002 | beijo, bagunça e zero coordenação

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Eu acordei com a certeza de uma coisa: Eu nunca mais ia beber na minha vida.

Meu olho nem tinha aberto direito quando eu senti o mundo girar. Minha cabeça parecia um tambor de escola de samba, minha boca tava seca igual deserto e—

— Ai, meu Deus...

Levantei rápido demais. Corri pro banheiro tropeçando em tudo que existia no caminho e—

Pronto. Lá estava eu, abraçada com o vaso.

— Eu mereço... — murmurei, entre uma pausa e outra.

Fiquei ali uns bons minutos, repensando todas as minhas escolhas de vida.

Principalmente a parte da cachaça. Principalmente a parte do Jake. Principalmente a parte... da PORTA.

— A PORTA! — eu falei sozinha, lembrando de tudo de uma vez.

Eu queria desaparecer. Tipo, sumir da cidade.

Saí do banheiro me arrastando, com a dignidade deixada oficialmente no dia anterior. Me joguei na cama... e encarei o teto.

Cinco segundos depois:

— Eu nunca mais vou sair de casa.

Mais cinco segundos:

— Eu vou morrer solteira.

Mais três segundos:

— Eu preciso do telefone dele.

Sentei na cama rápido demais, me arrependi na hora.

— Ai, minha cabeça...

Peguei o celular com a visão meio embaçada e desbloqueei. Demorei mais do que o normal... mas consegui.

E lá estava.

"Jake 🐂"

Ele colocou o emoji de boi.

— Idiota — murmurei, jogando o celular do lado.

Silêncio.

Dois segundos depois, peguei de novo.

"Você tá vivo?"

Enviei.

Joguei o celular longe como se tivesse feito a coisa mais absurda do mundo.

— Eu sou ridícula.

Fechei os olhos.

E, por algum milagre, dormi de novo.

Acordei horas depois. Muito melhor, tipo... 40% melhor. O que já era uma vitória.

Levantei devagar, tomei um banho longo (quase terapêutico) e tentei não pensar no desastre da noite passada.

Não funcionou, principalmente quando eu passei pela porta de casa.

— Eu vou fingir que isso nunca aconteceu.

— Difícil — a voz do meu pai veio da sala.

Ele tava sentado, tranquilo, como se não tivesse presenciado o maior vexame da história da cidade.

— Bom dia — eu disse, tentando parecer normal.

— Pra você? Não sei.

Justo.

— Eu tava... — comecei.

— Não precisa explicar — ele interrompeu — eu vi tudo. Quem era o rapaz?

— Jake — respondi.

— O do boi?

Eu olhei pra ele, surpresa.

Beijo, briga e boiOnde histórias criam vida. Descubra agora