⚠️ DARK ROMANCE!!! ⚠️
Ele sempre esteve ali. Sempre acompanhou-me por onde eu estava. Sempre esteve à espreita, observando-me. Ele sabia. Sabia que tudo aquilo ultrapassava todos os seus próprios limites. Sabia que, todo o caos que havia trazido de...
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UMA SEMANA DEPOIS... 1: 24 AM:
Ando pelo chão frio e molhado, sentindo as pedras perfurarem os meus pés, descalços, de forma impiedosa. A dor física, no entanto, não parecia se comparar à dor da traição, que ainda fazia meu peito arder. Como se os meus ossos estivessem sendo quebrados ao meio, um por um, e cada célula do meu corpo estivesse queimando.
A raiva estava impregnada dentro de mim, e por um momento, eu não enxergava mais nada, além daquilo que eu seria capaz de fazer daqui para frente. Sinto os pingos de chuva me molhar, como se estivessem purificando minha alma e, assim, abrindo caminho para algo maior. Para uma nova versão de mim mesma. Alguém que estava presa à sete chaves e que, por anos, eu escondi. Mas também, que agora, finalmente, terá a oportunidade de se libertar da imensa prisão em que esteve por tanto tempo.
Meus olhos ardem pelas lágrimas que os inundavam. Não por tristeza, mas sim pelo peso da verdade. A verdade que eu evitei por muito tempo, por achar que, talvez, eu estivesse paranóica. Mas agora não há mais dúvidas ou divergências que escondam aquilo que, por muito tempo, foi acobertado pelos meus próprios olhos.
Uma semana. Foi o tempo que eu passei presa naquele hospício, que algumas pessoas costumam chamar de hospital psiquiátrico, apenas para amenizar o peso dos fatos. Uma semana. Também foi o tempo em que organizei cada um dos meus pensamentos e percebi que, de um jeito ou de outro, não haviam mais motivos para continuar mantendo o papel de garota boazinha e inocente, que precisa ser “protegida” sempre.
Ando descalça pela estrada, sentindo a determinação se misturar rapidamente com uma faísca de adrenalina; uma mistura que percorreu todo meu corpo. De longe, avisto minha casa. O lugar onde fui criada e, ao mesmo tempo, assassinada — de alguma forma. O lugar onde cresci e, ao mesmo tempo, fui obrigada a conviver com a dor da perda, conforme os anos foram se passando.
Respiro fundo, fechando os olhos fortemente por um breve momento. Não foi difícil conseguir acesso pela portaria, afinal, eu moro nesse condomínio desde sempre. Todos aqui dentro me conhecem, mas nenhum tem acesso total à minha vida, então não é como se soubessem que a minha própria família havia me internado, há uma semana, por influência de um maluco psicopata.
Em questão de minutos, eu já estava dentro do lugar que tanto me assombrava. Entretanto, dessa vez eu não era a presa, mas sim a caçadora. Alguém que estava faminta por respostas.
Ando pela sala, pouco me importando com o fato de que o meu rastro estava ficando marcado a cada passo que eu dava, por causa das minhas roupas molhadas. Nesse horário, todos da casa já deveriam estar dormindo. Era o que eu pensava segundos antes de ver uma pequena iluminação na varanda, ao lado da cozinha. Me aproximo silenciosamente, sentindo minhas mãos tremularem de raiva por ter certeza de quem se tratava. Quando adentrei a cozinha e vi sua silhueta alta e robusta paralisada ali, analisando a paisagem e soprando a fumaça quente do seu cigarro ao ar, senti o ódio se apossar ainda mais de mim, se é que isso é possível.