e opulente e agora quase que despido de qualquer semelhança com o que fora anteriormente, sobre a mesinha no centro o jornal com a foto de seu pai Félix Fickelgruber na capa, preso, tinha sido longos dois anos em que ela acreditou fielmente que ele iria sair impune pelos crimes cometidos junto ao cartel do chocolate, mas não fora isso que ocorrera. Agora sua mãe estava morta (já fazia vários anos) seu pai tinha sido preso e a casa em que ela cresceu iria a leilão em pouco tempo, mão lhe restara quase nada, a família Fickelgruber foi a falência com o escândalo. Lady Hortense Grosvenor sentava a sua frente a olhando com muita pena
— Querida Amélia... Só resta uma alternativa agora... Mas você tem sorte de uma avó que pensou em tudo... Agora pare de chorar, ficará com o rosto inchado e feio — Amélia Fickelgruber parou de chorar e limpou as lágrimas com um lencinho de cetim, olhou para vó com uma expressão de incerteza
— A senhora pensou em tudo?
— Sim, minha querida... Desde que saira o escândalo envolvendo o nome de teu pai que eu já estava preparando uma saída honesta para você... Terá de se casar — Amélia sempre pensou que casamento seria uma preocupação posterior aos 30, até então sua vida de menina solteira rica e sem obrigações era mais do que perfeita, até seu pai começar a ser investigado e a fortuna ir pelo ralo, a avó sorriu e tirou da carteira uma foto que estendeu a neta — Este é seu futuro marido Archibald Wentworth, conde de Howarhood — Amélia não conseguia dizer se o homem na foto era de fato um homem ou uma morsa, se a avó não tivesse dito nada, ela teria apostado que era uma morsa
— Ele é tão feio! E velho! Não, eu não quero me casar agora, ainda mais com um homem assim — Hortense bateu com a bengala no chão impaciente
— Você não tem mais escolhas... Tem 21 anos, órfã de mãe, o pai tá preso e em poucas semanas só lhe restará as roupas do corpo... Ou você se casa com um homem rico como esse conde, ou vai parar na rua da amargura
— Mas vovó... Eu posso arranjar um noivo melhor que ele
— Mais rico?
— Não sei se mais rico, mas mais bonito ou mais jovem, por favor vovó, me deixe tentar — Amélia implorou juntando as mãos, Hortense suspirou achando a recusa da neta uma idiotice juvenil
— Amélia, você tem uma semana para arranjar um pretendente que seja rico e decente... Por decente eu quero dizer que não esteja envolvido em escândalos com a justiça... Mas eu duvido muito que você vai conseguir já que nenhum dos contatos do seu pai quer continuar ligados a ele...
— Eu prometo que vou me esforçar, vovó — Amélia prometeu porque nunca de fato teve que se esforçar para algo então ela nem sabia o que aquele verbo de fato significava.
Não muito longe dali, em uma prédio habitacional comprado por um novo rico, este novo rico, um chocolateiro chamado Willy Wonka, conversava com sua amiga Dorothy Smith
— Willy, se você quer mesmo encontrar alguém legal, você tem que deixar acontecer, não adianta nada tentar encontrar uma moça... Ou um rapaz, talvez e nunca dar uma chance para a pessoa se mostrar... Você é muito fechado e desconfiado
— Não é isso, Dotty, é só que eu sinto que eu saberei quando eu encontrar a pessoa certa... Vou sentir algo avassalador e... — Dorothy começou a rir — O que é engraçado?
— Está lendo muito romance, Willy, não é assim que as coisas funcionam na vida real... Amor a primeira vista é lindo no cinema e nas histórias, mas na vida real ele vem com o tempo, com a convivência
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Doce Mentira
FanfictionQuando a falência de sua família a coloca à beira de um casamento indesejado, Amélia Fickelgruber busca desesperadamente por um pretendente rico para salvá-la de seu destino iminente. Contra todas as probabilidades, ela encontra uma aliança improváv...
