Capítulo 22: Irreconhecível

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⚠️ ATENÇÃO⚠️: O capitulo à seguir aborda temas que podem causar gatilhos. As cenas à seguir são pesadas, explícitas e violentas, por isso, caso não queira ou não tenha condições de ler, fique à vontade para pular o capítulo.

 As cenas à seguir são pesadas, explícitas e violentas, por isso, caso não queira ou não tenha condições de ler, fique à vontade para pular o capítulo

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"Oh,
estou me afastando da minha
Inocência.
Eu quero ser criança de novo.
Oh,
eu choro por isso todos os dias, isso
Tirou meu paraíso...
Oh,
estou perdendo minha Inocência..."

— Innocence, Daniel Caesar

Paramos em frente ao hospital psiquiátrico, encarando o lugar, enquanto o vento nos acertava habilmente, fazendo nossos cabelos voarem.

Seguro com firmeza um galão completamente cheio de gasolina, sorridente

— Algum de vocês têm um isqueiro? — perguntei, minha voz saiu fraca e carregada de ansiedade.

— Parece que, dessa vez, teve sorte. — Ryan tirou o objeto do bolso da sua calça, alcançando-o até mim.

Deixo o galão de gasolina no chão, pegando a maior pedra que encontrei.

Sem mais delongas, arremessei a pedra em direção à sala de vidro, onde o velho, que permite a entrada das pessoas, fica, acertando a janela, que estilhaçou-se em pedaços no mesmo instante.

Aproximei-me cautelosamente, notando a pequena sala vazia. Aproveitando a chance perfeita, apertei o botão para que os grandes portões se abrissem. Antes de adentrar, mais uma última vez, o ambiente que conheço tão bem, olhei para trás, notando tanto Maddie quanto Ryan com suas expressões confusas.

— Eu já volto. — foi a única coisa que disse.

Caminho em passos lentos em direção ao hospital, carregando comigo o galão e o isqueiro.

Adentro-o, pouco me importando com as câmeras e o fato de toda essa cena estar sendo registrada, já que a sede por vingança parece falar mais alto que o meu lado racional. A raiva dentro de mim, nesse momento, consegue ser maior que a importância da vida de qualquer pessoa aqui dentro. Pessoas que tentam matar a si próprios ou a qualquer outro maldito e pequeno ser.

Dessa vez, eu não me importarei. Não pensarei neles, e sim em mim. Pensarei no que sinto, e, principalmente, no que eu sentia enquanto aqueles loucos de merda invadiam meu quarto de noite para tentar me matar asfixiado. Nas inúmeras tentativas de abuso que sofri aqui dentro quando eu era, forçadamente, drogada. Tanto pelos profissionais, quanto pelos pacientes. Penso no que eu sentia no momento em que fui carregada a força até o carro e trazida até esse inferno. O verdadeiro inferno na terra.

Mesmo que pareça bobeira, passar 1 semana aqui dentro foi o suficiente para que as poucas coisas que ainda estivessem inteiras dentro de mim, se quebrassem. Tentei me manter forte durante 7 dias, e tudo que eu conseguia pensar em cada um deles, era no sentimento de raiva que passou a existir dentro de mim, inconsientemente.

MY DARK SIDE Histórias para pegar e não largar. Descubra agora