O salão da igreja estava movimentado, cheio de vozes e passos apressados, mas nada parecia realmente alcançar meus ouvidos.
Andava de um lado para o outro, sentindo o tecido da minha saia balançar levemente conforme meu corpo se movia. Meus dedos se entrelaçavam uns nos outros, num gesto automático de inquietação.
Como eu ia encarar Fay? Como eu ia olhar para ela depois da noite que tive?
Passei a madrugada inteira revirando na cama, com a mente cheia das palavras de Nam, das imagens de Fay e Claire, das coisas que eu sentia e que se recusavam a fazer sentido.
A irritação ainda estava ali, latente, me fazendo prender a respiração sem perceber. Eu tentava me convencer de que não importava. Que nada disso tinha qualquer significado real.
Mas se não tinha, por que eu ainda estava tão agitada? Por que meu coração parecia estar tentando sair do peito toda vez que eu pensava em vê-la de novo?
A cada segundo que passava, mais pessoas chegavam ao salão, cumprimentando-se animadas, enquanto eu permanecia presa nos meus próprios pensamentos.
Então, de repente, uma mão tocou meu ombro.
— May, querida.
Minha mãe. Me virei de súbito, sendo puxada de volta para a realidade.
— O que foi?
Ela ajeitou a bolsa no braço e sorriu de leve.
— A mãe da Fay me avisou que ela não está se sentindo bem. Ela não vem hoje.
Por um instante, meu cérebro demorou para processar a informação. Fay não vinha.
Toda a confusão que vinha crescendo dentro de mim, todo o nervosismo, toda a dúvida sobre como seria reencontrá-la… evaporaram de uma vez, dando espaço para outra coisa.
Preocupação.
— O quê? — minha voz saiu mais alta do que deveria.
Minha mãe arqueou uma sobrancelha, surpresa com minha reação.
— Disse que está com dor de cabeça.
Dor de cabeça… Minha mente imediatamente começou a trabalhar contra mim, criando cenários que eu nem sabia de onde vinham.
Ela estava mal desde ontem? Será que era culpa daquilo tudo? Será que… era culpa minha?
Fechei as mãos em punhos, sentindo o meu coração acelerar por um motivo completamente diferente agora. Fay não vem. Se ela não veio, então… então era sério.
E, sem nem perceber, já estava dando um passo para trás, pronta para sair dali.
— Mãe, vou ver como ela está...
Minha voz saiu apressada, como se cada segundo que eu demorasse ali fosse tempo perdido.
— Espere a reunião acabar, filha. Você irá perder a oração.
— Eu rezo mais tarde na missa, mãe.
Minha mãe me olhou com um misto de surpresa e reprovação.
— May, não seja teimosa.
Mas eu já estava inquieta demais para ouvir.
— Eu rezo na missa, mãe, prometo. Agora preciso ver como a Fay está.
Ela suspirou, ajeitando a bolsa no braço de novo. eu já estava inquieta demais para discutir. Meu coração batia rápido, e minha cabeça ainda estava cheia de pensamentos confusos sobre Fay, sobre tudo que Nam disse, sobre Claire. E agora, saber que Fay não estava bem só deixava tudo pior.
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Against All The Odds That Exist Between Us || FayMay
FanfictionDepois de quatro anos longe, Fay retorna à sua cidade natal e se vê em um dilema: convencer seus pais de uma vez por todas de que não podem mudar quem ela realmente é. Enquanto isso, May, em um gesto de bondade, aceita ajudar os amigos de seus pais...
