O Reino da Lua

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O nascer do sol em Archer, capital do Reino das Trevas, não era o mais belo de todos — a junção entre o alvorecer e a paisagem morta era peculiar —, mas tampouco era o mais feio; ainda podia ser admirado através dos olhos certos.

O Rei Hwang gostava de contemplar o nascer do sol após as suas noites em claro — algo na beleza sombria do Reino das Trevas o tranquilizava —, e hoje não havia sido diferente. Tivera uma noite conturbada depois de seu retorno ao Palácio das Trevas, e nem mesmo o cansaço de um dia e meio de viagem havia conseguido o apagar. O motivo era o homem alocado no cômodo ao lado do seu, que se alojara em seus pensamentos e não parecia fazer questão alguma de sair.

O Rei Hwang e o Feiticeiro Yang haviam chegado ao reino ao anoitecer do dia anterior, mas o Solari estava tão exausto, física e emocionalmente, que pediu para passar a noite sozinho. A princípio, HyunJin não havia aprovado essa ideia, mas sabia que Jeongin precisava de seu próprio tempo para digerir tudo o que estava acontecendo, e, por isso, cedeu o quarto ao lado do seu para que ele pudesse descansar.

Pensou que seria algo simples, afinal, apenas dormiriam em quartos separados, mas a realidade estava sendo bem diferente.

Desde o momento em que se despediram para adentrarem seus respectivos quartos, Hwang se encontrava surtando por não estar ao seu lado. Pensava nas diversas situações  possíveis envolvendo seu Jeongin, desde o provável medo de estar em um lugar desconhecido até o peso da culpa de ter fugido de seu reino, mas não havia nada que pudesse fazer quanto a isso.

Estava tão preocupado que passou a noite inteira rondando o corredor para verificar se estava tudo realmente bem.

Foi assim até o relógio do quarto disparar pela manhã, anunciando que um novo dia havia oficialmente se iniciado.

Como havia passado a noite preocupado com o café da manhã e com as roupas que o Solari usaria durante sua estadia no Reino das Trevas, seu primeiro ato do dia fora seguir diretamente para a sala do desjejum, onde certamente encontraria o mordomo do Palácio, o homem responsável por manter a residência real organizada. Ele sempre o esperava pela manhã para repassar os afazeres do dia.

Assim que adentrou a sala do desjejum, viu todos os servos, incluindo o mordomo, se curvarem em respeito à sua presença. Cumprimentou-os com um breve aceno de cabeça, mas caminhou em direção ao homem de uniforme roxo, que divergia dos outros uniformes do palácio.

— Senhor Jinyoung — chamou ao parar em sua frente, recebendo sua atenção. — Preciso dos seus serviços.

— Do que gostaria, Vossa Majestade?

— Você deve ter visto que trouxe alguém comigo para o palácio... — começou, vendo-o concordar; havia sido ele a recepcioná-los quando chegaram ao palácio na noite anterior. — Ele está hospedado no quarto adjacente ao meu. Por favor, prepare uma bandeja de café da manhã e entregue a ele.

— Como deseja o café da manhã, Senhor?

— O melhor que você puder organizar — disse, olhando para a mesa farta. Não estava com fome, então não se sentaria para comer. — Se qualquer pessoa me procurar hoje, não importa quem seja, diga que não estou disponível. Não quero ser incomodado por ninguém, a menos que seja o General Seo.

O homem assentiu.

— Mais alguma coisa, Majestade?

— A princípio, não. Obrigado.

O mordomo se curvou, sinalizando para os servos que esperavam por suas ordens.

Um assunto havia sido resolvido, agora precisava resolver o outro.

O Traidor | HyuninOnde histórias criam vida. Descubra agora