Capítulo 99
Dulce desceu com a filha até a sala, vendo Samay sentada no sofá, apertando repetidas vezes a bola pequena, que fora dada pelo fisioterapeuta.
— Como estão essas mãozinhas de anjo? – a morena brincou, sorrindo para a senhora.
— Melhorando muito, menina. – Samay parou os movimentos. – Christopher saiu agora com a Remedios.
— Ele estava no quarto comigo. – sentou-se ao lado da senhora. – Mas agora achei melhor descer, senão terminaria dormindo com essa danada, e aí depois é só pó de mim durante a noite.
— Ela se comportou, dessa vez. – inclinou o corpo e mirou a menina. – Chorou pouco.
— Queria peito. – sorriu ao comentar. – E no final das contas, terminamos os três dormindo na cadeira.
— Você está melhor, minha querida? – levantou os olhos para a morena.
— Estamos. Os dois. – disse suave, e a senhora apenas assentiu. – Você é como uma mãe para o Alex, sabia disso, não é?
— Eu o amo como um filho. – disse firme. – Mas ele sabe que tem uma mãe.
— Mãe é quem cria, Sama. – rebateu. – Confie em mim, sei do que falo.
— Querida... – sussurrou.
— Essa coisa de sangue é só um detalhe. – mirou a filha. – Não adianta amar com as palavras, é preciso amar com atitudes.
— Menina Dulce. – disse, mas a morena não a olhou. – Menina...
— Hm? – não tirou os olhos da filha.
— Menina Dulce. – tocou-lhe o rosto.
— Estou bem. – adiantou-se.
— Sei que a Remedios conversou com o seu pai durante um bom tempo. – disse, e a morena desviou o olhar. – Talvez você pudesse fazer o mesmo.
— Não agora, Sama. – então desvencilhou-se dela. – Não estou com o coração aberto para isso.
— Está bem. – inclinou-se e lhe beijou o rosto. – Se você precisar de um colo de mãe, eu empresto o meu. Faço com você o mesmo que está fazendo com a Marifer agora.
— Você é incrível. – deitou a cabeça no ombro dela. – Com você e a Reme por perto, eu tenho a dupla de mães mais incrível do mundo todo!
— Essa dupla de velhas ama você! – brincou, e a morena riu baixo.
— Eu amo vocês também. – olho-a de soslaio. – São as minhas velhas favoritas, tá?
— Ora, menina Dulce! – fingiu estar brava. – Não era para você concordar!
— FAMÍLIA! – Lucía abriu a porta da sala. – CHEGUEI!
— Cinco horas depois do combinado. – Dulce arqueou as sobrancelhas. – Né?
— Ai, Mary, não seja amarga! – correu até o banheiro.
— Lucía! – Dulce disse alto. – Volte aqui! – bufou. – Essa filha da mãe chega horas depois e ainda ignora todo mundo.
— De certo vai querer comer. – a senhora deduziu. – Menina Lucía, eu esquento o seu almoço!
— NÃO PRECISA! – a morena respondeu aos gritos. – AINDA É CEDO!
— Eu falei com essa danada às sete da manhã, Sama. – Dulce mirou a senhora. – Já passa do meio-dia. Tenho certeza que esse atraso tem nome e sobrenome! – disse mais alto. – Nome e sobrenome!

VOCÊ ESTÁ LENDO
Jogada Política - Parte II
RomansaSe tanto a queriam, ela estava ali. E permaneceria, não por gosto ou escolha, mas por uma necessidade inerente ao próprio caminho. Se tanto haviam desejado uma nova rainha, agora eles a tinham. Doce, mundo doce àquele do tráfico e da política. Do...