Capítulo Trinta e Sete

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Eu fechei a porta com força. O som do tranco foi tão agudo, quase como se minha alma tivesse sido partida em dois. E logo que a chave girou na fechadura, a dor começou a apertar. Não do lado de fora, mas de dentro de mim.

O arrependimento me atingiu como uma onda inesperada.

Talvez... talvez olhar pela janela não tenha sido uma boa ideia.
Talvez ter saído, sem mais nem menos, para ver Fay vindo em minha direção... não tenha sido uma boa ideia.
Talvez ter falado sem pensar, deixado as palavras saírem assim, sem nenhuma ordem, sem nenhum controle... não tenha sido uma boa ideia.

Eu não sabia mais o que estava fazendo. Eu só sabia que tudo que eu sentia, toda aquela irritação, aquele ódio que parecia não fazer sentido, estava me consumindo. Eu estava tomada por algo que não entendia. Algo que não era mais apenas emoção, mas uma espécie de tempestade dentro de mim.

Deus, Pai, todo poderoso, ajude-me a me entender. Ajude-me a entender o que se passa comigo. Ajude-me a me livrar dessa sensação... desse ódio... dessas reações confusas que parecem não ser controladas por mim... e, em especial, ajude-me a entender o que está acontecendo entre mim e Fay.

Eu me deixei cair no sofá. O tecido macio sob mim não parecia me confortar, como costumava fazer. Parecia estranho. Pesado. Eu queria chorar. Eu realmente queria. Mas as lágrimas não vinham. Não tinha explicação para nada, e mesmo que eu me entregasse àquele desespero, não faria sentido. Não faria nenhuma diferença.

Por que eu estava assim? Eu estava com raiva de Fay? Eu estava... — vocês sabem — dela?

As perguntas se repetiam, uma atrás da outra, sem descanso. Mas não faziam sentido. Como eu poderia sentir isso dela se ela era minha amiga? Como poderia sentir raiva, se eu nunca sinto isso por ninguém?

Eu olhei para as paredes, como se buscasse ali uma resposta, um sinal. Mas o que vi foi apenas a silenciosa imensidão da minha confusão.

Eu queria entender. Eu precisava entender. Mas, no fundo, o que mais me assustava era o que acontecia dentro de mim. Porque algo estava mudando... e eu não sabia o que fazer com isso.

Fechei os olhos, tentando buscar uma respiração calma, tentando me livrar de tudo isso, de todas essas perguntas. Mas o que eu mais queria... Era que a raiva e a confusão passassem. E isso me assustava. Me sentia perdida.

O que se passava comigo? Por que me senti traída por minhas próprias reações?

O som do celular apitou, e meu corpo reagiu de imediato. Um arrepio subiu pela minha espinha, não por medo, mas por algo muito mais profundo. Algo que eu não sabia mais controlar.

A mensagem de Fay apareceu na tela. Eu poderia ter ignorado, poderia ter me afastado de tudo aquilo, mas não consegui. Era como se meu corpo já soubesse o que queria, antes mesmo da minha mente entender. Eu vi a mensagem, e meu coração, imperturbável até aquele momento, saltou no meu peito de uma maneira que eu não sabia como lidar.

Fay

Maynitaaaa, acabei de chegar...
Olha não sei o que aconteceu, ou o que eu fiz...
mas me desculpa...
apenas me diga se está bem...
se vai ficar bem (:( [23:25]

Aquelas palavras eram um golpe suave, como se a própria Fay estivesse tentando me curar, mesmo quando eu havia sido tão cruel. Após tudo o que fiz, ela ainda se preocupava comigo. Depois de eu ter a tratado daquele jeito, ela ainda queria saber se eu estava bem, se eu ia ficar bem. Eu literalmente fechei a porta em sua cara, a tratei com raiva....

Against All The Odds That Exist Between Us || FayMay Onde histórias criam vida. Descubra agora