Capítulo Vinte e Dois

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Eu me virava de um lado para o outro, tentando encontrar uma posição que me trouxesse algum conforto. Mas como descansar quando minha cabeça estava uma bagunça? Não era só o dia caótico que me atormentava — eram os pensamentos. As perguntas. E o fato de que May estava ali, tão perto e tão distante ao mesmo tempo.

Ela estava de costas para mim, imóvel, e eu queria desesperadamente saber o que se passava dentro dela. O que ela pensou quando eu fiz aquela massagem? Ou, pior, quando, sem querer, nossas bocas se encostaram? Como a toda certinha May, que vive falando sobre pecados e igreja, lidava com isso?

Eu queria entender. Precisava entender. Mas nada fazia sentido.

Ela saiu há algumas horas, dizendo que ia rezar, e quando voltou, apenas deitou-se e não disse nada. Será que estava dormindo? Ou estava, assim como eu, presa nesses pensamentos confusos?

Suspirei, frustrada. Isso estava me matando. Eu não planejei sentir os lábios dela nos meus. Não planejei vê-la tão entregue à minha massagem. Mas aconteceu. Simplesmente aconteceu. E agora, essas memórias não me deixavam em paz.

Mas e ela? Será que também sentia isso? Ou será que, para ela, tudo foi apenas um erro a ser esquecido?

Fechei os olhos, tentando expulsar as lembranças. Só queria dormir. Só queria que minha mente fizesse silêncio. Mas quanto mais eu tentava esquecer, mais nítido tudo ficava.

Então, senti May se mexer. Meu corpo congelou. Não abri os olhos, mas sua respiração estava perto, tão perto que senti o hálito de hortelã tocar minha pele. Meu coração falhou uma batida antes de disparar em desespero.

Como isso era possível? Como ela me causava uma reação tão intensa se nos conhecíamos há o quê? Uma semana? Era estranho, sufocante. Era algo que estava me destruindo.

— Fay... — Sua voz foi um sussurro, carregado de hesitação.

Abri os olhos e encontrei os dela.

Eu queria dizer tantas coisas. Mas não sabia como.

— Te acordei? — Sua voz trazia uma preocupação suave. Apenas neguei com a cabeça. — Eu não consigo dormir... — confessou.

— Eu também não... — Minha resposta saiu num fio de voz.

E, no silêncio que se seguiu, minha inquietação apenas cresceu. Esse silêncio entre nós parecia mais alto do que qualquer palavra que pudéssemos dizer.

May estava ali, tão perto, e, ao mesmo tempo, eu não conseguia alcançá-la. Seu rosto estava parcialmente iluminado pela luz fraca que vinha da janela, e seus olhos... Nossa, seus olhos pareciam me perfurar. Eu não sabia o que ela estava pensando, e isso me deixava inquieta.

Ela também não falava. Apenas me olhava, como se procurasse alguma coisa em mim — talvez uma resposta, talvez uma certeza que nem eu mesma tinha. Eu sentia minha própria respiração presa na garganta, e o ar ao nosso redor parecia pesado, carregado de algo que eu não conseguia nomear.

May abriu a boca, mas hesitou, e fechou de novo. Era como se as palavras estivessem ali, na ponta da língua, mas não encontrassem coragem para sair. E eu? Eu só conseguia observá-la, sem saber se deveria dizer algo ou apenas esperar.

Ela respirou fundo, desviou o olhar por um segundo, e então voltou a me encarar. Havia algo em sua expressão que eu não conseguia decifrar.

— Fay... — sua voz saiu baixa, quase hesitante.

Engoli em seco.

— O que foi? — Minha própria voz soou fraca, como se eu também não soubesse se queria ouvir a resposta.

Against All The Odds That Exist Between Us || FayMay Onde histórias criam vida. Descubra agora