Capitulo 1 - Yudi

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O que é que eu estou fazendo aqui?... Em um dia claro como esse que estou aqui, trabalhando em um canteiro de obras.

É um lugar sujo, terra em tons alaranjados e areia. O sol escaldante queimava os ombros largos demais para a minha baixa estatura. Enquanto eu era castigado pelo peso do cimento que carregava em minhas costas

A paisagem da construção era carregada de cores quentes, e ao mesmo tempo descoloridas, graças aos trabalhadores igualmente cansados de tanto trabalharem naquela que buscava ser a mais ambiciosa das obras.

Mas eu não me importo nem um pouco com a obra, nem ao menos quis trabalhar nela... Alias... Eu nem devia estar aqui, me matando de trabalhar todos os dias para ganhar uma merreca de salário.

Minha vida até aqui havia dado uma guinada de cento e oitenta graus. De um menino rico, acabei me tornando um pária da sociedade. Tive que amadurecer muito cedo pois eu fugi... quando havia perdido aquele que havia me dado muito.

Estou exausto... Sujo de terra, cimento e tinta, vivendo longe daqueles que eu amo, tivemos que nos separar para não envolvê-los nessa bagunça. Caso você desconheça essa história, trata-se de um jovem de dezesseis anos... acusado de um crime que eu não cometi...

Ou melhor: Fui acusado pelo crime errado.

— Beleza seus idiotas! Tá na hora do rango!

O barulho do sinal do intervalo era similar ao de uma sirene - e tão irritante quanto. O patrão, dono da obra, grita juntamente do sinal, indicando a tão desejada hora do almoço onde todos os funcionários param o que estão fazendo naquele momento para reporem suas energias. Mas para mim aquele momento é tão desagradável quanto o horário do serviço, talvez pior.

Ao menos no expediente eu tinha a oportunidade de fugir dos pensamentos que me perseguem todos os dias, sobre aqueles eventos. Eu ignorei, tentei prosseguir no meu trabalho apesar de estar adiantado.

No entanto, meu superior me abordou, dizendo coisas das quais eu já sabia, sobre não me forçar demais, e abrir espaço para outras pessoas entrarem na minha vida.

Bem, sobre estar me doando mais do que os outros para aumentar meu salário, tudo bem. Eu acho que realmente estou trabalhando demais. Às vezes é bom dar uma relaxada, se eu tivesse de fato essa chance.

Então eu segui seu conselho, parei de carregar cimento de um lado para o outro e decidi aproveitar meu intervalo, se é que eu iria conseguir. Peguei minha marmita e procurei um lugar longe dos outros trabalhadores. O refeitório estava cheio, mas eu preferia ficar sozinho mesmo.

Andando pelo barro, encontrei um lugar entre as inúmeras caixas de cimento que montavam um pequeno banco improvisado com o tamanho perfeito para alguém tão pequeno trabalhando com homens altos e feitos pra isso.

O pote da marmita podia enganar quem pensasse que havia uma comida cheirosa dentro dali... Mas ao abri-la, logo percebe-se que não era tão impressionante quanto devia ser. Como eu moro sozinho, eu me preparo com o melhor que eu tenho. Mas ao pôr em minha boca, o gosto se mostrava mal cozido e o lagarto que eu cozinhei tinha um gosto agridoce.

Enquanto comia, pensamentos de uma vida completamente diferente da que eu tenho agora. O silêncio daquela manhã árida e o sopro sussurrante dos ventos em meu ouvidos me lembraram daquela tarde, em Lost Canyon

Foi nessa cidade que eu enfrentei talvez o momento mais difícil da minha vida. Mesmo tendo se passado sete meses desde o ocorrido, eu me lembro claramente dos eventos que sucederam depois que aquele homem apareceu. Nunca o vi na vida, mas ele parecia me reconhecer de algum lugar. Ele era enorme e assustador, e gritava coisas desconexas com o que eu acreditava ter visto, ouvido, ou mesmo ter tido conhecimento.

Project UEM: Vol IHistórias para pegar e não largar. Descubra agora