001 | filha do prefeito

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Hoje era o dia do rodeio mais ansiado da cidade, todos estavam aqui — bom, eu quase não conseguia andar em volta do brete então quer dizer que está cheio. Fiquei rodopiando um pouco antes me enfiar no meio de umas pessoas para conseguir enxergar alguma coisa do rodeio.

Apesar de eu ser filha do prefeito (ou quase isso) ele não deixa eu ficar no camarote de jeito nenhum sem que eu tenha que pagar, tá explicado por que tem tanto dinheiro.

Se você perguntar pra qualquer pessoa da cidade quem eu sou, a resposta vai ser sempre a mesma:

"Helena, filha do prefeito."

— Só mais um gole — eu disse, levantando o copo.

Mentira.

Já fazia tempo que era "só mais um".

Eu já tava rindo de qualquer coisa. Tipo... qualquer coisa mesmo. Teve uma hora que eu comecei a rir porque um cara derrubou o chapéu e... bom, nem foi tão engraçado assim. Mas na minha cabeça? Melhor cena da noite.

Foi quando eu vi ele, uu melhor... quando ele apareceu na minha frente.

Alto, chapéu de cowboy, cara de quem tinha acabado de sair da arena. E tinha mesmo, literalmente!

— Você... — eu apontei pra ele, tentando focar — você é o do boi!

Ele riu, mas não pelo o que eu disse, e sim porque eu ri sozinha no fim da minha própria frase.

— Acho que é a melhor definição que já recebi.

Eu gostei dele na hora, tipo... na hora mesmo, mas aí ele fez a pior coisa possível.

Pegou minha garrafa.

— Chega, já deu.

— Você tá maluco? — puxei de volta — ainda nem esquentou!

Ele soltou um risinho, daqueles de quem acha que tá no controle.

— Moça, você já tá conversando com o nada e chamando de amigo.

— Tá... talvez eu estivesse.

Mas isso não vinha ao caso.

O importante era: ele NÃO ia tirar minha bebida.

— Relaxa, cowboy — eu disse, encostando nele — eu sei beber.

E aí... Deu errado — muito errado. Porque cinco minutos depois, a gente tava dividindo a garrafa.

— Isso aqui é forte — ele disse.

— Fraco. — eu respondi, já tomando mais um gole.

E quando a gente percebeu... A garrafa tava vazia.

— A gente acabou com isso agora? — ele perguntou, olhando pro fundo.

Eu dei de ombros.

— Trabalho em equipe.

A gente começou a rir igual dois idiotas.

Beijo, briga e boiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora