Eles correm sem olhar pra trás

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Todos os dias eram sempre iguais, mapear e voltar pra clareira, esperar o dia que algum jovem fosse chegar, comer, dormir e no dia seguinte fazer tudo de novo. Mas aquele dia foi diferente, naquele dia ele chegou.

Minho sabia como era quando abriam as portas da caixa, sabia como era ver todos aqueles rostos desconhecidos; sabia o medo instantâneo que sentia ao pisar na grama e perceber que continuava preso. O garoto estava muito assustado, ele só queria desaparecer.

Com o tempo Raul começou a se acostumar com tudo, as coisas foram se acertando, tudo voltou pra rotina, menos pro Minho, ele não parava de pensar numa forma de se aproximar dele. Quando foi jantar naquela noite, viu o Gally conversando com o Raul, queria saber o que falavam, queria estar no lugar dele.

Na mesa Raul contou como foi o seu dia, disse que estava gostando de trabalhar na construção, parecia cansado, mas estava bem; não contou do acidente que aconteceu na obra, que quando decidiu ficar trabalhando no almoço enquanto todos foram comer, caiu, batendo as costas no chão, ficou sem respirar, não se preocupou já era uma coisa normal pra ele. Antes de sair da mesa disse ao Gally que pensava em ser corredor.

Raul foi até a parte do muro que fica escondido na floresta, vomitou tudo o que comeu, um ato que havia se repetido desde que chegou, ele não sentia fome, fazia suas refeições pra não o acharem estranho, ele não estava bem. Depois de um tempo sentado com as costas no muro, sua visão ficou embaçada, suas mãos tremiam, sua garganta fechou, ele estava se afogando de novo, estava morrendo de novo, estava sozinho. Raul voltou pra onde todos estavam dormindo, se jogou na rede e apagou.

Semanas se passaram ele já sabia o que fazer nos corredores do labirinto, já havia começado a mapear. Corria junto do Minho, pensava nele de vez em quando.

Fazia suas refeições com o Gally, viraram amigos rápido, se interessavam pelas mesmas coisas, os dois gostavam de lutar. Treinaram várias vezes juntos, Gally gostava de ficar perto dele.

Raul sentia que estava sempre fora de seu corpo, nunca parecia real pra ele, queria gritar, mas não o fez. Naquele dia se atrasaram na volta e quase ficaram presos no labirinto, Gally veio correndo falar com ele, Minho olhou de longe enquanto se abraçavam.

Naquela noite não quis jantar, ficou na rede tentando dormir, não conseguiu. Amanheceu; levantou indo em direção aos muros; todos viram Raul sumir pelos corredores do labirinto sem se alimentar. Nesse momento Minho e Gally começaram a ficar preocupados, mas não demonstraram.

Raul queria morrer. Os corredores entraram no labirinto, e começaram a mapear, as horas foram passando e ninguém achava ele. Raul corria pelos corredores sem rumo, pensou ter visto uma saída enquanto seu corpo caia inconsciente no chão. Minho o achou desacordado, o pegou nos braços e o levou pra fora do labirinto.

Na enfermaria Clint e Jeff o examinaram, seu pulso estava fraco, Raul estava quase morto. Administraram um soro, um tempo depois começou a ficar mais ou menos estável. Minho não dormiu naquela noite.

Passou uma semana até ele se recuperar totalmente, quando voltou pros seus afazerem diários, os outros clareanos se perguntavam o que havia acontecido com ele. Raul dizia que passou mal, que devia ter corrido muito e se alimentado pouco; deixando de lado a parte que não foi sem querer. Raul ainda queria morrer.

Começou a conversar muito com o Minho, queria que os três também conversassem, queria que todos virassem amigos. Naquela noite os três jataram juntos e ficaram vendo as estrelas até pegarem no sono. Suas mãos se tocaram por vários instantes, Raul gostou disso.

Nesse dia a caixa subiu novamente, era mais um garoto, quando saiu da caixa foi correndo pra entrada do labirinto, o derrubaram; Raul sorriu, isso quase nunca acontece. Gally olhava pra ele no mesmo instante em que isso aconteceu, seu coração ficou mais quentinho, ele se apaixonou.

