Capitulo 23: Maré de incertezas

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O sol já adormecia e suas luzes ao fim de tarde deixavam claro que a noite estava chegando. A luz dando seus últimos resquícios, deixavam o céu ornamentado em tons rosados. Nuvens estavam cobrindo o astro luminoso no misturando o amarelado e o rosa em uma paisagem abstrata e elegante naquele início de noite.

Entretanto, por mais que aquele dia fosse convidativo, havia choros em uma casa modesta e minimalista de tijolos que era maior do lixão onde o garoto da profecia morava. Yudi estava em sua nova casa, mas seus traumas traziam consigo um lembrete do qual ele havia deixado de lado quando pensara que com seus novos amigos tudo ficaria para trás

Sozinho e no escuro, Yudi estava sentado em sua cama, suas pernas estavam dobradas e seus braços os envolviam em um abraço amargo. De repente, um bater em sua porta se faz ouvir e uma voz doce o traz de volta a realidade.

Lara - Yudi... Eu...

Yudi - Você pode me deixar sozinho, por favor? Não tô no clima.

Aquela situação era terrível. A voz cansada e pausada de Yudi revelavam que o jovem lidava com o luto... Na verdade, era a culpa que o consumia e lembrava-o de seu pecado.

A moça queria ajuda-lo a aliviar o fardo, dividir o peso que seu amado carregava. Entretanto, Lara se sentia impotente. Nada do que ela dissesse poderia trazer de volta aquele garoto que se divertia entre amigos.

Com peso em suas costas, Lara decide respeitar o seu desejo, chamando Li, que naquele momento estava com sua irmã.

Por mais que Li reconhecesse aquele sofrimento de seu amigo e quisesse ajudar, Yudi havia fechado as janelas de sua alma para todos ali. O jovem procurava pressionar, mas...

Lara - Vamos Li.

Li - Mana?

Lara - O Yudi precisa de um tempo pra absorver isso.

Li - Eu concordo. Se precisar de alguma coisa me avise.

Com pesar, Lara e Li o deixou descansar em seu quarto. Os dois não podia fazer nada para ajudar Yudi a encarar esse demônio vindo de seu coração. O garoto estava sozinho num quarto escuro, quase como se fosse um bicho, colocado numa jaula por ele próprio.

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O sol se pôs por inteiro e a noite chegou. As poucas luzes acesas das casas e estabelecimentos traziam ao vale Diokysuke uma atmosfera modesta. As luzes dos quartos eram pouco luminosas dado a situação em que se encontravam. Uma de suas muitas regras era justamente a de deixar o ambiente com o mínimo de luz.

A rede elétrica do Vale era bem rústica, geralmente dependia de energia eólica, dado a quantidade de ventos gerados ali. Mesmo assim os postes iluminavam as ruas e as casas, normalmente feitas de tijolos e concreto branco, refletiam sua luz pelas suas janelas.

Dentro de um barzinho que tinha à algumas quadras da cada de Yudi. Estava Diana, sentada em um banco de madeira perto do balcão onde o barman ficava servindo-os.

Dentro do bar, havia ornamentos de madeira, como prateleiras e quinas, onde usavam para guardar copos, garrafas de cerveja e utensílios para diversas misturas de sabores. Haviam bancos que eram espalhados pelo bar e em cada uma das mesas haviam três à quatro pessoas conversando, trazendo ao lugar uma atmosfera agitada e alegre.

Mas mesmo que o ambiente estivesse dizendo para que ela comemorasse, Diana não sentia o menor prazer. Apenas o usava como um meio de afogar as magoas em um bom copo de whisky

Desgostosa, Diana ergueu seu copo até seu lábios carnudos e levemente ornamentados em um vermelho. Sua maquiagem básica estava plena e em sua melhor forma, contra ponto de sua expressão batida.

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