Chapter 27 - αναγνωρίσει

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Lauren Jauregui POV

"Um dia após o outro", é o que as pessoas dizem quando algo dá errado, geralmente.

O grande problema é que nunca te contam o quanto dói precisar lidar com o tempo que gastamos para compreender o que nos machucou. Nunca - e quando eu digo "nunca", é nunca mesmo - se é mencionada a tortura psicológica de ficar olhando para o tempo em completa paralisia, como se fôssemos incapazes de acompanhar o andamento da vida comum.

Quando o corpo passa por uma situação de extremo estresse ou tristeza, o cérebro humano tende a liberar substâncias para restringir o "problema". O cortisol e a adrenalina são duas dessas substâncias, mas são opostos em suas funções. Por fora, eu estava tão calada e monótona quanto uma estátua, encarando pontos fixos nas paredes em busca de algo que me levasse até as memórias boas que eu pudesse ter. Por dentro, eu me sentia gritando, rasgando minha própria pele em completo desespero.

Ela acabou comigo. De dentro para fora.

Eu não enxergava as cores como deveria, e, por isso, eu achava que tudo estava meio acinzentado. Pode parecer extremamente cinematográfico e irrealista, levando em consideração que uma descrição dessas estaria em qualquer filme romântico dos anos 2000, mas era completamente real. Acredito que sentimentos tenham cores, e a melancolia, quando sobreposta pela tristeza excessiva, tem a cor pálida e cinza.

Às vezes, em determinados momentos em que eu somente ouvia o barulho da minha saliva sendo engolida e da chuva do lado de fora por longos e longos minutos, eu passava a acreditar que estava morta. Quero dizer, eu não me sentia viva... ou qualquer coisa que significasse "estar vivo" em termos filosóficos. A dor se emaranhava e construía sua casa dentro do meu peito, me aterrorizando como se cortasse meu coração deliberadamente.

Eu não sabia como era morrer, mas esperava que fosse melhor que aquilo.

Era domingo, dia vinte e sete de novembro; quatro dias depois de Camila terminar comigo e três dias desde que fui expulsa do Olimpo. Não saí do quarto para nada desde que faltei aula na sexta-feira, e o fato de eu precisar esconder dos meus pais o que houve me doeu mais que o normal. Aparentemente, eu não descer para comer em momento algum por dias seguidas era algo muito ruim.

Contar aos meus pais não era uma opção muito boa, visto que, apesar de tudo, Camila ainda era dona-herdeira da empresa em que papai trabalhava. Eu não queria ser pivô de briga, é claro; principalmente levando em consideração o quão pai-protetor ele poderia ser. Eu nunca havia me apaixonado antes, e tampouco tinha sofrido por amor - pelo menos não que eu me lembrasse.

Sinceramente, depois de tudo, eu não duvidaria de uma possível demissão por parte dela em relação ao meu pai.

Além disso, eu passava a maior parte do meu tempo dormindo. Quando eu não estava dormindo, estava chorando ou vendo a chuva cair incessantemente. Aprendi a ignorar as mensagens de mau gosto na plataforma da Hybris - em que, incrivelmente, eu tinha descido dois níveis. Agora, a palavra "Notorius" brilhava novamente em um alaranjado bem abaixo da minha foto de perfil, denunciando meu novo nível.

O que mais me surpreendia naquilo tudo é que, mesmo com um nível abaixo do esperado para se estar na equipe, eu não fui expulsa das CashCats. Fiquei sabendo disso por mensagem, na verdade, já que eu resolvi faltar na sexta-feira. Apesar de receber centenas de mensagens e comentários em meu mural da Hybris - a grande maioria com maldade ou apenas curiosidade -, as garotas vieram me tranquilizar sobre tudo o que aconteceu enquanto estive fora.

Pelo que pude saber, o treino de sexta-feira transcorreu tranquilamente, e as garotas receberam a responsabilidade de me avisar para não faltar mais aos treinos e às aulas. Mesmo que eu estivesse feliz por não ter sido expulsa de completamente tudo, o fardo de precisar dividir um bom período de tempo com Camila já começava a me pesar os ombros.

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