Eu não fazia ideia de onde estava me metendo, sério. Enquanto dirigia a caminhonete do Jake por aquelas ruas meio escuras, com ele apagado no banco do passageiro, eu só pensava em duas coisas: primeiro, como eu tinha ido parar naquela situação; segundo, em que momento exatamente eu tinha virado a pessoa responsável da história.
Spoiler: eu não gostava disso.
Olhei de relance pra ele. Cabeça encostada no banco, chapéu torto, completamente entregue ao sono e à falta de dignidade. Se alguém visse aquela cena sem contexto, jamais imaginaria que aquele era o mesmo cara que, horas antes, estava montando um boi como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
— Impressionante — murmurei — você passa de herói pra problema em menos de duas horas.
Ele resmungou alguma coisa inaudível, provavelmente em resposta, mas não acordou de verdade.
Segui o caminho que ele tinha conseguido me indicar — com dificuldade, vale dizer — até parar em frente a uma casa simples, afastada das outras. Era o tipo de lugar que deixava claro que ele realmente morava sozinho.
Desliguei o carro e suspirei.
— Chegamos.
Silêncio.
— Jake.
Nada.
Inclinei um pouco pro lado e cutuquei o braço dele.
— Jake, acorda!
Ele fez uma careta, abriu um olho... e fechou de novo.
— Não.
— Como assim "não"? — eu ri, incrédula. — Você não tem essa opção.
— Tô bem aqui — ele murmurou, sem se mexer.
— Você não vai dormir na caminhonete.
— Vou. — Ele puxou o chapéu pro rosto e cruzou os braços voltando a dormir.
— Não vai. — Cruzei os braços também.
Ele abriu os dois olhos por baixo do chapéu dessa vez, me olhando com uma expressão quase ofendida.
— Por quê?
— Porque isso é ridículo.
— Eu moro sozinho — ele respondeu, como se aquilo explicasse tudo.
Eu franzi a testa.
— E?
— E eu não vou saber me virar lá dentro.
Fiquei alguns segundos em silêncio, tentando entender se ele estava falando sério.
Ele estava.
— Você... não sabe entrar na sua própria casa?
— Não nesse estado.
Eu passei a mão no rosto, segurando o riso.
— Jake, é literalmente só abrir a porta e deitar.
— Não confio em mim — ele disse, com uma convicção impressionante.
Eu respirei fundo.
— Eu não acredito nisso.
— Eu também não — ele respondeu, tentando sentar direito — mas é verdade.
Antes que eu pudesse impedir, ele abriu a porta e desceu da caminhonete.
Ou melhor... tentou.
Porque o resultado foi um tropeço seguido de um quase-encontro com o chão.
— Cuidado! — eu saí do carro rapidamente, indo até ele.
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Beijo, briga e boi
RomanceNo meio do caos de um rodeio lotado, entre montarias, música alta e garrafas de cachaça que "acabam rápido demais", Helena - a filha do prefeito, conhecida por carregar um nome maior que a própria paciência - decide esquecer a reputação perfeita por...
