Capítulo 15: Desconfiança

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DIA SEGUINTE

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SEGUNDA FEIRA
6:00 AM


Acordo com o barulho incessante do despertador tocando em meus ouvidos e não demora muito para que as memórias voltem a me atingir aos poucos:

Ontem mais cedo, quando Kayden acordou, ele não me deixou em paz nem sequer por um segundo. Ficou por horas falando em meu ouvido o quanto quer entrar para o time de hóquei.

Mas, apesar de ser um grande idiota, não posso negar que ele leva jeito para o esporte.

Tive que aguentá-lo por horas até vê-lo, finalmente, ir embora. Nesse meio tempo, ficamos na sala.

Em alguns momentos Davi aparecia por lá, mas sempre fingia que não me via e passava reto por mim e pelo garoto, que estava sempre ao meu lado, me acompanhando como uma maldita sombra.

Não deixei de notar seus olhares para Kayden. Seus olhos exalavam sua fúria, seus punhos sempre cerrados, como se a qualquer momento fosse dissipar toda sua raiva contida em algo, ou melhor dizendo, em alguém. E esse alguém, com certeza, seria Kayden, que o encarava com sarcasmo, sem medo algum das consequências.

Admito que, por um momento, tive medo de ele tentar algo contra Kayden. Tirando isso, agradeci mentalmente por Davi não ter trocado palavras comigo.

Por isso, no momento, minha única opção é ficar trancada no meu quarto até o anoitecer, enquanto assisto desenhos infantis, fazendo do meu dia um pouco menos pior.

Sou trazida de volta à realidade quando escuto batidas na minha porta.

Levanto da minha cama, marchando em sua direção e logo em seguida abro-a, me deparando com Davi parado logo à minha frente.

— O que você quer?

— Seus pais pediram que eu te levasse até sua escola. — responde com seriedade.

— Não precisa, sei o caminho. Posso ir sozinha, obrigada. — toco a grande porta, na tentativa de fechá-la, mas sua mão impede minha ação futura.

— Não perguntei se você sabe o caminho ou não. Arrume-se logo, não tenho o dia todo. — Davi ordena, virando-se de costas e caminhando até a escada.

— Idiota!

— Te dou vinte minutos, se passar disso irá a pé. — diz ele. — E além disso, ótimo pijama. Espero que não tenha usado um como este pra dormir com o verme do seu namoradinho.

Olho para meu próprio corpo, percebendo o pijama decotado e ridículamente curto que estava usando.

Filho da puta!

Filho da puta!

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