– Se saiu melhor do que nas outras vezes. - Sadie disse rindo enquanto Millie olhava emburrada para a corda em que tentara subir mais uma vez. Fazia vários dias desde que Caleb lhes havia feito uma visita.
– Obrigada por jogar na minha cara que continuo ruim. - Millie disse cruzando os braços e fazendo um bico adorável.
– Isso leva tempo, hm? Não seja impaciente. Ninguém aprende algo que leva tempo e prática em apenas algumas vezes treinando. - Sadie disse, se jogando no chão ao sentir as gotas começarem a cair do céu. Estava abafado demais havia dias, finalmente a chuva lhe presenteou com sua unânime presença.
– Está chovendo, vamos entrar. - Millie pediu ao sentir as gotas tocarem sua pele.
– Não. Pode entrar você, eu gosto da chuva. - Sadie disse parecendo nostálgica. Millie, por ser curiosa como sempre, apenas se deitou no chão ao lado de sua esposa e tocou-lhe a mão. Algum daqueles guardas poderia estar vendo e ela não queria complicar a vida de Sadie, afinal de contas, a mesma só se casou com ela porque ela praticamente implorou.
– O que a chuva tem de tão especial?
- Millie perguntou fitando o céu, agora nublado por um cinza escuro. Nuvens carregadas avisavam que choveria, no mínimo, umas boas horas. Sadie a olhou antes de voltar a encarar o céu.– Lembro de ter esses sonhos... Esses onde minha mãe aparecia em dias de chuva enquanto eu dormia. Sempre de madrugada e eu tinha por volta dos quatro anos quando sonhava, mas parecia tão real.
– Ela te dizia algo? - Millie perguntou.
– Ela cantava para mim. - Sadie disse sorrindo genuinamente. - Só consigo lembrar dos olhos azuis, assim como os meus e de que eu perguntava por que ela não podia ficar comigo. - Falou. - Ela falava que sempre estaria comigo e eu dormia com seus carinhos e seu canto.
– Tem certeza de que... hm, de que isso foi sonho? - Millie perguntou e Sadie forçou um lábio no outro.
– Não sei, mas prefiro pensar que sim. Eu não gosto de me iludir com sonhos. - Confessou e Millie apertou sua mão em forma de conforto.
– Apesar do que você sabe sobre ela...
– Gosto de pensar que ela é ou era uma
mulher boa. - Sadie a interrompeu e Millie assentiu. A mais velha não tirava conclusões precipitadas nem mesmo de alguém que diziam ser uma prostituta e isso surpreendeu Millie. Sua esposa era melhor do que ela imaginava.– Pois bem, vamos tomar um banho e comer algo, não vou te deixar aí para ter uma gripe. - Millie disse se levantando e puxando Sadie pela mão. Sadie sorriu e apenas concordou, se levantando e tomando a mão de sua esposa entre a dela.
[...]
Os raios e trovões não deixavam Millie dormir naquela noite. Ela não era do tipo de pessoa que temia qualquer um dos dois, só estava realmente sem sono e não conseguia parar de pensar em Finn. Não era justo com Sadie isso e nem com ela mesma, e por essa razão tentava pensar em outra coisa. Qualquer coisa, desde que essa coisa lhe fizesse esquecer de Finn, afinal, já levava um mês casada.
Sentiu o braço esquerdo de Sadie ser jogado por cima dela e por um instante congelou no lugar. Pensava em se levantar e fechar as grandes cortinas, quem sabe assim os clarões dos raios não parassem de lhe tirar o sono? Mas, após o movimento de Sadie, não teria como sair dali. Pensou duas vezes em acordar sua esposa, afinal ela parecia cansada, mas optou por acordar ela mesmo assim.
– Sadie? - Disse suavemente, cutucando-lhe o braço. - Sadie? - Insistiu ao ver que Sadie não havia acordado.
– Hmm... - Respondeu ainda meio imersa no sono.
– Não consigo dormir. - Confessou temerosa de que Sadie lhe xingaria por lhe acordar apenas por isso, porque... oras, o que Sadie poderia fazer para ajudar em sua insônia? Mas, ao contrário do que pensava, os olhos azuis se abriram vagarosamente e seu braço, o qual estava por cima de Millie, puxou Millie contra seu peito. A menor prendeu a respiração pelo repentino gesto, mas tratou de relaxar ao sentir Sadie acariciando seu couro cabeludo.
O cheiro natural da pele de sua esposa era suave e bom e estar nos braços de Sadie fazia Millie se sentir segura e protegida, como se nenhum pensamento que não envolvesse Sadie pudesse invadir a barreira que seu cérebro criara por estar ali.
Seus olhos começaram a fechar e percebeu que o sono finalmente estava
chegando. O carinho de Sadie alternava entre seu couro cabeludo e suas costas, até a altura de sua escápula. Sentia um leve arrepio cada vez que a mão de Sadie acariciava suas costas e subia para sua cabeça, relando propositalmente sua nuca. Sentiu vontade de aplicar um beijo na região do pescoço de sua esposa, que cheirava tão bem e onde a pele era tão macia, mas se conteve e deixou apenas sua cabeça enfiada entre o vão do pescoço dela. Afinal, o que ela estava pensando? Beijar o pescoço de Sadie soaria como uma provocação e Millie não via Sadie com esses olhos. Nem de garotas ela sabia se gostava. Queria apenas inalar mais de perto e sentir o sabor da pele de Sadie em seus lábios, mas não de uma maneira provocativa, senão curiosa. Tudo o que queria era...Balançou a cabeça para espantar tais pensamentos. Pensar nisso só estava piorando as coisas, aumentando sua vontade e confundindo mais a garota.
– Obrigada. - Sussurrou. Pensou que Sadie já tivesse dormido de novo por não obter nenhuma resposta imediata, mas devido ao carinho que ainda recebia constatou que não. Para se ajustar melhor na posição das duas, colocou sua perna direita entre o meio das pernas de Sadie, não fazendo a mesma tocar a intimidade da outra menina, tratou de
manter tal distância.– De nada. - A voz rouca saiu baixa e meio falhada e Millie esperou Sadie reclamar do que havia feito, mas parece que a posição havia deixado a ambas mais confortáveis, já que Sadie não reclamou. Suspirou aliviada e alguns minutos depois caiu no sono, não havia resistido ao carinho de Sadie.
Por outro lado, fora Sadie quem perdera o sono. Sorria feito idiota e deu graças a Deus de estarem no escuro, assim não corria risco de Millie ver o quanto um simples abraço podia significar para ela. Ela tratava Millie com respeito, mas isso não significava que conseguia mandar no próprio coração.
E, bem, seu coração havia escolhido Millie antes mesmo de saber que se casariam, seu coração havia a escolhido meses atrás. Só esperava que aquele mesmo brilho nos olhos que sua esposa costumava ter antes voltasse, porque certamente Millie feliz era a melhor versão de Millie.
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Over the rainbow - Versão Sillie
Fanfiction[ADAPTAÇÃO] Over the rainbow é uma história romântica que se passa no século XX. A protagonista Millie Brown, contrariando as regras da aristocracia a que pertence, se apaixona por Finn Wolfhard,um camponês da classe baixa,mas sua mãe,Kelly, deseja...