Capítulo 10 - O final do início.

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A volta para sua casa lembrou a você da sensação que um leitor ávido tem ao terminar um dos melhores livros de sua vida

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A volta para sua casa lembrou a você da sensação que um leitor ávido tem ao terminar um dos melhores livros de sua vida.

O vazio de não saber o que vem depois.

Não foi conturbado como você imaginava, na verdade, parecia que o choque de ter algo assim acontecer com você pela primeira vez foi o bastante para os calar e fazer meditar, da parte de todos vocês três.

Você não pode deixar de notar a diferença entre as duas viagens de carro que havia recebido no mesmo dia, a maneira em que em uma você ainda podia ter o conforto de pessoas ao seu redor conversando, enquanto na outra, por mais que estivesse acordada, não se ouvia nem mesmo o som de um rádio ligado.

Era um pouco enlouquecedor, não dava para mentir. Sua preocupação com seus amigos e seus pensamentos incansáveis sobre o que diabos havia acontecido - ou estava acontecendo - em sua escola não encontraram paz em momento algum.

Como poderia, se o silêncio não era preenchido por absolutamente nada, nem no momento em que você chegou em casa?

Na verdade, seus pensamentos pareceram se tornar ainda mais férteis quando você subiu para seu quarto, agora sem seu celular e com seus pais de volta aos respectivos empregos.

Afinal, eles só haviam saído para te buscar no hospital, não podiam mais ficar em casa depois disso.

Só quem ainda parecia distrair você de suas ansiedades de vez em quando era a empregada, que estava ocupada no andar de baixo terminando de fazer a faxina. Você e ela não se falavam muito.

Pior de tudo, mesmo que quisesse, você não tinha chance de procurar seu celular, não tinha ideia de onde o aparelho poderia estar, e, até onde sabia, seus pais poderiam muito bem tê-lo levado com algum deles.

Com um suspiro, você se rendeu a deitar em sua cama, braços atrás da cabeça, apenas pensando e olhando para o teto.

Pensando é uma palavra forte, na verdade. Você estava apenas encarando o teto.

Ao que parecia, para se preocupar, sua mente era bem rápida ao trabalhar, mas para talvez achar uma solução, ela se tornava tão vaga quanto uma sala vazia.

Era como se uma TV fora do ar estivesse ligada em sua cabeça.

O melhor que você pôde fazer foi chorar um pouco para clarear a mente.

Quando seus pais voltaram de noite, a encontraram dormindo, exausta de tanto chorar.

Tentar escapar de sua casa era fora de questão, a empregada a veria, e, além do mais, você sentia que já havia causado problemas demais para seus pais.

Chorar e rezar para o bem de seus amigos foi tudo o que restava para você fazer.

Durante a noite, você pôde jurar que sentiu alguém beijando sua testa.

"...𝚅𝚎𝚛𝚖𝚎𝚕𝚑𝚘 𝚏𝚒𝚌𝚊 𝚖𝚊𝚒𝚜 𝚕𝚒𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚖 𝚟𝚘𝚌ê..."Histórias para pegar e não largar. Descubra agora