O rei Augusto se vira para o príncipe Victor e o comprimento mais uma vez dizendo:
— É uma honra conhecê-lo, vossa alteza.
— A honra é toda minha, vossa majestade — responde Victor tímido com um sorriso encantador.
— Ouvi coisas muito boas a seu respeito, soube que seu povo o ama e que também é muito próximo de seus súditos, essa é uma virtude muito importante para um futuro rei.
— Eu agradeço os elogios, vossa majestade — respondeu Victor — eu acredito que a melhor maneira de motivar o povo é ouvindo suas críticas e tentar melhorar, mostrar-lhes que estamos ouvindo e olhando por eles.
— Não poderia estar mais correto — disse Augusto.
Matheus ainda encarando Victor, ergue as sobrancelhas, um tanto impaciente e ansioso. Augusto então, prossegue:
— Eu sei o quão longa foi sua viagem até nosso humilde reino, mas acredito que a situação pede sua presença, pois vossa alteza é uma peça chave para evitarmos que essa guerra terrível nos atinja.
— Eu entendo, vossa majestade, essa guerra é de uma crueldade inexplicável, não posso conceber a ideia de um líder colocar seu povo em uma situação tão aterradora, eu peço todos os dias aos deuses que proteja aqueles pobres homens e mulheres, desse destino injusto.
— Eu também, meu jovem, eu também. Por isso convoquei vossa alteza e vossa majestade seu pai aqui hoje. A princípio minha ideia se mostrava promissora, porém por questões de força maior, não se concretizaram mas, por sorte, tivemos uma luz, uma ideia que pode nos salvar do avanço da guerra sobre nossos muros, mas para que nossos desejos se realizem, é necessário que vossa alteza mantenha sua mente aberta e ouça como de boa fé, nossa estratégia para proteger nossos súditos dessa sangrenta e pavorosa guerra.
— Claro, vossa majestade — respondeu Victor firme — qualquer coisa que poupe meu povo e o de vossa majestade dessa perversidade, com certeza tem meu apoio. Mas a que estratégia, vossa majestade se refere?
— Bom — respondeu Augusto — é algo incomum e que nunca foi feito antes, mas que aumentará nossas forças exponencialmente. Entendemos que a única maneira de mostrarmos força e poderio imbatível na guerra para aguentar nossos inimigos sem a necessidade de usar nossas tropas, é a fusão de nossos reinos.
— Eu entendo, vossa majestade — responde Victor pensativo — mas pelo que sei, as únicas maneiras que conheço de uma fusão entre reinos ser valida seriam, se nós entrássemos em guerra entre nós e um de nós fosse derrotado ou então, se um casamento real acontecesse. Mas ambas as ideia são impraticáveis.
— É aí que está o ponto — respondeu Augusto — como você sabiamente mencionou, fundir nossos reinos entrando em guerra contra seu reino é impraticável, e fundir nossos reinos sem um casamento real seria considerado por outros reinos como motim e deslealdade, mas a questão é que podemos ter um casamento real, um casamento válido e que não poderia ser questionado.
— Eu peço perdão, vossa majestade— respondeu Victor confuso — mas não consigo entender, como poderia haver um casamento real, se os únicos herdeiros legítimos pela idade, somos vossa alteza seu filho, príncipe Matheus, e eu.
— Exato — respondeu Augusto — portanto, vocês poderiam... acho que sabe onde quero chegar.
Victor ficou chocado assim que sua ficha caiu, ele entendeu quase instantaneamente o que Augusto pretendia dizer. Ele olhou para seu pai, que apenas assentiu com a cabeça.
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Dois Reis
Novela JuvenilQuando a ameaça de uma guerra obriga dois jovens príncipes diferentes em tudo a se casarem, a vida não se torna mais fácil, muito pelo contrario. O que lhes resta é viverem buscando harmonia, pelo um menos um deles irá tentar.