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Gomes

Quase duas da manhã e o meu radinho começa a tocar, levanto da cama no pulo já e pego ele no criado mudo

Barão: Vem com o carro aqui na rua dez, sem demora caralho a minha filha tá morrendo nos meus braços- grita do outro lado da linha

Gomes: Tô chegando aí já barão

Tô sem entender porra nenhuma mas sei que o bagulho é sério, cato a minha camisa que tá jogada no chão e procuro o meu chinelo com o olho, não acho essa porra então vou sem mesmo

Cintia: O que foi que aconteceu amor?

Gomes: não é da tua conta caralho, e faz favor pega as tuas coisas e vaza daqui

Já tinha até esquecido que essa mulher tava aqui

Saio do quarto rapidão e pego a chave do carro no sofá

Entro no carro saindo a milhão, chego na rua e vejo o barão na frente de um beco com ela no colo

Deito um pouco no banco e abro porta de trás pelo lado de dentro, ele deita ela no banco e senta colocando a sua cabeça no colo dele

Presto atenção na camisa branca do barão completamente vermelha de sangue

O meu olho bate na Malu, que tá com o corpo cheio de sangue  e vários cortes

O seu cabelo tá grudado no seu rosto com o sangue

Ela tá sem roupa e a única coisa que tá cobrindo o seu corpo é o casaco do barão

Porra o bagulho tá sinistro

Gomes: Ela tá perdendo muito sangue tem que estancar aí barão ou se não vai piorar mais ainda

Tiro a minha camisa e entrego pra ele que tira o casaco de cima dela e rasga a camisa no meio dividindo em dois pedaços e preciona contra os cortes

Barão: Não olha pra cá não caralho

Nada que eu não tenha visto antes

Acelero o carro saindo do morro igual bala

Só de pensar que a culpa disso tudo ter acontecido foi minha, e que eu poderia ter evitado

Porra quando ela foi lá em casa eu podia ter ido atrás dela, mas quis dá uma de macho alpha e deu nisso

As vezes eu esqueço que ela só tem dezeseis anos e o tanto que isso pode ser confuso na cabeça dela

O pior mesmo é imaginar o tanto que ela sofreu pra tá desse jeito e que foi negligência minha

Paro na porta do hospital e o barão desce do carro com ela no colo

Estaciono o carro e pego uma jaqueta de couro que tá jogada aqui no banco, coloco ela no corpo já que tô sem camisa e entro no hospital

Passo a mão no rosto pensando na merda que eu fiz

Passo o olho pelo local vazio com apenas a recepcionista atrás do balcão e o silêncio dando pra escutar só o barulho dos aparelhos

Sento do lado do barão que tá com a mão na cabeça olhando fixamente pra parede branca

Gomes: Ae irmão vai dá tudo certo, fica tranquilo

Barão: Tu viu a situação que a minha menina tá pô, e eu falhei como pai por ter deixado isso acontece

Gomes: Se culpa por isso não cara, quem fez vai pagar- ô se vai- mais como foi que aconteceu isso?

Barão: Não sei o que rolou, só sei que ela me falou que ia dormir e eu pensei que tinha ido mesmo, depois de meia noite eu saí de casa pra fazer uma ronda pelo morro

Barão: Quando eu tava passando lá no beco eu escutei os gritos, parei a moto e fui olhar. Tava com pouca luz só vi o desgraçado lá batendo nela, dei dois disparos, não sei se pegou, mas o filho da puta correu

Barão: Quando eu vi que era ela eu nem acreditei

Viro um pouco a cabeça na cadeira olhando pro teto e respiro fundo

Gomes: Mó fita mesmo mano

A minha cabeça tá a milhão já pensando nisso




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