Capítulo 7 - O corpo sem olhos.

715 76 28
                                        

Eventualmente você começou a ouvir o grupo debater sobre um possível crime, algo relacionado ao incêndio, e, possivelmente, o desaparecimento de Dan, oque te levou a prestar muita atenção a conversa

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Eventualmente você começou a ouvir o grupo debater sobre um possível crime, algo relacionado ao incêndio, e, possivelmente, o desaparecimento de Dan, oque te levou a prestar muita atenção a conversa.

Mas, você se descuidou quando eles começaram a mencionaram algo ligado ao paranormal, sua curiosidade, quase que mórbida, fez com que você ficasse um pouco interessada demais e se descuidasse ao tentar se aproximar um pouco mais, esquecendo-se de sequer olhar para onde estava se esgueirando.

Infelizmente, você acabou se apoiando no lugar errado.

Você caiu de corpo todo no chão coberto de cinzas do incêndio, sujando sua roupa e alertando o trio de sua presença.

Com dor no seu braço após cair de mal jeito em cima dele e com medo após ser pega, você fechou os olhos.

Não demorou muito até que você sentisse algo frio e circular sendo pressionado contra sua testa, bem no meio, entre suas sobrancelhas.

A sensação firme e fria logo foi registrada em sua mente como metal. Circular, como o da boca do cano de uma arma.

Policiais. Eles eram policiais, não é? Policiais tinham armas e policiais investigavam crimes.

Oque você deveria fazer nessa situação? Levantar suas mãos para o alto em rendição, para mostrar que não era uma ameaça? Talvez tentar se defender com suas palavras?

De todas as possíveis reações para uma arma na cabeça, a sua reação foi congelar, você tem certeza de que nunca esteve tão imóvel em toda sua vida. De forma parecida, o barulho de seu coração batendo numa velocidade inadequada também nunca esteve tão alto em seus próprios ouvidos. Alto o bastante para te impedir de prestar atenção quando as pessoas na sua frente começaram a falar, estivessem elas falando com você ou entre si.

Diferente de mais cedo, quando sua atenção estava completamente neles.

Sua atenção foi puxada de volta para o mundo real à força quando a arma foi retirada de sua pele apenas para chocar-se contra sua cabeça mais uma vez, dessa vez com mais força, provocando uma dor de cabeça em você que, em conjunto com a dor no seu braço, ansiedade, estresse, pânico, choque e adrenalina, se tornaria sem dúvidas uma enxaqueca.

Apesar disso, você conseguiu fazer com que seus olhos abrissem, mesmo sentindo a forte dor que parecia até ter atingido mais seu crânio que sua pele em si.

"Responde, garota! Oque você pensa que está fazendo aqui?" Uma voz irritada te fez acordar para a vida.

Você recuou e respondeu rápido.

"Eu estudo aqui!" Foi a primeira coisa que veio a sua mente, você nem sequer imaginou o quanto isso poderia soar suspeito.

Naturalmente, não só a mulher como também os dois homens te olharam com uma expressão de suspeita.

"E deixa eu adivinhar-" A mulher começou, mas o ruivo a interrompeu.

"O incêndio, foi você que o causou, não foi?" Ele perguntou de forma agressiva.

"Que? Não, não fui eu. Óbvio que não." Você gaguejou pelo nervosismo, mas o olhar deles sobre você não mudou.

Foi a vez do moreno falar dessa vez.

"Você tem alguma informação pelo menos? Não sabe de nada?"

A sua primeira reação foi balançar a cabeça, já negando, mas logo lembrou de algo.

"É... Eu acho que eu sei de algo na verdade. Acontece que um menino me disse que iria vir para a escola ontem a noite, mas não sei se ele veio de verdade." Gabriel voltou a sua mente, ele poderia estar envolvido nisso, talvez. Ou pode ser também que ele não tivesse nada a ver com o acontecido.

"Só isso que você sabe? Tem certeza?"

Você simplesmente concordou com a cabeça, sem pensar duas vezes. Acreditando que poderia sair impune e que as consequências de entrar numa possível cena de crime não te alcançariam.

"E porque você sabia disso? Porque você está aqui?"

Mais perguntas vieram, e com isso suas esperanças foram completamente dizimadas.

"Ele me mandou mensagem me chamando-" Você disse e o homem moreno rapidamente fez outra pergunta.

"E porque ele te chamou?"

"Eu já ia dizer. Ele não me disse o porquê!" Você quase não deixou ele terminar, sabendo a pergunta e já com a resposta na ponta da língua.

Com o mínimo sinal de agravamento em sua voz, a arma que antes havia sido guardada, agora estava novamente apontada para sua cabeça.

"Fica calma, não fique nervosa não que aqui quem tá sendo interrogada é você, e nós somos policiais." A mulher de cabelo preto puxou o distintivo dela com a mão esquerda, a pistola ainda apoiada na mão direita, e apontada para você.

Com um pequeno suspiro trêmulo, você concordou com a cabeça.

"Eu não sei porque ele me chamou, eu estou aqui porque..." Você considerou consigo mesma se deveria falar de Dan ou não, mas antes que pudesse responder, você viu o corpo atrás deles, dentro de um saco preto com um zíper pela metade, um corpo todo ensanguentado, vermelho e desfigurado. Um corpo sem olhos.

A expressão de choque no seu rosto enquanto você olhava para trás deles e a pausa repentina na sua fala foi o bastante para que o grupo em frente a você percebesse oque estava acontecendo, oque você tinha visto.

A mulher se abaixou, se colocando em frente de você e bloqueando sua visão.

"Primeira vez vendo um corpo, é?" Ela perguntou, de forma ainda um pouco hostil, mas surpreendentemente menos agressiva.

Você simplesmente concordou com a cabeça. O pior não era nem o corpo, era a falta dos olhos dele.

Você queria vomitar, mas não tinha certeza se era pela visão horrível, pela dor de cabeça, ou pela dor incessante no seu braço, que parecia apenas ficar maior, principalmente quando você tentou se levantar e cometeu o erro de acidentalmente tentar se apoiar nele.

Foi pá-pum, você tentou mover o braço, acreditando que ele estava normal, e caiu de novo, com uma dor agora excruciante, sua mente ocupada demais com a dor para pensar direito.

Será possível mesmo que você havia quebrado o braço por uma besteira assim?

A dor fazia parecer que sim, sua visão até havia escurecido por um momento, fazendo com que você sentisse como se tivesse saído da realidade por um segundo.

"...𝚅𝚎𝚛𝚖𝚎𝚕𝚑𝚘 𝚏𝚒𝚌𝚊 𝚖𝚊𝚒𝚜 𝚕𝚒𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚖 𝚟𝚘𝚌ê..."Histórias para pegar e não largar. Descubra agora