De Volta

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Noite. Ela havia esperado até o anoitecer para poder ir ao seu destino. Eram exatamente sete da noite, ela de Morro Branco pegou um táxi e pediu ao motorista que a levasse até o povoado onde estava supostamente enterrado o verdadeiro Demetrio Castelly. O vilarejo estava situado na tal cidade descrita no diário em alemão.

Adella chegou com motorista exatamente três horas depois, pagou o homem e o mesmo foi embora deixando a garota na pequena ponte, a pedido dela mesma. Ela observou o local com a bolsa e diário em mãos, e uma pequena pá. Ela olhou atentamente, e percebeu que era um pequeno Vilarejo. algumas poucas casinhas do lado direito com a pista que passava bem ao lado do Alpendre das casas, e do lado esquerdo uma estrada de terra, mais a frente o Cruzeiro. e atrás do Cruzeiro, uma pequena Capela de paredes amarelas. Ela olhou cada canto cuidadosamente e como era tarde da noite vendo que talvez os moradores estivessem dormindo aquela hora, se dirigiu vagarosamente até o Cruzeiro.

Ali ela colocou os seus pertences no chão e com a pequena pa em mãos, escavou da forma que podia tentando não fazer muito barulho para não acordar as pessoas em suas casas. Algumas horas depois, ela já muito cansada estava quase desistindo pois havia feito um buraco enorme e profundo no solo, mas nenhum sinal do caixão que estava Demetrio Castelly.

Ela se sentou no chão e rebolou sua pá no solo dentro do buraco então a mesma ouviu o som que fez quando a mesma bateu em algo feito de madeira. Ela pulou para dentro do buraco e se abaixou passando as mãos pelo solo afastando a terra então ela percebeu que ali abaixo de suas mãos realmente havia algo. Novamente voltou a escavar mais um pouco e então deu de cara com um imenso caixão. Ela pegou sua pá e quebrou de cima do caixão que já corroído pelo solo e pelo tempo, rachou com facilidade.

Ali dentro do caixão havia um homem com suas vestes sujas de sangue e terra. O homem estava com sua pele acinzentada e cheio de rugas estava dissecando ao longo de todos aqueles anos que haviam se passado. Ela então fez um esforço e subiu procurando alguma coisa viva dá um pouco de seu sangue e dar ao homem do caixão. O que havia ali pertinho da igreja era apenas uma vaca. Ela pegou um pequeno copo de plástico que havia dentro de sua bolsa foi até a vaca e fazendo um pequeno corte em seu pescoço, colocou o sangue da vaca no copo e levou até o homem adormecido no caixão.

Ela derramou um pouco do sangue na boca entre aberta do homem e aos poucos, a sua pele acinzentada e seca, foi ficando hidratada e rosada. ela pode ouvir o coração dele já estava começando a bater nova vagarosamente. de repente, ele abriu os olhos de uma vez e a viu ali na sua frente. Ele assustado de uma vez sentou no caixão quebrando o restante da tampa de madeira. Ele a olhou perturbado.
- quem é você criança?
- sou Adella. Adella Blecketh.
- Blecketh? - ele a olhou espantado.
- sim. e você deve ser o lorde Demetrio Castelly estou certa?
- sim.
Ele muito sedento, a levantou suas duas mãos e pediu o copo contendo sangue. ela então o deu.

Demetrio bebeu o sangue desesperado e respirando fundo enquanto olhava para ela, pediu ajuda para se levantar um pouco enfraquecido ainda, e o ajudou a ficar de pé.
- o que aconteceu? como me achou? - Demetrio perguntou a Adella tentando assimilar tudo.
- olha Demetrio, eu achei alguns diários na minha casa e pelo que pude entender, esses diários pertencem ao tal caçador Jonas Cruz. nele estava escrito a sua verdadeira localização.
- vencemos a guerra contra meu amigo Lisandro e a última coisa que me lembro foi de Jonas e seus caçadores me pegando preso dentro desse maldito caixão e me colocando nesse buraco enquanto ele gargalhava da minha cara. ah, maldito Jonas Cruz! - Demetrio falou com raiva em seu olhar e cerrando seus punhos. - devem ter se passado anos, imagino eu.
- infelizmente sim Demetrio. já se passaram exatamente três anos depois de tudo.
- o que aconteceu mediante minha ausência Adella?
- depois que você sumiu, a Astrix enviou meu pai adotivo Marius para ser o novo ancião do Teatro Casa Vermelha, mas ele quis ficar apenas como regente até que a mesma, enviasse um novo ancião ou anciã. ele sempre me escrevia cartas me atualizando sobre toda a situação.
Eu na época, estava terminando minha faculdade em Madrid, na Espanha. ele havia me convidado para morar com ele na sua nova casa e então quando cheguei, ele me recebeu em seu novo lar.
- novo lar?
- sim. ele comprou e reformou um pequeno prédio de três andares perto do teatro Casa Vermelha e fez uma petição especial a Astrix para que eles concedessem uma nova casa mas sem o controle dos mesmos e do príncipe vampiro.
- e o que aconteceu depois?
Adella olhou Demetrio com um olhar entristecido e abaixou sua cabeça.
- por favor Adella, eu preciso saber de todos os detalhes. - Demetrio falou se aproximando vagarosamente dela.
- na mesma noite em que cheguei, fui a uma festa com meus amigos. mas meu pai me disse que talvez não fosse uma boa ideia por que lobisomens teriam feito uma espécie de aliança com os caçadores da ordem branca e estavam juntos, caçando vampiros.
Fomos e quando voltamos, já bem tarde da noite, Marius chamou a todos no terraço do prédio e nos apresentou um homem bem jovem que se chamava Demetrio Castelly.
- um farsante?!
- sim. ele se passava por você.
- me diga mais.
- ele ficou conosco no prédio por vários dias então o pior aconteceu...
- o que?
- a uns dias atrás, os caçadores da ordem branca nos atacaram silenciosamente, e enquanto nós fugiamos, meu pai ficou para trás para nos dar cobertura e foi morto por Jonas Cruz. - Adella falou e então encheu seus olhos d'água.
- eu... sinto Adella. mas você precisa ser forte.
- ah acredite Demetrio, é por ele que estou aqui. eu sabia o tempo todo que o falso Demetrio não poderia ser você, eu nunca havia visto você pessoalmente mas algo naquele não me bateu.
- como ele era?
- bom, ele era loiro, tinha os olhos azuis...
- me fale um pouco mais dele.
- ele era bem mais jovem. Aparentava ter dezessete ou dezoito anos mais ou menos. Ele tinha o corpo malhado na medida certa. O poder dele era de bolas de fogo e...
- Eric...tinha que ser. - Demetrio fechou seus olhos e respirou fundo tentando ter paciência, mas já aos poucos começando a perder.
- Eric??? quem é esse?
- uma longa história Adella. mas acredite, agradeço que tenha me despertado mas precisamos ir. te explico o resto da história no caminho.
- tudo bem, pra onde vamos então?
- eu posso? - Demetrio perguntou e a olhou de braços abertos como se a quisesse abraçar.

𝕹𝖔𝖎𝖙𝖊𝖘 𝕰𝖘𝖈𝖆𝖗𝖑𝖆𝖙𝖊𝖘Onde histórias criam vida. Descubra agora