PARCEIRO INDESEJADO

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Rodrigo observava a chuva torrencial que caía, preferindo ficar encharcado a encarar a situação desconfortável diante dele.

- Não, obrigado - disse, sem paciência, evitando olhar para Bob, que mantinha um sorriso cínico no rosto. A chuva parecia mais acolhedora.

Caio se aproximou, murmurando baixo para que só Rodrigo ouvisse:
- Não tem táxi por aqui, amigo...

Bob permanecia ali, imperturbável, seus olhos castanhos escondidos atrás de óculos escuros. O terno impecável contrastava com a atmosfera úmida e pesada da rua.

- O nosso chefe pediu - comentou Bob, levantando as mãos, como se aquilo fosse pouco relevante.

Rodrigo lançou um olhar de derrota para Caio e, sem alternativas, revirou os olhos.
- Está bem - respondeu, forçando um sorriso. Entrou no carro ao lado de Bob, enquanto Caio se acomodava no banco de trás.

O som da chuva batendo no teto do carro misturava-se ao silêncio desconfortável. Rodrigo se encolheu no banco, sentindo o frio das roupas molhadas colando-se à pele. Fechou os olhos, na esperança de que o trajeto acabasse logo.

- E então? Como está sua esposa, Chase? - perguntou Caio, inclinando-se para a frente, tentando quebrar o silêncio.

- Ótima! O bebê está quase chegando - disse Bob, com uma alegria que soava quase falsa. Ele estendeu a mão e tocou o braço de Rodrigo, forçando-o a abrir os olhos. - E parece que você também, não é, amigo?

Rodrigo apenas assentiu, sem conseguir disfarçar o desconforto.
- Sim, temos essa coincidência - respondeu, sem humor.

Caio tentou aliviar o clima.
- Crianças são sempre uma alegria. Ah, chegamos!

O carro parou em frente à enorme estrutura da agência. Três blocos de prédios imponentes, cada um com mais de trinta andares, todos protegidos por seguranças. Para Rodrigo, aquela agência representava sua habilidade em luta, mas a presença constante de Bob sabotando seus trabalhos tornava aquilo insuportável.

Rodrigo saiu do carro apressado, ansioso para se afastar de Bob. Caio o seguiu de perto, e logo um segurança lhes entregou roupas secas assim que entraram no prédio. Após trocarem de roupas no primeiro andar, ambos receberam atualizações sobre o que estava acontecendo em Nova York e subiram até o escritório do chefe.

- Senhor Malcon, se não é o meu chefe preferido! - disse Caio, entrando na sala sem cerimônia e se jogando em uma cadeira.

- Rapazes, bom trabalho em Paris - elogiou Malcon, indicando que Rodrigo se sentasse, e ele o fez.

- Obrigado, mas por que nos chamou? - Rodrigo perguntou, ansioso para voltar para casa e ficar com Mag.

- Temos um caso urgente com Bob. Vocês precisam resolver isso agora - anunciou Malcon, com seriedade.

Rodrigo se levantou, a raiva crescendo em seu peito.
- Chefe, acabamos de chegar!

- Sem desculpas. O caso é urgente, e vocês são os melhores.

- Mas, chefe... - Caio tentou intervir, mas foi interrompido.

- Agora! - Malcon foi firme, e os dois deixaram o escritório a contragosto.

Dentro do elevador, Rodrigo permanecia em silêncio, o olhar perdido, enquanto Caio evitava falar. Quando chegaram ao térreo, viram Bob esperando, encostado em um carro, com a mesma expressão de indiferença.

- Parece que já sabem das boas novas - disse ele, descontente, mas sem perder o tom sarcástico.

- Isso não é justo! Eu merecia uma folga - reclamou Caio, entrando no carro.

Rodrigo, exausto, questionou:
- Do que se trata? Tem algo que eu possa ler?

- Assalto a banco - respondeu Bob, entregando alguns papéis.

Rodrigo pegou os documentos e suspirou de cansaço.
- E por que nós temos que ir? Acabamos de resolver o caso em Paris.

- O assalto está acontecendo agora. Conseguimos interceptar as comunicações - explicou Bob, com a calma de quem parecia sempre ter controle da situação.

- Droga, temos que ir - disse Rodrigo, finalmente aceitando a situação. Ele entrou no carro, seguido por Bob.

O veículo acelerou pelas ruas, e Rodrigo tentava se concentrar, ajustando sua jaqueta e passando a mão pelos cabelos molhados. Caio, do banco de trás, perguntou casualmente:

- Você já falou com a Mag?

Rodrigo começou a procurar seu celular, mas logo percebeu que não estava com ele.
- Meu celular... Eu devo ter deixado no terno.

- Relaxe. A gente resolve isso e volta - disse Caio, tentando tranquilizá-lo.

Rodrigo, impaciente, pediu:
- Me passa o seu celular.

Caio procurou no bolso e soltou uma risada sem graça.
- Também deixei na empresa...

Rodrigo se recostou no banco, tentando focar no trabalho que os aguardava.

Quando chegaram ao banco, Rodrigo preparou sua arma, pronto para qualquer eventualidade.

- A força tática está logo atrás. Precisamos chegar antes - disse Bob, saindo do carro com tranquilidade.

Caio saiu primeiro, fingindo ser um turista, tirando fotos do prédio com uma câmera. Rodrigo o seguiu, e Bob também se misturou ao cenário, sempre controlando tudo de longe. Ao entrarem no banco, tudo estava calmo, apenas alguns clientes dispersos. Nada parecia fora do comum.

A força tática entrou logo depois, provocando pânico nos clientes e no staff. Rodrigo imediatamente interviu.

- Parem! - disse ele aos policiais.

- O que está acontecendo aqui? - perguntou Caio, confuso com a falta de ação.

- Parece que era um alarme falso - disse Bob, com indiferença, saindo do local sem dar mais explicações.

Rodrigo e Caio trocaram olhares, ainda sem entender o que estava acontecendo. Um dos policiais se aproximou.

- Senhor Rodrigo, o que faz aqui?

Rodrigo, confuso, respondeu:
- Como assim? Eu fui chamado.

- Malcon tentou te ligar desde que você saiu - disse o policial, preocupado.

Caio se aproximou.
- O que houve?

- Sua esposa... está dando à luz.

Rodrigo congelou. Ele olhou ao redor, mas o carro de Bob não estava mais lá.

- Onde está Bob? - perguntou Caio, assustado.

Rodrigo sentiu um calafrio.
- Ele foi atrás do meu filho?

O policial balançou a cabeça, confirmando seus piores medos.
- Ele sabia que sua esposa também estava em trabalho de parto.

Rodrigo entendeu tudo de uma vez. Bob havia manipulado cada detalhe.
- Ele queria me afastar do meu filho... - murmurou, aterrorizado.

Sem perder tempo, entrou no carro da polícia, seguido por Caio.
- Ligue para lá! - ordenou Rodrigo, desesperado.

Caio pegou o celular do policial e ligou para o hospital.

- Alô, eu gostaria de saber sobre uma paciente.

- Claro, qual o nome dela?

- Mag. O nome dela é Mag.

Após alguns instantes de silêncio, a resposta veio:
- Ela já está com o marido.

Rodrigo freou o carro bruscamente, o mundo ao seu redor girando.
- O quê?

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