O sumiço de Damien bem na frente dos seus olhos não os afetou, na verdade, apenas fez Kenny suspirar e apontar um dedo para o rosto de Cartman; sentia-se tão chapado e cansado que sua voz mal soaria ameaçadora, apenas calma e tranquila, o que tirava o poder de qualquer ameaça que pudesse vir a fazer.
— Escuta, Cartman. Você olhou no fundo dos meus olhos e disse que não usaria essa porra de maldição, que não contaria a ninguém — Os olhos vermelhos por conta do cigarro encontravam-se com as orbes heterocromáticas de Eric — Mas você cravou a porra de uma faca nas minhas costas. Escuta, mas escuta bem mesmo o que eu vou te falar: Eu jamais arriscaria a minha vida, que já não vale de merda nenhuma mesmo, em um plano onde você é um dos principais envolvidos.
Eric, por sua vez, odiava dialogar com McCormick quando ele estava chapado ou bêbado. Fica dez vezes mais insuportável e cinquenta vezes mais complicado de se convencer a qualquer coisa, nem que fosse tomar um café do outro lado da rua.
Porém, sabia que não havia agido como o melhor dos amigos na última passagem do bicho papão na cidade e, também, que aquilo havia rachado a amizade dos dois para todo o sempre; Por mais que estivesse tentando reaver o que tinham durante aqueles anos que já haviam se ido, o retorno da coisa maldita estava deixando tudo pelos ares novamente. Recordava-se vividamente do pânico e do pavor, de como ele e Kenny haviam feito a porra de um pacto de sangue, no sentido mais literal possível.
— Você não pode negar meu pedido, Kenny... Na verdade, é do Damien — Cartman, sentindo-se irritado e completamente de saco cheio, empurrou o corpo de Kenny contra a parede — E vou te mandar a real, mesmo. Ele só me pediu ajuda, porque sabe bem que eu sou a única forma de você aceitar.
O sorriso de Eric tornava-se colérico, conforme Kenny tentava sair do aperto e rangia os dentes. Visualizou a destra do outro ir para as próprias roupas e abaixar, mostrando uma enorme e fodida cicatriz em seu peito por um rápido momento antes de largar as próprias vestes. O frio era fodido demais para estender e intensificar a carga dramática do ato de Cartman.
— Não... Sai, seu merda. Não me lembra dessa porra, não tem o direito — McCormick riu de forma amarga — Você perdeu a porra do direito quando fez aquilo, lembra bem?
— Tendo ou não o direito, a gente tá conectado pela vida inteira.
Kenny bateu a própria cabeça contra a parede e começou a murmurar, logo percebendo que suas palavras também eram repetidas pelo outro.
— Se você morrer, eu morro. Se você vive, eu vivo... E meu coração e alma só verão a paz quando os dois se partirem — Recitando, com todo ardor que o ódio dentro de si poderia ter, olhava no fundo dos olhos de Eric Cartman — Morro somente com seu beneplácito e você, com o meu.
— Kenny... Você fez isso pelo Butters, para que ele não chorasse ou sofresse mais — Kenny sentiu ser largado, visualizando o outro, seu "melhor amigo" dar alguns passos para trás e o encarar, o tom não mais puto ou irritado e sim calmo — Fez porque queria parar de morrer toda merda de semana. Essa vai ser a última vez... Você morre para aquele bicho papão, eu sangro naquelas merdas e você volta.
— Você fez isso pela vida eterna seu babaca do caralho. Eu te pedi, implorei... Chorei na sua frente para que nunca usasse aqueles papéis de rituais e foi só eu morrer que estragou tudo — O loiro se aproximou novamente, empurrando-o — Dito isso, eu estarei esperando ansiosamente pela porra da sua morte. Eu quero ver com meus próprios olhos você morrendo para esse bicho papão, esse monstrengo para eu sangrar no teu caixão e você voltar, quero que saiba a dor de morrer. Seu cérebro fodido e psicopata não vai te salvar sempre.
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Padecer
FanfictionUma professora nova chegou para dar aula em South Park e ela, junto de seu enorme sorriso, parece totalmente disposta a conquistar seus alunos. Enquanto isso, diversos sumiços e acidentes passam a ocorrer, fazendo todos acharem que algum assassino e...
