Quebra-Cabeça

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Apareci nas escadarias da Casa Vermelha toda suja de sangue e com a cabeça dos dois nas mãos. Enquanto isso, Demetrio conversava com Vale e os demais membros. Porém, logo ouviu alguns vampiros correndo na direção da entrada do Teatro. ele e Vale se olharam sem entender nada. do nada, ambos começaram a sentir um cheiro de sangue no ar. Demetrio correu para o salão e Vale foi logo atrás dele. Chegando lá, ambos finalmente me viram depois de todo aquele tempo.

Eu estava parada olhando todos seriamente com a cabeça dos dois humanos na minha mão. depois de alguns segundos de um silêncio mortal, finalmente dei um sorriso de sarcasmo para eles.
- olhe só quem chegou de viagem... - Demetrio falou para mim batendo palmas. - trouxe até suvenis. rs quem são esses?
- ha, esses? meus lanchinhos rsrs.
- minha senhora... - Vale falou e me cumprimentou sorridente. Ele passou a mão por meu rosto ensanguentado e depois colocou os dedos na sua boca.
- Hum... tipo O+. Meu preferido! - Vale falou e sorriu sarcástico.
Rebolo a cabeça deles em direção a Demetrio.
- livrem-se disso. - Vale falou e veio na minha direção e me abraçou. - Encantadora como sempre Senhora.
- Sem formalidades Vale. você é da família! - falei enquanto passava a mão em seu rosto sorrindo para ele.

- Bom, eu também a abraçaria mas com você desse jeito, melhor não. - Demetrio falou iro irônico e se aproximando de mim.
- rs, eu te abraço depois do banho benzinho... - falei para Demetrio devolvendo a ironia.
Sai andando na direção do meu quarto.
- Espere, eu vou com você, preciso lhe falar algo urgente e particular.
- tudo bem. vamos então.
saímos andando para o meu quarto.
- aaaii que saudade do meu quarto, da minha cama! rsrs
- É, pelo visto foi uma festa e tanto imagino eu... O que aconteceu Ligeia?
- ah aquilo? Foram apenas dois engraçadinhos que acharam interessante me subestimar sem me conhecer. Eles queriam fazer coisas indevidas comigo.
- já entendi tudo. ah seres humanos... sempre fazendo idiotices. E depois, os monstros somos nós! - Demetrio falou e colocou a mão no rosto e balançou sua cabeça em negação.
- certo Demetrio. sei que não se importa com isso então, com licença, preciso tomar um banho urgente!
Tirei tudo e fiquei nua na frente de Demetrio e fui para o banheiro.
- Espere! - Demetrio falou e se aproximou de mim. fiquei ali parada observando o que ele faria.

Demetrio parecia hipnotizado. Ele se aproximou de mim vagarosamente e passou a mão em meu rosto. e depois se aproximou mais e ficou me olhando fixamente em meus olhos. passou a língua em meu pescoço e subiu para o canto de meus lábios.
- Demetrio... o que você está... - antes que eu terminasse de falar, ele se aproximou mais e sua respiração sincronizou com a minha.
- eu... - ele sussurrou e nossos olhos se encontraram.
Cada fibra do nosso corpo gritava para que nós nos afastassemos um do outro porém, aquilo que eu temia aconteceu novamente entre nós dois. Demetrio aproximou seus lábios dos meus, e nos beijamos. começando com um beijo calmo porém quente. Aos poucos, nossa carência foi falando mais alto. estávamos nos deixando ser levados por um momento de fraqueza e desejo. nosso beijo foi ficando cada vez mais profundo. quando dei por mim, já estávamos deitados em minha cama, e ele por cima de mim enquanto nos beijávamos e nos acariciávamos.

Cada célula do meu corpo e do corpo de Demetrio gritava de desejo. porém, nós dois sabíamos que aquilo era terminantemente errado. seria um equívoco. ele rapidamente saiu de cima de mim e se afastou suspirando pesadamente. no fundo, estávamos envergonhados. se não tivéssemos em nosso último momento nos afastado, iríamos percorrer um caminho sem volta.

Quando Demetrio finalmente se afastou, estava com suas pupilas totalmente dilatadas e púrpuras. E ele também suspirava pesadamente.
- me... me desculpe Ligeia! - ele falou envergonhado.
- tudo bem. Não precisa se desculpar. nos deixamos levar.
- não. Você não entende.
- está tudo bem, não se preocupe. também foi erro meu. eu sei como se sente... estamos Aflitos e carentes. sei perfeitamente como deve ser difícil passar anos aprisionado dentro de um caixão, e quando sai para fora, seus sentidos estão incontroláveis. não se envergonhe Demetrio. eu confio em você!
- Obrigado Ligeia. Por me compreender.
- bem... eu volto já. - eu falei e assenti para ele, já indo de encontro com o banheiro.

𝕹𝖔𝖎𝖙𝖊𝖘 𝕰𝖘𝖈𝖆𝖗𝖑𝖆𝖙𝖊𝖘Onde histórias criam vida. Descubra agora