Eu acordei com a certeza de uma coisa: Eu nunca mais ia beber na minha vida.
Meu olho nem tinha aberto direito quando eu senti o mundo girar. Minha cabeça parecia um tambor de escola de samba, minha boca tava seca igual deserto e—
— Ai, meu Deus...
Levantei rápido demais. Corri pro banheiro tropeçando em tudo que existia no caminho e—
Pronto. Lá estava eu, abraçada com o vaso.
— Eu mereço... — murmurei, entre uma pausa e outra.
Fiquei ali uns bons minutos, repensando todas as minhas escolhas de vida.
Principalmente a parte da cachaça. Principalmente a parte do Jake. Principalmente a parte... da PORTA.
— A PORTA! — eu falei sozinha, lembrando de tudo de uma vez.
Eu queria desaparecer. Tipo, sumir da cidade.
Saí do banheiro me arrastando, com a dignidade deixada oficialmente no dia anterior. Me joguei na cama... e encarei o teto.
Cinco segundos depois:
— Eu nunca mais vou sair de casa.
Mais cinco segundos:
— Eu vou morrer solteira.
Mais três segundos:
— Eu preciso do telefone dele.
Sentei na cama rápido demais, me arrependi na hora.
— Ai, minha cabeça...
Peguei o celular com a visão meio embaçada e desbloqueei. Demorei mais do que o normal... mas consegui.
E lá estava.
"Jake 🐂"
Ele colocou o emoji de boi.
— Idiota — murmurei, jogando o celular do lado.
Silêncio.
Dois segundos depois, peguei de novo.
"Você tá vivo?"
Enviei.
Joguei o celular longe como se tivesse feito a coisa mais absurda do mundo.
— Eu sou ridícula.
Fechei os olhos.
E, por algum milagre, dormi de novo.
Acordei horas depois. Muito melhor, tipo... 40% melhor. O que já era uma vitória.
Levantei devagar, tomei um banho longo (quase terapêutico) e tentei não pensar no desastre da noite passada.
Não funcionou, principalmente quando eu passei pela porta de casa.
— Eu vou fingir que isso nunca aconteceu.
— Difícil — a voz do meu pai veio da sala.
Ele tava sentado, tranquilo, como se não tivesse presenciado o maior vexame da história da cidade.
— Bom dia — eu disse, tentando parecer normal.
— Pra você? Não sei.
Justo.
— Eu tava... — comecei.
— Não precisa explicar — ele interrompeu — eu vi tudo. Quem era o rapaz?
— Jake — respondi.
— O do boi?
Eu olhei pra ele, surpresa.
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Beijo, briga e boi
RomanceNo meio do caos de um rodeio lotado, entre montarias, música alta e garrafas de cachaça que "acabam rápido demais", Helena - a filha do prefeito, conhecida por carregar um nome maior que a própria paciência - decide esquecer a reputação perfeita por...
