Dias de terror - parte 2

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    POV Autora


Todos estavam exaustos, não dormiam direito desde que ligaram avisando que Freen havia sido encontrada desacordada no estacionamento do shopping e que Becky estava desaparecida. Distribuíram-se nos quartos da casa, ninguém queria deixá-la naquele momento, a morena precisaria do conforto dos amigos.

Freen entrou em seu quarto e o cheiro de Becky tomou conta de seus sentidos. Ali, sozinha, no refúgio das duas deixou seus muros desabarem, jogou-se sobre a cama, abraçou o travesseiro da esposa e deu vasão às lágrimas. Nunca imaginou que pudesse sofrer tanto na vida, mas aquela incerteza de como ela estaria a destruía por dentro.

A única coisa que lhe tranquilizava era o fato de Patrick ser amigo de Troye e estar bastante empenhado no caso do sumiço de Becky. O próprio amigo não saia de perto do detetive, acompanhando-o até mesmo na delegacia, com esperança de descobrirem algo.

Chorou até suas forças se esvaírem e acabou adormecendo, vencida pelo cansaço. Seu sono estava totalmente agitado. Debatia-se na cama e chamava por Becky. Em seu sonho a latina pedia socorro, mas não conseguia encontra-la, desesperando-se. Acordou assustada, com o rosto banhado em lágrimas. Tremia pelo nervosismo que o sonho lhe acendera.

Olhou o relógio e recém eram duas da madrugada. Sem conseguir se controlar resolveu tomar um banho para tentar relaxar. Tirou a roupa que ainda vestia e se mirou no espelho, logo enxergando a mancha arroxeada em seu ombro deixada por Becky no momento que tiveram juntas na sala desta.

Sentiu mais uma vez os olhos arderem, pelas lembranças que vinham sem freios em sua mente. Ligou o chuveiro e entrou embaixo sem pensar duas vezes, mal conseguia sentir a água fria que escorria por seu corpo. Ficou por um tempo ali sob a água e quando as lágrimas secaram resolveu sair do banho e colocar uma roupa confortável.

Vestiu-se e foi até a cozinha tomar um copo de água. Todas suas ações faziam-na lembrar-se de Becky e questionar como ela estaria e se ao menos estavam lhe fornecendo o mínimo. Isso doía como se estivessem cravando uma faca diretamente em seu coração.

Soltou o copo na pia e virou-se distraída com seus pensamentos, não havia reparado na Faye que a observava de forma preocupada da porta. Seus olhos transmitiam conforto e sem pensar duas vezes Freen se jogou em seus braços, estava precisando de carinho e não ia recusar o que a amiga estava oferecendo.

- Será que ela está bem, Fa? – sussurrou apoiada na amiga.

- Espero sinceramente que esteja, Saro. A Becky é mais forte do que parece.

- Eu sei que é, mas eu preferiria que eu estivesse no lugar dela. Não sei o que farei se fizerem algum mal a ela.

- Ninguém vai fazer nada com ela. Ninguém ousaria mexer com a minha anã, sem sofrer as consequências da minha fúria. – falou brava e Freen não pode deixar de sorrir diante daquela declaração inusitada da outra.

(...) 

Seu corpo doía por inteiro. Já fazia muito tempo que estava sentada amarrada naquela mesma posição. Estava com fome e com sede. Tinha algum tempo que nenhum daqueles homens entrava no local onde estava. Começava a achar que tinha sido abandonada ali para morrer.

Sua mente voou para seus filhos e pela notícia da morte da esposa. Seus olhos mais uma vez encheram-se de lágrimas, mas evitou chorar. Não podia gastar as poucas energias que lhe restavam.

Tentou desesperadamente se soltar, mas estava bem presa pelas fitas que rodeavam seus braços e pernas. Seu rosto ainda doía e a boca latejava, em razão do corte que ganhou junto com a bofetada. Decidiu gritar mais uma vez por socorro, pelo menos saberia se estava sozinha ou não. Não demorou muito e o grandalhão que lhe batera entrou na sala esbravejando.

Abismo - Freenbecky g'pOnde histórias criam vida. Descubra agora