Força e vontade

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"Estava lá sozinho, numa experiência sublime, enquanto a morte sussurrava em meus ouvidos mais uma vez.

É que tenho o costume de morrer demais.

Naquele dia completei meu décimo óbito da semana."

- Autor desconhecido.









Jimin estava parado olhando a anciã que com dificuldade desviou de Jungkook e Minho, em seguida ignorou o líder e ergueu a mão em sinal para que ele silenciasse, então se aproximou devagar de si até parar em sua frente.

Enquanto a pequena multidão observava a cena em silêncio, Jimin reparava na aparência chocante da anciã, a pele pálida como se não houvesse sangue em suas veias, os olhos esbranquiçados e opacos praticamente mortos, os dentes amarelos aparecendo naquele sorriso repleto de mistérios, aquela combinação macabra fazia uma sensação estranha percorrer por seu corpo.

A anciã ergueu a mão trêmula e antes de o tocar deixou Andrômeda a cheirar e reconhecer que não era uma ameaça, em seguida a levou até seu rosto enquanto Jimin apenas a observava imóvel.

Sentiu o toque gelado e encarou os olhos sem vida sem saber como agir diante daquela situação, não sentia medo ou sequer pavor, apenas certa ansiedade com a atenção estranha dada a si. Então a voz envelhecida e fraca soou baixo e pausadamente, para que apenas Jimin ouvisse:

- Sua determinação e resistência é no que deve se apegar para sobreviver ao ritual - A anciã respirou fundo buscando fôlego - Faça o que sempre fez, lute.

Ditou por fim tirando devagar a mão trêmula de sua face, em sequência se pondo a andar lentamente com o líder em seu encalço e aquela multidão que a observava.

Ao mesmo tempo em que parecia uma senhora extremamente fraca e doente, a anciã também exalava poder e imponência, gerando respeito e medo.

Jimin olhou para Jungkook e Minho que tinham um semblante de preocupação estampado nos rostos, mas sorriu tentando gerar confiança a eles e dissipar ao menos um pouco o medo que tinham, não desistiria fácil assim, não é porque tem chances de morrer que iria erguer a bandeira branca.

Lutaria por sua vida como um guerreiro, lutaria para poder passar mais momentos ao lado de Minho, lutaria para beijar Jungkook mais uma centena de vezes, lutaria para rever seus pais e sentir o conforto de estar envolto no amor deles.

Lutaria por sua vida em seu próprio nome pois merece viver mais do que ninguém, não se dedicou tanto a tudo isso para desistir e acabar assim.

Acenou para os dois, sorriu e foi atrás do líder com Andrômeda ao seu lado, afinal ainda estava às ordens dele.

- Acha que ele vai sobreviver? - Jungkook questionou sério para Minho enquanto observava Jimin se afastar com Andrômeda.

A anciã também havia tocado em si e em Minho, mas diferente de Jimin ela levou a ponta da bengala na direção do coração de ambos um de cada vez, e disse para os dois:

"Mesmo que os ventos mudem e os joguem em direção a tempestade, é obrigação de vocês persistirem até o fim da trovoada, ou tudo que conhecem será engolido pela tormenta. Entre a mágoa e a razão, a racionalidade deve prevalecer."

Ela havia apagado qualquer esperança que ainda vivia em Jungkook, mas o alfa sabia que nunca poderia desistir das batalhas que viriam, não deixaria que às pessoas que dependem de sua proteção como seu clã morram sem poder defenderem-se.

Lutaria com ou sem Jimin, mas sem ele não haveria motivos para lutar por si mesmo e iria para a batalha sem a intenção de voltar mas com a intenção de encontrá-lo, lutaria até o ver novamente.

Alfa? Alfa!Onde histórias criam vida. Descubra agora