006 | Pôr do sol

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Eu estava olhando pela janela, acompanhando a estrada, quando percebi o céu mudando de cor aos poucos. Tons de rosa e laranja começaram a se misturar, pintando tudo de um jeito tão bonito que parecia até exagero. Franzi a testa, me inclinando um pouco pra frente.

— Para o carro.

Jake olhou de lado, confuso.

— O quê?

— Para o carro, Jake — repeti, já apontando pra lateral da estrada.

Ele obedeceu, meio sem entender, estacionando devagar. Assim que o carro parou, eu já estava abrindo a porta.

— Você vai ver — falei, descendo.

O ar estava mais fresco, e o céu... ainda mais bonito de fora do carro. As cores estavam mais vivas, mais intensas, como se alguém tivesse decidido caprichar naquele pôr do sol específico. Levei a mão até o celular, já abrindo a câmera.

— Isso tá perfeito — murmurei.

— Tá mesmo — Jake respondeu atrás de mim.

Eu me virei, surpresa por ele ter descido também. Ele estava encostado na caminhonete, olhando pro céu com uma expressão mais tranquila do que eu tinha visto até então.

— Eu vou tirar uma foto — falei, levantando o celular.

— Eu quero participar.

Olhei pra ele.

— Você quer sair na foto?

— Claro — respondeu, como se fosse óbvio.

Revirei os olhos, mas sorri.

— Tá bom, então vem.

Fiquei de frente pra câmera, ajustando o ângulo enquanto ele se aproximava. Quando percebi, ele já estava logo atrás de mim, próximo o suficiente pra aparecer no enquadramento sem precisar se espremer.

— Pronto? — perguntei.

— Pronto.

Olhei pra tela por um segundo. O céu colorido ao fundo, eu na frente... e ele atrás, com aquele sorriso meio torto que parecia sempre aparecer quando eu menos esperava.

Sem pensar muito, sorri também.

E tirei a foto.

Ficamos alguns segundos olhando o resultado. Eu ampliei a imagem, analisando.

— Ficou boa — comentei.

— Ficou mesmo — ele disse, inclinando um pouco pra ver melhor.

Por um instante, ficamos próximos demais, olhando a mesma tela, dividindo aquele pequeno momento como se fosse algo maior do que realmente era.

Ou talvez fosse.

— Me manda — ele pediu, se afastando um pouco.

— Eu mando.

— Promete?

— Prometo.

Ele assentiu, satisfeito, e voltou a encostar na caminhonete por um segundo, olhando o céu de novo.

— Valeu por parar — ele disse.

— Valeu por não reclamar — respondi.

Ele riu de leve.

Voltamos para o carro sem pressa. O silêncio agora não era estranho, nem pesado. Era só... tranquilo. Como se aquele pequeno desvio tivesse ajustado alguma coisa entre a gente.

Jake ligou o carro e retomou o caminho. Eu fiquei mexendo no celular por alguns segundos antes de abrir a foto de novo. Sorri sem perceber.

— Já mandei — falei, sem olhar pra ele.

Beijo, briga e boiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora