Capitulo 2 - Um sonho

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Ter saído daquele escritório, depois daquela conversa tão frívola... Me deixou muito desconfortável. Aqueles flertes não saiam da minha mente, enquanto que meu foco se afastava do meu trabalho. Um encontro? Quem em sã consciência pediria para um jovem de dezesseis anos sair num encontro? Isso não era só errado, mas me incomoda. O simples fato de achar que tudo isso não é mera coincidência me deixava deslocado do que eu deveria estar fazendo agora... Quase como se eu assumisse um papel que não era meu. Preferi focar no meu serviço enquanto procurava afastar qualquer pensamento impróprio da minha mente sobre aquela conversa que eu tive com a senhorita Diana.

Passado bastante tempo, na verdade uma tarde inteira jogada no lixo, somente trabalhando com a terra e o cimento da construção para garantir que o serviço termine no prazo, finalmente o horário do expediente terminou e todos nós pudemos sair do trabalho para nossas casas... Mas é claro que eu não iria sem ter o saco enchido pelo chato, e ao mesmo tempo despojado Homero Alabama, com aquele sorriso travesso de quem acabou de ver um milagre.

- Reparei no seu esquema, cachorrão. - O desgraçado me assustou, num impulso eu me virei, dando um tapão no rosto musculoso daquele homem, a marca das minhas mãos grossas chamuscam sua pele alva como a neve. Claro que ele reclamou.

- Oh seu filho da puta! Não me assuste assim! - Eu falei isso instintivamente, mas eu não queria ter dado esse tapão nele.

- Te assustei?! Você que estava distraído, viajando na maionese enquanto eu estou te chamando à muito tempo!

 - Há muito tempo onde, seu pau no cu?! - Estava irritado, mas ainda assim fiquei curioso sobre o que ele disse mais cedo - E o que você disse de esquema? Que esquema?!

- Estou falando das gatinhas meu consagrado! Eu vi você de papinho com uma do seu lado. Loira, corpão violão! Parecia até uma Barbie.

- Quê?! Se liga! Eu já tenho namorada! Até parece que eu iria num encontro com ela apenas para jantar! - Isso tirado de contexto dá uma cadeia... Eu acho que preciso melhorar com as palavras.

- Não foi o babado que eu ouvi ali, você até aceitou ir num encontro com a cremosa - Meu Deus... que situação em que eu fui me enfiar?

- Quem foi que te contou?

- Eu tenho meus contatos, meu caro... Se você não conta, tem quem conta! - Ouvir ele dizendo isso me lembrou do senso de urgência e cuidado que eu estava tentando recuperar desde aquela conversinha mole da senhorita Diana, e saber disso me fez lembrar que eu estou muito ferrado - E aí quem é a mina?

- Uma tal de Diana - Respondi muito hesitante. Sabia que isso poderia comprometer muito a minha situação e que todo o cuidado era pouco, principalmente considerando a situação em que eu estava. Eu não queria ter respondido o nome da mulher que me chamou para sair... E é claro que eu estava esperando sua reação.

- Ah sim, você está falando da... espera aí... O QUÊ?!!

- Shhh!! Não grita seu idiota! Vai chamar atenção dos outros! - Disse em um grito contido, colocava as minhas mãos calejadas em sua boca, impedindo-o de falar - E sim! Esse é o nome dessa mulher!

- Caralho, você é um sortudo da porra! Ela é a mina mais cobiçada de Crystal Bale e é a chefe da filial da Nova Company, uma empresa que lida com engenharia e arquitetura. Como diabos você trombou com ela?

- E eu vou lá saber?! Eu só a vi cair enquanto eu estava comendo minha marmita e eu percebi que ela estava sem seus óculos... Se ela é a chefe, devia ter pelo menos um plano em uma ótica por aí! - Respondi com a mesma delicadeza de um cacto espinhoso.

- É, acredito... Mas se você for realmente num encontro com ela, aqui vai alguns conselhos de ouro do Bodão Fodão dos doutorados das cantadas encantadoras - "Meu Deus... que coisa mais idiota..." pensei, esperando algum conselho útil desse idiota.

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