Thomas entrou pros corredores e fez dupla com o Minho, Raul começou a correr com o Ben, a rotina era a mesma, por um tempo, até que as coisas foram calmas. Numa manhã igual a todas as outras ele não conseguiu mais respirar de novo. Sozinho num lugar em que ninguém podia ver, era transportado pra um céu sem estrelas, se via morrendo na frente de seus olhos, sabia que nunca deixou de morrer.

Minho quis ficar um pouco sozinho, entrou na floresta pra espairecer, viu de longe Raul sufocando, foi correndo até ele sem saber o que fazer, o acalmou do jeito que conseguia, o abraçou pois era isso o que podia fazer naquele momento. Sentiu uma dor que nunca havia sentido; quis o ver bem, quis saber antes o que estava acontecendo. Não contou pra ninguém o que aconteceu, era o segredo deles.

Quando os ataques de pânico aconteciam ele sempre estava lá para ajudar, viraram confidentes um do outro, sabiam de segredos que ninguém mais sabia. Raul queria viver. Voltou pros seus afazeres, agora mais do antes queria achar uma saída dali.

Novamente a caixa subiu, trazendo nela uma garota, ela era a última, o que isso significava pra eles? Não sabiam o que estava acontecendo, estavam com medo, mas ninguém queria dizer isso em voz alta.

Depois dos acontecimentos daquela tarde, onde ela jogou pedras nos garotos, as coisas se acalmaram e decidiram fazer uma festa. Raul gostava de beber, encheu a cara ficando levemente bêbado; isso era o que ele achava. Minho, Gally e Raul se afastaram um pouco dos outros clareanos e se encostaram num tronco de arvore largado no chão.

Seus corpos estavam tão próximos que seus braços e pernas se tocavam, trazendo um calor tão bom; Raul falava nada com nada, Minho e Gally ouviam sem entender, estavam nervosos demais pra pensar em outra coisa a não ser na pele dele encostando na sua. Eles queriam mais, não resolviam olhar pro rosto dele, sentiam seus corações quase explodindo; naquele momento tiveram certeza que o amavam.

Raul olhou pro Gally, depois pro Minho; quando foi se aproximando cada vez mais, Minho paralisou, sentiu os lábios dele nos seus, pensou ser um sonho, não era. Raul parou o beijo virando lentamente em direção ao Gally, se aproximou com a mão no pescoço dele, o beijou mais rápido que imaginou, no fundo Raul sabia que os amava.

O beijo foi parando até que restou apenas a sensação do que aconteceu, os três se olhavam fixamente, Raul com a mão no pescoço dos dois foi levando seus lábios pra perto um do outro, ali todos se amavam. O clima esquenta quando os três se beijam, seus corpos se entrelaçam, suas mãos vão passando de um pro outro, eles transam naquela noite.

Semanas depois Thomas e Minho acham uma parte do verdugo, trazendo pra clareira, as horas vão passando e os portões não fecham, a noite os verdugos invadem o lugar, atacando e ferindo quem estivesse em sua frente; Minho, Gally e Raul, estão juntos em um canto da clareira, um verdugo avança violentamente na direção onde estavam.

Eles correm sem olhar pra trás, se escondem pra sobreviver, estando juntos não queriam ter medo, mas a morte não se importa de separar quem for; espremidos num lugar qualquer, chorando nos braços uns dos outros, enquanto ouvem seus amigos morrerem, sentem suas almas sangrarem.

No dia seguinte, se juntam com quem sobreviveu, decidem fugir dali, todos pegam alguma coisa pra se proteger e saem correndo pelo labirinto, em busca de uma vida melhor; muitos morrem tentando fugir, muitos não tiveram uma segunda chance. Quando saem pra fora do labirinto veem um deserto sem fim, finalmente livres, finalmente juntos. Isso era o que pensavam, era o que queriam imaginar.

Se amaram como o céu ama o azul, ficaram juntos mesmo depois de tudo. Seu amor ultrapassou o deserto, eles não morreram.

Oiii, gente faz muitos anos que eu não posto nada, não sei porque decidi começar a escrever de novo, mas está aí, sei que alguns acontecimentos estão fora de ordem mas foi proposital para fazer sentido na história que pensei; espero que gostem desse imagine, beijuu e tchauu.

     minis imagines - Maze runnerHistórias para pegar e não largar. Descubra agora