A última brisa

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Acordar nos braços da pessoa a quem os seus sentimentos pertencem é, sem dúvida, uma das coisas mais confortáveis que poderia existir. Apesar de ter descoberto isso recentemente, HyunJin já estava fascinado.

Fosse em meio à madrugada ou entre cochilos durante a tarde, dormir aconchegado contra Yang Jeongin era uma das melhores sensações que Hwang poderia experimentar; nada no mundo se comparava a dormir e acordar entre os braços do seu Solari, receber o seu cafuné, os seus beijos amorosos e inalar o seu cheiro agradável de Peônias. Mais de uma vez se viu pensando no quanto adoraria tê-lo deitado dessa forma entre os lençóis escuros da sua cama no Palácio das Trevas, mas sempre se esforçava para lembrar que isto era impossível, uma vez que Jeongin já havia deixado bem claro que nunca iria consigo para o Reino das Trevas.

O odiava por ter mexido com a sua cabeça ao ponto de fazê-lo criar cenários imaginários impossíveis de acontecer.

Mas odiava ainda mais aquele que se auto-denominava chefe de Yang Jeongin, porque graças aos afazeres excessivos e exaustivos encarregados a ele, na última semana quase não se viram, apenas em curtos intervalos entre o início da madrugada e o nascer do sol, o que significava que os cochilos em casal não vinham acontecendo desde então.

O relógio havia virado o maior inimigo de Jeongin e cada minuto longe do seu cárcere contava.

Foi por isso que ao conseguir uma brecha para escapar durante a tarde, o loiro optou por não descansar, mas sim aproveitar o tempo para lavar as roupas sujas que estavam acumuladas, já que não sabia quando teria a chance de escapar nesse horário novamente.

HyunJin não gostou nada disso — era notável o quão exausto o Solari estava —, mas aparentemente a sua opinião não importava nem um pouco, já que Jeongin apenas o arrastou junto consigo para o rio que corria atrás da casa. Era lá que estavam nesse exato momento.

O Yang estava agachado ao lado de algumas rochas e esfregava uma camisa entre as suas mãos; Em contrapartida, a menos de dois metros de distância, o Hwang balançava os pés dentro d'água, sentado na ponta da margem.

Para HyunJin, aquilo era tão monótono que mais se parecia com algum tipo de tortura tediosa.

— Mais cinco minutos aqui e explodirei de tédio... — HyunJin resmungou. — Lavar roupas é tão chato! Se viesse para o meu reino comigo, nunca mais precisaria fazer isso.

— Mas não lavo roupas com frequência, então não é algo que me incomoda.

— Tsc! Você também é tão chato! — fez biquinho, mas semicerrou os olhos antes de encará-lo. — E além do mais, não me esqueci que foi nesse rio que afundou a minha preciosa armadura.

— Por que não mergulha para procurá-la? — perguntou sarcástico.

— Não sei nadar muito bem, ou eu realmente iria! — empinou o nariz. — A propósito, como conseguiu trazer a minha armadura até aqui? Ela era extremamente pesada!

— Eu não sou tão fraco assim, Hyun — revirou os olhos e jogou a camisa na bacia de roupas recém-lavadas, pegando outra suja no cesto ao lado. — Não se esqueça que quando te encontrei, carreguei você ainda dentro da armadura.

— Você poderia usar a sua força para outras coisas, não para dar um fim na minha preciosa armadura, não acha? — dramatizou, fazendo o Yang revirar os olhos mais uma vez. — A minha pobrezinha está no fundo do rio agora...

Fazia pouco mais de duas semanas desde que havia descoberto o trágico fim da sua armadura, mas mesmo após tantos dias, ainda não havia conseguido aceitar o fato de que existia um feiticeiro forte ao ponto de estragar uma armadura daquele porte com uma única arma. Tinha certeza de que possuía alguma incógnita nesta história, mas também sabia que não descobriria até estar em seu Palácio, onde poderia investigar tudo o que havia acontecido durante a sua ausência.

O Traidor | HyuninOnde histórias criam vida. Descubra agora