16

11 0 0
                                    

Há uma casinha no fim de uma estrada deserta
Também há árvores pela volta
Estão em um meio termo de vivas e quase mortas
Algumas com galhos quebrados e cascas podres
Outras tem novos galhos crescendo
Dentro dessa casa tem tudo o que se teria em uma casa comum
Mas está tudo no lugar errado
A cama está no meio da cozinha
O armário de pratos fica em um quarto separado
E de resto
Está tudo revirado
Não se pode andar muitos passos sem se esbarrar nos móveis
Mesmo assim
Estou lá dentro
A porta está trancada e quase ninguém ousa pular a janela
Mesmo sendo de vidro sensíveis e fáceis de quebrar
Todos que tentaram entrar
Se cortaram gravemente
Me xingaram
Me culparam
Me odiaram
Mas a verdade é que eu nunca pedi para que tentassem entrar
Mesmo que eu não tenha muros
É impossível conseguir me tirar
De qualquer forma, eu nem quero sair
É o meu pequeno casulo
Do lado de dentro tenho minha proteção do que está fora
Aqui é seguro
Não há maldades
Não há mentiras
Ninguém pode me ferir se eu ficar aqui dentro
Não me importo de me isolar do mundo
E sequer quero que alguém tente me tirar
Não preciso de um salvador
Não estou rezando por um milagre
Eu só quero estar segura do desconhecido
Que habita fora de minha casa
Aquele que anda com lâminas mais afiadas do que espadas
Aquele que diz que é bom e me dará proteção
Foi ele que cravou espinhos em mim da última vez
Eu acreditei nele
E ele me feriu profundamente
Agora vivo a vida somente pra me proteger
Desse sentimento que é inconveniente
Não sei como sair daqui
Mas sei que eu não quero
Estou bem aqui
Protegida do mundo externo
E protegida da maldade
E consequentemente
Protegida da dor que o amor é capaz de causar.

Por Soila MullerOnde histórias criam vida. Descubra agora