O sol nasceu sobre o deserto de Zhar, banhando a Caverna das Estrelas com uma luz dourada que contrastava fortemente com as sombras da noite anterior. Dentro da caverna, a transformação de Elias estava completa. Ele, que fora um astrônomo, agora se tornara sacerdote, caminhando entre os antigos símbolos e artefatos com uma reverência que só poderia ser atribuída a um verdadeiro devoto de Kor'valis.
Meu nome é Lira, e fui atraída para este deserto por sonhos e visões que não consegui explicar. Quando encontrei Elias, sua figura já estava marcada pelos sinais do culto: o olhar fixo no horizonte e murmúrios constantes de palavras arcanas que pareciam vir de um lugar além da compreensão humana.
Elias, com uma voz que ressoava como as profundezas do cosmos, falou sobre as verdades que havia aprendido e o peso do conhecimento que agora carregava. Ele falava do eterno ciclo de nascimentos e renascimentos de Kor'valis e da inevitável repetição do alinhamento estelar que traria o ser cósmico de volta ao seu despertar.
"Você veio aqui movida pela mesma curiosidade que uma vez me guiou," disse Elias com um sorriso trágico, os olhos brilhando com uma luz que não era deste mundo. "Mas saiba que o caminho à frente é um de perda tanto quanto de descoberta. O que você busca é um sussurro nas estrelas, uma melodia que não pode ser ouvida sem sacrifício."
Ouvi suas palavras com uma fascinação e um terror indescritíveis, enquanto Elias preparava o terreno para o próximo ciclo. Ele me mostrou os rituais e os textos, os diagramas celestes e as fórmulas arcanas que usaríamos para manter o culto vivo. Juntos, ele e eu, recrutamos novos adoradores, cada um trazendo consigo uma nova peça do eterno quebra-cabeça cósmico.
À medida que o dia avançava, a caverna se enchia de sombras e sussurros, como se as paredes respirassem com a expectativa do que estava por vir. Novas figuras apareciam, cada uma atraída pelo mesmo chamado misterioso que havia me guiado até ali. Elias os recebia com um acolhimento solene, unindo-os em sua adoração compartilhada, preparando-os para o que estava por vir.
Com o sol já se pondo, sentei-me em um canto da caverna, meu coração acelerado. Agora, integrada plenamente ao culto, peguei um caderno e escrevi minhas primeiras palavras em meu diário. Documentava não apenas os ensinamentos de Elias, mas também minhas próprias visões e esperanças para o próximo alinhamento. Escrevi sobre o terror, sim, mas também sobre uma estranha beleza na ordem oculta do universo, uma sinfonia de sussurros que agora ressoava eternamente em meu coração.
"A verdade," escrevi com fervor, "é mais vasta e mais maravilhosa do que jamais poderíamos ter imaginado, e somos, todos nós, apenas notas em sua eterna música." A cada palavra que colocava no papel, sentia uma conexão mais profunda com o cosmos, como se as estrelas me observassem e aprovassem minha dedicação ao culto que se erguia em reverência a Kor'valis.
Com isso, a história de "O Sussurro das Estrelas" se fechava, deixando um eco de mistério e inevitabilidade, enquanto o ciclo se preparava para começar novamente. A Caverna das Estrelas agora pulsava com vida, não apenas como um lugar de revelação, mas como um templo onde as almas buscadoras poderiam se reunir em adoração, preparadas para ouvir os sussurros do cosmos e, quem sabe, experimentar a beleza terrível da verdade que esperava por aqueles que se atrevessem a ouvir.
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