Solidão

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Um mês, havia se passado desde o atentado e morte do ancião Marius Montevalle. Adella Blecketh havia ido embora do local, já que o mesmo não havia deixado nada para ela além de dor e cinzas.

A moça estava sozinha, tentando tocar sua vida, e se acostumar a sua nova rotina. Ela estava agora, longe...estava morando em uma nova cidade distante da capital. Era uma cidadezinha pacata e tranquila, com serras que davam uma beleza e charme a própria, sem contar com o ar puro. Lá era um local perfeito para alguém que estava tentando tocar sua vida ou recomeçar do zero. E Adella estava.

Ela havia comprado um pequeno kitnet perto do centro, com o dinheiro restante de sua conta bancária criada pelo seu antigo pai e tutor. Era uma pequenina casa mas para ela, já era o suficiente. A mesma saia para trabalhar todas as tardes, como garçonete em um restaurante que ficava localizado na cidade vizinha e nos fins de semana, ela também trabalhava em uma barraquinha em um balneário da mesma cidade onde residia, matando assim seu tempo e ocupando a mente para não mais se sentir entristecida com tudo o que estava acontecendo a ela.

Ali, se preparando para começar mais um dia de trabalho, ela se ajeitou e trancou sua casa indo ao seu destino. o dia havia se passado rapidamente. Quando desceu do ônibus perto de onde morava, a mesma foi andando pela rua tranquila a noite. Então do nada ela foi abordada por dois homens em uma moto. Eles desceram e a ameaçaram de a matar caso ela não entregasse a bolsa com o seu celular e pertences. Ela ali, com ódio no olhar os olhava enquanto eles apontavam um revólver perto de sua cabeça. Ela então retirou sua relíquia e mergulhou nas sombras ágil, dilacerando rapidamente o pescoço de um, sedenta por sangue, e enquanto o outro assustado correu, ela o silenciou para sempre, arrancando seu coração fora.

O que ela não esperava, era que para seu azar, uma viatura policial ia passando fazendo sua ronda matinal naquele dito horário, bem na hora em que ela estava terminando de arrancar o coração do assaltante. Eles ali, a olharam pasmos de dentro da viatura e rapidamente desceram para a levar presa. Ela poderia facilmente matar todos eles e fugir. Mas ela não o fez, por que não queria fazer um massacre. Então o mínimo que pode fazer foi seguir com eles até a delegacia mais próxima, algemada.

Horas depois de a enterrogarem e ela falar tudo o que tinha acontecido, o delegado deu seu veredito não acreditando no que ela falava e pra piorar para a mesma, sem ter uma testemunha sequer para a ajudar. Já na manhã seguinte, ela foi transferida para o instituto penal feminino.

Para seu azar, chegando lá, ela ainda foi abordada por duas detentas que a tentaram forçar a fazer coisas asquerosas simplesmente pelo fato dela ser uma moça bonita. Adella se defendeu, deixou uma ferida e a outra, quase morta. Ela foi transferida para uma ala isolada, A famosa solitária.

Ali, tristemente ela chorou, botando toda aquela tristeza e raiva de tudo o que estava acontecendo com ela para fora, e se perguntando em que ponto de sua vida tinha dado tão errada para ela e porque.

Ali, Adella passou quatro dias e quatro noites, apenas sendo visitada pelas carcereiras para levarem a ela apenas sua comida e água. Na manhã do quinto dia, ela estava ali tranquila pois sabia que o dia e a noite seriam o mesmo e ela já não estava se importando. Havia se conformado com sua solidão, mesmo que ela não merecesse.

Já ao cair da noite, Adella estava de olhos fechados em sua cela e do nada a porta se abriu devagar. Ela estranhou aquilo pois as carcereiras só vinham as oito da noite para entregar a janta dela, e sem abrir a porta de ferro. Era entregue por uma pequena brecha. Então, do nada, a carcereira entrou e Adella ficando de pé, já começando a sentir seu corpo definhar por ter passado quatro dias sem sangue, e com luz direta da energia elétrica dia e noite na sua cela a impedindo de entrar nas sombras e desaparecer dali. A carcereira entregou a uma pequena chave mas mãos de Adella com um pedaço de papel contendo um endereço. Ela leu e mesmo sem entender ao certo onde seria aquele canto, ou o que a aguardava lá, colocou os dois no bolso de sua calça e rapidamente, ela abocanhou o pescoço da mulher e se alimentou dela que não gritou e nem deu um pio sequer por que estava hipnotizada.

Adella a deixou ali, deitada com apenas um pouquinho somente de sangue no corpo todo, para que a mulher sobrevivesse e ela então quebrou a luz artificial e mergulhou em seu darkness, indo parar de frente de sua casa. Lá, ela entrou em sua casa e tomou um banho rápido, queimou as roupas de detenta, apagou todos os seus rastros ali, pegou uma mochila com algumas roupas, dinheiro e algumas coisas que ela talvez precisasse. Pegou um táxi e pediu ao homem que a levasse ao endereço escrito no dito papel.

***

Três horas depois, Adella chega ao local. Ela pagou a viagem e o taxista seguiu seu rumo.
Adella foi deixada em frente a uma linda casa de praia, e mesmo estando a noite, ela pode ver cada detalhe dela. Tinha as paredes brancas, uma grande varanda com piso de madeira, e nas janelas, as bordas eram pintadas em azul. Lá também havia uma pequena placa com o nome do local. " Bem vindos a Morro Branco".

Ali ventava muito e a garota percebeu que estava a poucos metros do mar. Ela admirou tudo e devagar foi se aproximando da casa. Ela pegou a chave, abriu a porta e entrou devagar.
Vendo que do lado de dentro estava tudo mobiliado e com panos por cima das coisas talvez para proteger tudo da maresia, ela percebeu que não havia ninguém ali além dela.

Respirou aliviada agradecendo aos céus por aquele milagre estar acontecendo com ela. Ali naquela noite mesmo, Adella limpou tudo e ajeitou algumas coisas, muito contente por estar ali. Ela estava sentindo-se muito confortável. Já perto de amanhecer o dia, ela fechou toda a casa e fechou as cortinas e se trancou no seu novo quarto, dormindo em seguida.

Duas semanas se passaram com ela ali naquela casa. A mesma pessoa que hipnotizou a carcereira para entregar as chaves a ela, apareceu em sua casa e a entregou documentos novos, perucas para ela poder se disfarçar, e a entregou também uma boa quantidade de dinheiro em espécie, e uma relíquia solar. A pessoa era nada mais nada menos que Diana, uma compulsora mental, a mulher com quem Marius tinha algum tipo de romance, e que havia prometido a ele antes de ser morto por Jonas que sempre ajudaria a garota caso ela precisasse, e ele algum dia faltasse.

A garota a agradeceu e prometeu manter contato sempre que podesse com a mesma. Adella havia feito amizade com seu novo vizinho Pedro, este era um rapaz tranquilo que ajudou Adella a se adaptar ao clima praiano e estava sempre por perto, e com todas as outras famílias que moravam ao seu redor. Uma tarde enquanto Adella limpava a casa das poeiras que entravam por causa da ventania do local, ela se esbarrou em uma porta branca e que estava sempre trancada.

Ela tentou de todas as formas abrir com uma chave extra, ou abrir a forçando mas parecia que a porta estava emperrada por dentro. Havia alguma coisa ali que ela sentia que estava errada...

𝕹𝖔𝖎𝖙𝖊𝖘 𝕰𝖘𝖈𝖆𝖗𝖑𝖆𝖙𝖊𝖘Onde histórias criam vida. Descubra agora