"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito."
Fernando Pessoa
Desde que cheguei ao consultório, meus olhos não saíram do pequeno retrato na parede azul-marinho a minha frente, ao lado de um vaso enorme com algum tipo de folhagem. No retratinho a frase: "Direção é mais importante do que velocidade!", não era nenhum tipo de frase filosófica ultra impactante que, parecia querer mudar minha vida, mas me levava a refletir sobre, o lugar para o qual estava guiando minha vida e como estava fazendo isso.
— Lana Price. — A voz feminina e já envelhecida da doutora Smith soou da porta do consultório.
— E então, Lana, como tem passado? É bom te ver, fazia um tempo que não vinha, não é mesmo? — Ela perguntou-me simpática, me oferecendo um lugar confortável o suficiente para me sentar.
— Ah, muitas mudanças, precisei me organizar, antes de vir.
— Eu soube! Inclusive, meus parabéns, agora é uma agente federal, no departamento em que almejava, certo?
— Isso, finalmente. — Por um segundo me esqueci que, nada escapava dos olhos atentos da senhora Smith. Não por outro motivo era, a melhor psicóloga de Quântico.
— Quanto tempo desde que começou, no FBI?
— Quatro meses, dezenove dias, treze horas, trinta e dois minutos e cinco ou seis segundos. Não que eu esteja contanto! — Brinquei ajeitando-me no sofá, que era confortável demais, por sinal.
Ela riu, antes de dizer: — E, como tem sido, senhora agente federal?
— Ah, bem. Eu acho!
— Acha? Algo, tem te incomodado, Lana?
— Não é nada em específico. Quer dizer, só o de sempre! Mas, estar na equipe, tem me feito pensar sobre coisas... sobre, mim. Minha vida, no geral.
— Que tipo de pensamentos? Consegue, descrevê-los, para mim?
— Quando eu tinha doze anos, não era a pessoa mais popular da escola. Na verdade, passava longe disso! Eu era meio que, a esquisitona. O que não é incomum para uma criança com um QI elevado, mas, eu não queria ser "esquisita"! Entende? — A senhora Smith acenou positivamente devagar, digerindo cada palavra que saltava indiscriminadamente da minha boca.
— Eu só queria... ser, aceita? É, acho que essa é a palavra. Queria fazer parte da galera que tinha muitos amigos, queria que as pessoas quisessem estar comigo, que eu fosse interessante.
— Uma criança de doze anos com QI de 160, parece uma pessoa bem interessante para mim.
— Eu sei, quer dizer. Eu queria ser interessante para as pessoas da minha idade, com todo o respeito, doutora!
Ela riu novamente.
— Um dia, havia um grupo de meninas que, todos gostavam delas. Acho que se classificavam como as ditas "populares", todos queriam brincar com elas, conversar com elas ou, simplesmente, estar na mesma roda que a delas.
— Você, era uma destas pessoas?
— Com toda a certeza. Elas eram lindas, divertidas e estava sempre sorrindo! Eu só imaginava como deveria ser, ir a uma festa do pijama com elas ou ao parque de diversões, certamente quem estava com elas, iria se divertir muito. Então, um dia eu, tomei coragem e fui até a mesa delas, puxar assunto. Meu deus! Eu era muito desengonçada. — Fechei os olhos, tocando o espaço entre minhas sobrancelhas, enquanto me recordava claramente daquele dia.
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Vermelho Sangue (Spencer Reid)
Fiksi Penggemar𝙵𝚊𝚗𝚏𝚒𝚌 𝚍𝚎 𝙲𝚛𝚒𝚖𝚒𝚗𝚊𝚕 𝙼𝚒𝚗𝚍𝚜: 𝑸uando Lana Price ingressa na UAC (Unidade de Análise Comportamental), precisa conquistar a confiança de seus colegas e provar o seu valor como perfiladora. Enquanto luta contra os seus próprios demôni...
